31/10/2018 às 15h38min - Atualizada em 31/10/2018 às 15h38min

Jogador nascido em Barra do Garças fala da carreira e revela apelidos do elenco do Bahia

Nilton abriu as portas de sua casa para o Globo Esporte e concedeu uma extensa entrevista que foi replica no site da torcida do Bahia e nós disponibilizamos aqui no site Araguaia Notícia

Araguaia Notícia
Globo Esporte / site da torcida do Bahia

O volante Nilton abriu as portas da sua casa e concedeu uma entrevista exclusiva ao site Globo Esporte. Ao contrário do que a sua posição de volante sugere, o jogador não é nem um pouco sisudo. Muito pelo contrário, o jogador é um dos caras da resenha do atual elenco do Bahia.

Nascido em Barra do Garças, no Mato Grosso, Nilton Ferreira Júnior, conhecido pela torcida como o Niltão da Massa, vive em Salvador há 10 meses, desde quando chegou ao Bahia. Ele é filho do ex-jogador e ex-técnico do Barra, Chicão, e já passou por vários times antes de chegar ao Bahia. Mostrando bastante adaptação à capital baiana, o jogador falou sobre assuntos como: redes sociais, resenhas internas, a vida no futebol japonês, dentre outros temas.

Redes sociais

Quando se trata de redes sociais, Nilton é “o cara” do elenco tricolor e é conhecido por gostar de fazer brincadeiras com o celular nas mãos. Porém, o jogador esclarece que nunca teve a intenção de passar do ponto. Segundo ele, a internet é apenas uma descontração para quebrar o gelo no vestiário:

É uma forma de eu mostrar um pouco para os torcedores, os fãs, para as pessoas poderem entender um pouco como é o extracampo. Ali acho que a parte que às vezes nem os repórteres, comentaristas, chegam a ter acesso. Eu gosto de mostrar o vestiário.

Nilton tá sempre mostrando os bastidores do Bahia. Neste ano, já fez vídeo mostrando o momento em que atletas ficaram presos no elevador de um hotel e subiu no ônibus do clube para fazer imagens da recepção da torcida antes de um clássico.

Em abril, quando o Bahia foi campeão estadual contra o Vitória, o clube foi hostilizado por torcedores rivais ao chegar no Barradão. Dentro do ônibus, Nilton se divertia com o seu celular:

Você passando no meio dos torcedores do arquirrival e você vendo… Eu gravava e via até a fúria nos olhos dos torcedores, a forma como eles não queriam que a gente estivesse ali naquele momento passando. Bom demais [risos]. Praticamente queriam virar o ônibus. Naquele momento, todo mundo falou: “Poxa, temos oportunidade de conseguir um título aqui.”

Após o episódio, o volante fidelizou o torcedor tricolor nas suas redes sociais:

Eles [torcedores] falam direto para fazer uma live, fazer um ao vivo, um negócio para eles participarem também

Após partida contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro, há pouco mais de uma semana, uma transmissão ao vivo feita por Nilton, acabou criando polêmica. No vídeo, o meia Zé Rafael acabou xingando Rodrigo Lindoso, jogador botafoguense. Após o episódio, Zé Rafael pediu desculpas.

Nilton acredita, no entanto, que não houve maldade e destacou o clima de brincadeira que estava rolando no vestiário:

Até o próprio presidente, vários jogadores, acabaram entrando na onda. É desse jeito. O nosso clima hoje está tão favorável por estarmos bem unidos.

Por casos como este que Nilton admite que precisa de um “termômetro”. O volante conta com uma assessoria, que serve como um filtro para o atleta entender quando passa dos limites:

Nunca só eu que fico manuseando, tomando conta disso. Até a minha esposa dá uma olhada e fala: “Opa! Esse aí, não. Segura”. O pessoal da assessoria também. Eu vou estar sempre respeitando da melhor maneira possível… O futebol é curto, temos que deixar um legado bacana. A gente está dando um passo, mas não pode deixar de olhar para trás, porque podem estar querendo pisar no mesmo lugar onde você pisou e repetir

Família e amigos

Nilton concedeu a entrevista ao Globo Esporte na sacada do seu apartamento, mas sempre voltava seu olhar para a sala, onde a sua esposa Karin, cuidava do seu filho, Gabriel.

