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10/05/2020 às 21h28min - Atualizada em 10/05/2020 às 21h28min

Infectologista alerta que Covid avança em MT e que medidas de isolamento podem achatar curva

Bianca Fujimori, Mídia News
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O médico infectologista Abdon Salam Khaled Karhawi, que integra o Gabinete de Situação do Governo de Mato Grosso, reconhece que o isolamento social adotado no Estado no início da pandemia foi importante para controlar o avanço da doença.

De acordo com o especialista, apesar do aumento de casos nos últimos dias, Mato Grosso ainda tem uma progressão lenta de coronavírus em relação aos outros estados.

“Nós estamos entre os melhores estados em relação à progressão do coronavírus. Tem outros estados menores que nós e que estão em situações pior de evolução. Parte desse bom resultado foi graças ao isolamento social. Demonstra que as atitudes de restrição social ajudam a controlar esse processo”, avalia Abdon.

Contudo, ele acredita que Mato Grosso ainda não chegou ao pico de infectados e a expectativa é de que o número de casos deva aumentar.

“É natural que nós vamos ter uma progressão da doença, isso é nítido e não há duvidas. Nós estamos em uma fase baixa e vai ter uma ascensão disso em questão de tempo. Muito difícil, nesse nível de contaminação em que estamos, ter algum sinal de que isso vai regredir”, afirma o infectologista.

O médico explica que é necessário atingir o pico de infectados e, em seguida, começar a registrar redução contínua.

“A curva vai acontecer, nós temos que fazer uma curva e ela cair. Por enquanto, não há nenhum sinal de diminuir, ela só está subindo. Quando começar a cair de maneira fixa, uma semana, duas semanas caindo, aí começa a deteriorar”.



Imunização de rebanho é uma solução?

Como ainda não existem medicamentos contra o vírus, o especialista diz que as medidas de biossegurança, como o isolamento social, uso de máscara, higienizar as mãos, manter distância entre as pessoas são essenciais para controlar o crescimento do número de infectados.

“Essas medidas já são documentadas pela literatura científica de que fazem efeito. Não há nada melhor do que essas medidas para reduzir a epidemia, por enquanto, até o aparecimento de medidas farmacológicas efetivas”, afirma Abdon.

Ele também reforça que essas ações são importantes para não sobrecarregar o sistema de saúde e provocar mais mortes.

“Primeiro temos que entender que com o isolamento forte, você diminui a frequência de doentes no hospital. Com o isolamento, as pessoas vão ficando doentes pouco a pouco e os hospitais vão suportando os pacientes que vão chegando”.

Quando não se toma nenhuma atitude para conter a doença e permitir a imunização de rebanho, que é quando a maior parte da população é contaminada pelo vírus e cria imunidade, protegendo assim quem não foi infectado, mais pessoas poderão morrer, segundo ele.

“Tem que ser um número enorme de pessoas. A virulência é alta, o nível de contágio é alto e a letalidade é alta. Se você deixa solto isso, como tem acontecido em alguns locais do mundo, o vírus dissemina na população, vai subir muito rápido e vai gerar uma gama de doentes internados e pode ser que colapse o serviço ou gere gravidade”, expõe.

 Em alerta
 
O infectologista defende que as previsões matemáticas de incidência de casos não contribuem com a análise da realidade.
 
De acordo com ele, os cálculos não levam em consideração alterações que podem ocorrer por parte dos governos ou mesmo das pessoas.
 
“Esses modelos matemáticos vão prevendo e só deram problema. Vários modelos totalmente fora da racionalidade. Mas o fato é que é um modelo matemático puro. Temos que entender que cada mexida que se faz, muda a projeção matemática, então é muito difícil calcular alguma coisa”.
 
Para Abdon, os órgãos responsáveis devem estar monitorando rigorosamente conforme os casos da doença vão surgindo. Se for notada uma mudança muito expressiva, as autoridades devem estar prontas para agir.
 
“O que tem que se fazer é que a gente fiscalize isso de maneira intensa. Se tem um descontrole que dispara os casos de uma hora para outra, você toma uma decisão mais dura que impacta na curva”, relata o médico.
 
“Estamos em uma situação de epidemia franca, o vírus está em circulação. Tem que analisar a progressão e tomar decisões rápidas. Fazer projeções é perder tempo, não é necessário nesse momento”, completa Abdon.
 
Esperança em medicamentos
 
De acordo com o infectologista, para se ter uma vacina é preciso que ela passe por diversos testes até ser aprovada. Isso, segundo Abdon, leva tempo e não dá para esperar.
 
“Do ponto de vista vacinal, é mais complicado ainda. A vacina precisa de um rigor. Se a gente não mudar a forma que produzimos de maneira tradicional, vai levar em média um ano e meio a dois anos pelo menos de testes e avaliação para chegar em uma vacina efetiva, se der tudo certo”, afirma.
 
Mesmo com diversas pesquisas, ele ainda levanta a possibilidade de não existir uma vacina para a Covid-19.
 
“Existe a possibilidade de não ter vacina para esse vírus. Mas a comunidade científica está se mobilizando muito para isso. Uma vacina que possa impactar diretamente nessa pandemia eu acho pouco provável”.
 
O especiaista também não acredita na possibilidade de existir algum medicamento de prevenção ao coronavírus.
 
“O medicamento para prevenção eu sou um pouco pessimista porque é difícil, não vejo essa possibilidade historicamente nas infecções virais de contágio respiratório”, relata.
 
Contudo, o especialista aposta em remédios possíveis de curar o cornavírus. Para Abdon, essa medicamento será utilizado, principalmente, nos casos mais graves da doença.
 
“Tenho muita esperança em medicamentos, acho que vamos caminhar muito. Nós vamos ter informações fortes que vão ajudar a manipular melhor paciente grave ou para pessoas internadas em situações mais graves”, garante.
 
 
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