Já se passaram 13 dias desde que o macaco-prego apelidado de Guerreiro foi apreendido da casa do médico-cirurgião Morato Luiz Costa, em Barra do Garças (MT), e até o momento o Ibama não revelou o paradeiro do animal.
O caso, que começou com um ato de compaixão, transformou-se em uma batalha judicial marcada por dor, indignação e comoção. Há cerca de um ano e meio, Morato resgatou o filhote em situação crítica próximo à sua chácara. Com a perna amputada, infestada de larvas e pesando pouco mais de 120 gramas, o animal estava à beira da morte.
O médico, com apoio de uma colega neonatologista, realizou curativos e iniciou o tratamento que salvou a vida do pequeno macaco.
“Achei que não sobreviveria, mas tentei tudo o que pude”, relatou Morato. Batizado de Guerreiro, o macaco se tornou parte da família. Segundo o médico, a casa foi adaptada para acomodar um viveiro exclusivo para o animal, e ele dormia com a filha de Morato. “Virou nosso filho mais novo”, descreveu emocionado.
Morato buscou regularizar a situação do animal e obteve autorização provisória da Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema). Com laudos veterinários, chipagem e inspeção da residência documentadas, ele aguardava a concessão definitiva da guarda legal do macaco.
Contudo, no dia 30 de maio de 2025, agentes do Ibama apareceram sem ordem judicial e apreenderam o animal. Imagens das câmeras de segurança da casa mostram a chegada dos agentes armados, o que causou choque na família, especialmente na filha do médico. “Entraram como se fosse um cativeiro de tráfico. Metralhadora, pistola, gritaria. Levaram o Guerreiro e não disseram nem para onde. Até hoje, oficialmente, não sei onde ele está”, contou Morato.
A justificativa, segundo ele, teria sido a exposição indevida do animal em redes sociais, acusação que nega.
“Nunca postei fotos para os outros. As poucas imagens são pessoais. Nunca usei o Guerreiro para aparecer ou ganhar dinheiro.”
A falta de transparência sobre o destino de Guerreiro levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo Ibama e reacende o debate sobre intervenções ambientais em casos de resgate voluntário e vínculos afetivos com animais silvestres.
A família agora aguarda uma decisão judicial e informações oficiais sobre o paradeiro e o estado de saúde do macaco-prego que, para eles, já faz parte da história e do coração da casa.
Fonte: site Araguaia Notícia c/ informações do Primeira Página