Para Nilton, a sua família é o seu princípio fundamental e, fora de campo, estar com eles é sempre prioridade:

Sempre digo que minha família é meu pilar, que a minha família vai estar sempre em primeiro lugar. Meus filhos, sou maluco por eles. Gabriel, Giovana… Está no sangue.

Nilton e sua família (Foto: João Salvador)
Nilton e sua família (Foto: João Salvador)

Ao contrário de Nilton, sua esposa é bastante séria. Apesar do jeito mais fechado de Karin, o jogador revelou que há um ponto de equilíbrio na relação:

Ali [esposa] eu fico brincando chamando de ROTA [refere-se à Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar, uma tropa do Comando Geral da Polícia Militar de São Paulo]. A bicha é braba, viu? [gargalhadas]. Uma mulher pode te erguer de uma forma que você jamais pensou. Ela conseguiu mais do que me erguer. Ela conseguiu me dar um caminho, uma família, que só agradecendo a Deus da forma que está sendo feita. Hoje, o que ela faz, até fora de campo, ela acaba gerenciando tudo praticamente.

Este equilíbrio em 10 anos de relacionamento foi fundamental em um momento de dificuldade: em 2015, Nilton, que era titular no Internacional, foi flagrado no antidoping por uso de hidroclorotiazida e teve que encarar uma suspensão de seis meses:

Na hora em que o pessoal me chamou, pensei: “Estão brincando comigo”. Mas disseram que eu fui flagrado no doping. Acabei me escorando em pessoas que amo, como minha família, os próprios jogadores do Internacional. Me ajudaram muito. Como eu disse: o mundo do futebol é curto, então a gente quer deixar um legado bacana. Foi uma página virada de tristeza na minha vida

Japão e número 19

Em 2016, após a suspensão, Nilton foi para o Japão defender o Vissel Kobe. O seu recomeço no futebol foi um grande desafio, principalmente para se adaptar a uma cultura mais “séria”:

Veio num momento em que eu pegava e falava: “Eu quero conhecer fora, levar o Nilton para fora [do país]”. Foi uma cultura por que me apaixonei, aprendi muito, e é uma cultura que tem que ser respeitada. Eles prezam muito a educação, a forma de você conduzir e respeitar o próximo.

Do outro lado do mundo, extremamente brincalhão e sem entender uma palavra de japonês, é óbvio que Nilton passou por poucas e boas:

Uma situação, cara… Eu peguei o carro, fui abastecer. Mas lá não tem os frentistas. Você tem que ir na bomba [de gasolina] sozinho. Os pauzinhos tudo cruzando lá, e eu perdido. Fui na sorte. O carro era a gasolina, cara. Aí eu desativei a bomba, fui colocando e enchi o tanque. Pô, maravilha. Quando saí, o carro começou a dar umas travadas, e tal. O carro travou. Coloquei diesel, cara. O carro parou no meio da avenida. Que vergonha

Camisa 19 no Bahia, Nilton não pôde vestir o seu número favorito no Vissel Kobe, porque ele pertencia ao capitão da equipe. Sobrou para ele então a camisa 10, utilizada até 2017, até a chegada do alemão Podolski à equipe:

Eu tenho até tatuado no meu braço o número 19. Foi o dia em que eu conheci a minha esposa. O dia em que a minha filha nasceu. Eu falo: “Meu, tem muita coisa com 19”. Comecei a jogar com a 10, as coisas fluindo, me sentir mais habilidoso também [risos]. Em 2017, Lucas Podolski foi contratado e a exigência era a 10. Daí eu pensei: “Bato de frente com esse cara ou não? O cara é campeão do mundo ‘só’. O que eu faço?”. O dono do time mandou ceder a 10

Nilton tem o número 19 tatuado (Foto: João Salvador)
Nilton tem o número 19 tatuado (Foto: João Salvador)

Big Brother Obina

Ao voltar para o Brasil e ir jogar no Bahia, Nilton precisou de um amigo para lhe guiar na sua nova cidade. Este cara foi Obina, que lhe alugou o apartamento. O volante falou sobre a parceria com o ex-jogador do Tricolor:

