28/02/2017 às 10h28min - Atualizada em 28/02/2017 às 10h28min

UFMT realiza primeira reunião com professores indígenas em Mato Grosso

Circuito MT
A chegada dos ‘homens brancos’ ao Brasil fez com que muitos dos costumes indígenas se perdessem com o tempo. A educação ministrada por professores que não tem conhecimento da cultura também contribuiu para que isto acontecesse, já que as aulas eram apenas em português, fazendo com que até a linguagem nativa ficasse esquecida.

Coisas que nem os indígenas tinham noção do valor para sua cultura, se foram e sobraram apenas relatos dos mais velhos, que podem agora ser resgatados através de pesquisas e ensinados em sala de aula. Esse é um dos objetivos do Programa Rede Saberes Indígenas, do Ministério da Educação, que visa oferecer formação continuada para professores de etnias indígenas. 

O programa aportou em Mato Grosso neste mês de fevereiro, quando foi realizada a primeira reunião na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com professores indígenas, pesquisadores e os coordenadores do projeto no Estado. A inciativa conta com a parceria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia em Mato Grosso (IFMT) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a UFMT. 

“Nós adotamos essa cultura que se tornou dominante em nosso País. Essa é uma temática a ser discutida nesse primeiro encontro. No momento não tem nada definido sobre o que será trabalhado, mas temos resgatar os valores que a gente perdeu”, afirmou o professor e pesquisador Cristóvão Tsereroodi Tsõrõpré, que pertence à etnia Xavante, em Barra do Garças. 

Segundo Tsõrõpré - que irá trabalhar na capacitação de outros professores - para a primeira reunião froam convidados apenas os professores que são coordenadores nas escolas. Futuramente, os coordenadores querem envolver um número maior de professores indígenas. 

Ele ainda ressaltou que muitos estão estudando e cada vez mais tem aumentado o número de nativos com curso superior, principalmente no magistério. Isso faz com que os próprios indígenas possam assumir a educação das escolas nas aldeias. 

De acordo com o Cristóvão, a mudança vai fazer com que diminua a evasão escolar nas aldeias, que segundo ele, é muito grande. É que os jovens não gostam do ensino que não valoriza a cultura de seus ancestrais.

"Tem que associar as duas coisas: a sala de aula e a prática cultural”, declarou Cristóvão. 

Infraestrutura

Ainda existe outro problema apontado pelo professor: A falta de infraestrutura das escolas. Ele esclarece que muitos pais preferem não deixar os filhos irem estudar, por medo de ter o teto das escolas desabando sobre a cabeça de seus filhos.

“A gente está esperando a boa vontade do secretariado, para iniciar a construção e reforma das escolas”, reclamou.

Em Mato Grosso existem cerca de 1.500 professores que atuam na educação indígena, mas apenas 110 profissionais foram abraçados pelo projeto inicialmente. Uma das coordenadoras do Saberes Indígenas, a professora da UFMT, Beleni Grando, afirmou que este é um primeiro passo, mas que é necessário dar continuidade nessa caminhada. 

Grando explicou que em Mato Grosso existem cerca de 40 etnias indígenas, mas que apenas onze foram contempladas neste primeiro momento, que são: Kayabi, Apiaka, Munduruku, Bororo, Xavante, Chiquitano, Pareci, Umutina, Terena, Nhanbiquara e Kaiapo.

“O MEC oportuniza que nós façamos a formação todos os anos. Esperamos que nas próximas etapas essa rede continue sendo ampliada e atenda outros povos”, reforçou a professora. 

Ainda de acordo com Grando, Mato Grosso já foi pioneiro na formação de indígenas, mas ficou para trás, pois não estava fazendo parte do programa de formação continuada.  Com o Saberes Indígenas, ela espera que o Estado retome a posição de destaque. 

Ainda segundo a professora é importante à formação continuada e que as crianças tenham aulas com professores da sua etnia. Ela entende que a educação é um fator da construção da cidadania e que professores qualificados conseguem fazer um trabalho melhor, no sentido de dar autonomia dos nativos, com a leitura e escrita. 

“É muito específico, por que cada povo vai decidir se vai fazer a sua alfabetização na língua deles, na língua portuguesa ou se vai ser bilíngue. Esse é um projeto que vem atender às especificidades indígenas”, explicou Grando.


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