26/05/2018 às 13h16min - Atualizada em 26/05/2018 às 13h16min

Jovem artista de Aragarças supera dificuldades e ganha reconhecimento internacional

Hal Wildson passou a maior parte da vida em uma casinha humilde próxima ao rio Araguaia

Júlia Marreto / Curta Mais
Araguaia Notícia
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Hal Wildson (27) foi uma criança excêntrica, customizava roupas, usava cabelos exóticos e gostava de criar. Quando pequeno sonhava ser escritor, contar histórias, transportar as pessoas para outros mundos.

Nascido e tendo passado a maior parte de sua vida em Aragarças, interior de Goiás, numa casinha humilde próxima ao rio Araguaia, teve uma vida cheia de altos e baixos. Sua família, cheia de histórias e tragédias que (na época) era possível notar através das marcas nas antigas paredes da casa.

Criado pela avó, único vínculo familiar, Hal não teve contato com seus pais situação que, provavelmente, o fez uma criança curiosa e corajosa, especialmente por buscar e entender a sua própria história.

O PROCESSO DE COLAGEM

Em 2007, pouco antes de sua avó falecer, Hal decidiu que era hora de 'reformar' algumas paredes da casa. Para isso, ele utilizou páginas de livros e, colando-as nas paredes era como se tivesse conseguido apagar todas as marcas da história que circundava sua família, quase sempre de forma trágica, começou a contar sua própria história.

As paredes viraram uma super colagem… depois de pronto decidi desenhar por cima. Essa foi a minha primeira experiência com a técnica que desenvolvo por todos esses anos.

Hal conta que a colagem é seu suporte criativo de forma que consiga experimentar diversas outras formas de fazer arte, assim, o desenho é uma libertação em meio ao processo.

Em uma metáfora da vida e meu processo artístico: a colagem é o que tenho, o que sobrou das minhas vivências, o que me cerca, as memórias, os pedaços literais de toda a trajetória. O desenho representa o que faço diante dos recortes da existência: arte. A colagem está para o conhecimento do que existe ao meu redor. O desenho está para o que faço diante do mundo e o que me inspira. Em meio a essa dualidade surge a literatura contando e inventando uma nova história.

O TRABALHO

Ao ser questionado sobre em que momento descobriu que queria trabalhar com arte, o artista responde:

No período da faculdade de Letras ( em Barra do Garças). Nessa época, junto com amigos, promovemos muitas exposições, eventos de arte e apresentações artísticas. Foi nesse tempo, há 8 anos atrás vendi minha primeira tela, foi a primeira vez que pensei que a arte poderia ser o meu ganha pão.

No último período da faculdade abandonei o curso e me mudei para Goiânia, na esperança de expandir e me emancipar na carreira artística. Foi o melhor que eu poderia ter feito, naquele mesmo ano consegui expor o meu trabalho em New York e Los Angeles, além de outras exposições coletivas aqui na cidade de Goiânia.

O TEMPO

Estudo Colagem há 10 anos, nesse tempo nem sempre conseguia vender minha obras. Na medida em que fui amadurecendo e crescendo na arte as coisas foram acontecendo naturalmente. Hoje em dia vivo da minha produção artística e, há 3 anos, tenho vivido exclusivamente do meu trabalho com arte. Sou representado por uma galeria no Nordeste (João Pessoa) e outra em São Paulo (SP).

AS OBRAS

Defino o resultado final das minhas obras como “POESIA VISUAL”. Minhas obras são resultado de um processo híbrido. Misturo poesia, desenho, colagem, fotografia, bordado, intervenções orgânicas e estou sempre querendo inventar novas formas de fazer arte. Mas, existe algo que conecta cada estilo e cada criação que é o desejo de levar as pessoas a se perguntarem “como ele faz isso” e a sensação de nunca ter visto algo parecido. A imersão do público é um dos meus objetivos como artista.

NO EXTERIOR

Neste ano, Hal Wildson foi convidado para expor em Londres (ING), em um evento que homenageia brasileiros que vivem no exterior, na Cidade do México (exposição ainda em organização) e em Xalapa (México) em uma exposição chamada "Alas para Volar", onde diversos artistas latinos expõem suas obras retratando Frida Kahlo.

FRIDA KAHLO

Uma das grandes inspirações para os trabalhos de Hal Wildson é Frida Kahlo. Ao ser questionado o artista responde:

Para mim a imagem de Frida vai muito além de sua popularidade, ela não é só “pop” ela é “rock”. É certo que a sua “cara” estampa camisetas, quadros e adesivos… Por isso ela consegue ser popular e ao mesmo tempo subversiva. Para mim Frida representa o momento político que vivemos na América latina, jovens que despertam para a própria existência e lutas pessoais. Frida é uma espécie de mãe na minha história como artista, sempre recorro a ela em momentos de indecisão, ela é um oráculo, um exemplo de que dor e arte são excelentes combustíveis para seguir em frente.

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