O apartamento é dele, aí eu falei: “pela camaradagem, bota aí o aluguel lá embaixo”. Aí ele disse “pode ficar tranquilo com o aluguel, só tem um negócio: no apartamento tem câmeras em todos os cômodos”. Eu perguntei se ele ia desativar, ele falou “pode ficar tranquilo, que vai ser desativado”. Aí eu até esqueci e nem mexi mais na câmera para mudar a direção, ou algo assim. Na hora que foi ver, eu tô na sala assistindo televisão com a minha esposa, aí eu olho pra câmera e tá um sensor vermelho, o sensor noturno. Aí eu “essa câmera deve estar ligada, amor”. Minha mulher olhou e falou “deve estar ligada”. Eu falei “não pode ser, o Obina falou pra mim que está desligada, ele tá fazendo um Big Brother aqui então agora.” Aí eu liguei pro Obina e falei “você tá de brincadeira, você falou que desligou a câmera”. Ele falou que tava desligada e eu disse “meu, o sensor noturno tá vermelho, pô”. Aí ele disse “Niltão, é normal ficar assim”. Eu disse: “normal, é? Se eu ficar sabendo que vazou qualquer vídeo, eu vou te processar”. Ele falou “pode ficar tranquilo, é a nossa amizade que tá em jogo”. Mas se não vazou nada até hoje, então eu posso ficar tranquilo.

O período no banco com Guto Ferreira

Experiente e vencedor por onde passou, Nilton chegou ao Bahia para ser titular absoluto. Porém, sob o comando do técnico Guto Ferreira, o jogador atuou em apenas cinco jogos no espaço de seis meses.

Jogador quer estar dentro de campo. Só é lembrado quem é visto. Eu não estava sendo lembrado, muito menos visto.

O volante diz que sempre existiu uma dúvida do que ele precisava fazer para poder ser escalado. Segundo ele, não faltou vontade de atuar:

Falando sobre o Guto, tentava ter diálogo para entender no que ele precisava… Se era na parte física, técnica, se era um comprometimento de alguma coisa que ele quisesse. Ele nunca deixou claro o que fazer nesse sentido, aí acabei fazendo por conta própria.

“Por conta própria” porque ele decidiu acelerar seu processo de readaptação ao futebol brasileiro com treinos particulares, tamanha a sua vontade de demonstrar disponibilidade e jogar de forma constante:

Os torcedores questionavam o que estava acontecendo. A diretoria também vinha e conversava, falava que precisava de mim, pô, bacana. Quando o Guto saiu do Bahia, eu disse: poxa, vai começar tudo do zero. Vai entrar um técnico novo, e eu estou bem.

Com o técnico Enderson Moreira, Nilton vive outra fase agora. O volante atuou 11 vezes sob o comando do treinador e é considerado uma liderança no elenco. Apesar de líder, o jogador alterna entre os puxões de orelha e as brincadeiras. Na entrevista, ele revelou alguns apelidos do elenco tricolor:

O Douglas e o Grolli eu fico chamando de B1 e B2, as bananas de pijama, porque tem uma semelhança. Tem o Edson, que eu fico chamando “oh pedreiro, vem cá, pedreiro”, porque ele é todo bruto, aí tem essa forma legal de brincar com ele. O Gregore, eu fico chamando ele de “Vampetinha”, porque o Vampeta é meu parceiro, com quem eu tive a oportunidade de jogar, aí tem essa coincidência que ele parece com o Vampeta. Já o Vinícius não tem como, ele é o nosso grande Jotinha. Ele fica doido quando eu falo “oh, Jotinha”, aí ele fica “Jotinha não, pô, tá de brincadeira”. Aí eu falo “faz parte, pode ficar tranquilo”.

Ao fim da entrevista, Nilton mostrou sua emoção e ficou com os olhos marejados ao comentar o bom momento particular e como jogador:

É bacana você poder sentir essa forma como o grupo tem essa confiança. As coisas não acontecem por acaso, mas, sim, por esforço. Sou um guerreiro. Eu sou iluminado. Porque as coisas que já aconteceram na minha vida e tudo que passou… Deus me abençoou, me iluminou, para poder estar fazendo da melhor maneira possível o que eu tanto amo, que é jogar futebol.

 

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