07/09/2017 às 10h18min - Atualizada em 07/09/2017 às 10h18min

Começam atividades do Setembro Amarelo em Barra do Garças de prevenções ao suicídio

A importância de discutir este assunto e oferecer ajuda a pessoas com depressão. Apoio profissional e familiar. Palestras e blitz estão sendo realizadas na região.

Araguaia Notícia c/ G1 e BBC Londres
O mês de setembro é dedicado a prevenção dos suicídios com palestras e blitz nas ruas da cidade alertando a população sobre a necessidade de aconselhar as pessoas com depressão a procurarem atendimento profissional e apoio da família. Em Barra do Garças, a programação teve início no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) com um ciclo de palestras.

No sábado (9/9), o grupo que trabalha com Saúde Mental da UFMT-BG estará realizando blitz com panfletagem orientativa no centro de Barra do Garças na parte da manhã e à tarde na feira de Aragarças-GO. No domingo (10/9), a blitz educativa será realizada na feira de Barra do Garças na parte da manhã. Na terça-feira (12/9) o grupo estará visitando a feira de Pontal do Araguaia com o trabalho de orientação.

As palestras serão também extensivas para as casas terapêuticas Casa de Davi, Filadélfia e Maria Madalena e as unidades de saúde de Barra do Garças. A programação do Setembro Amarelo começou dia 6/9 com o ciclo de palestras na UFMT em Barra do Garças sobre prevenção ao suicídio entre universitários.

Participaram da coordenação dessa atividade: a professora Alisseia, Elias e Tatiane juntamente com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com apoio do Centro Acadêmico (CA) de Enfermagem e auxílio dos alunos e colaboradores que estão empenhados nestas ações ao longo do mês de setembro. Cerca de 300 pessoas participaram do evento da UFMT.

Essa campanha é importante porque infelizmente aumentou o número de suicídios em todo o mundo. No Brasil cerca de doze mil suicídios foram registrados no último ano. No Mundo, segundo OMS, este número chega a 800 mil suicídios anualmente. Os motivos estariam ligados a depressão por causa de problemas familiares, decepções amorosas e financeiras e alguns casos por causa de bullying (atos de violência física e psicológica) atingindo inclusive crianças.

Matéria do G1 em parceria com BBC Londres 
Bullying na Internet 

De assunto mantido entre quatro paredes a tema de série na internet, o suicídio de jovens cresce de modo lento, mas constante no Brasil: dados ainda inéditos mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 - um aumento de quase 10%.

Os números obtidos com exclusividade pela BBC Brasil são do Mapa da Violência 2017, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

Um olhar atento diante de uma série histórica mais longa de dados permite ver que o fenômeno não é recente nem isolado em relação ao que acontece com a população brasileira. Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000. Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%.

Baleia Azul 'é só o gatilho': o apelo viral de Felipe Neto sobre as reais causas do suicídioCriador do Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz destaca que o suicídio também cresce no conjunto da população brasileira. A taxa aumentou 60% desde 1980.

Em números absolutos, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014, um dado que costuma desaparecer diante da estatística dos homicídios na mesma faixa etária, cerca de 30 mil.

"É como se os suicídios se tornassem invisíveis, por serem um tabu sobre o qual mantemos silêncio. Os homicídios são uma epidemia. Mas os suicídios também merecem atenção porque alertam para um sofrimento imenso, que faz o jovem tirar a própria vida", alerta Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

O sociólogo aponta Estados do Centro-Oeste e Norte em que a taxa de suicídio de jovens é maior, num fenômeno que os especialistas costumam associar aos suicídios entre indígenas: Mato Grosso do Sul (13,6) e Amazonas (11,9). Na faixa etária de 15 a 29 anos, a taxa de suicídio tem se mantido sempre um pouco acima da verificada na população brasileira como um todo, segundo a publicação "Os Jovens do Brasil", lançada por Waiselfisz em 2014, com um capítulo sobre o tema.
 
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