13/10/2015 às 13h15min - Atualizada em 13/10/2015 às 13h15min

Forças de Segurança estão sendo preparadas para enfrentar assaltantes de banco

Agência da Noticia
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Agências bancárias do interior de Mato Grosso voltaram a ser alvo de bandidos fortemente armados. Revivendo o Novo Cangaço, que tinha acabado após as prisões em 2012, os assaltantes chegam fortemente armados nas pequenas cidades e agem como se não tivessem medo do policiamento.

Armados com armas de grosso calibre, na maioria das vezes com máscaras, utilizando caminhonetes e pegando reféns como escudo para a fuga, os criminosos estão cada vez mais ousados e disparam para o alto ou para a porta dos bancos, na tentativa de inibir as forças de segurança.

De acordo com o Sindicato dos Bancários, em 2014, mesmo com o Novo Cangaço fora de circulação, houve 28 crimes de roubos durante horário de expediente. Neste ano, 16 agências foram atacadas só até julho. Em 2014, no mesmo período, houve 15 roubos consumados. Dados da imprensa mostram que o município de Poconé foi um dos mais prejudicados.

Bandidos assaltaram duas agências ao mesmo tempo, e duas vezes seguidas, uma em agosto e outra em setembro. Eles chegaram em caminhonetes e moto, não retiram os capacetes e foram direto para os terminais bancários. Conforme o Sindicato dos Bancários, 12 caixas eletrônicos do Banco do Brasil e mais seis do Banco do Bradesco foram explodidos só no primeiro ataque.

“Um deles coloca os explosivos enquanto outros cuidam do local para ver se a polícia vai chegar. Rapidamente explodem os caixas, juntam o dinheiro e atiram pra cima no meio da cidade no momento da fuga”, explicou o Tenente Guilherme Gahyva, comandante da PM de Poconé.

Policiais ainda desconfiam que a quadrilha teve apoio aéreo para sair da cidade, já que o veículo da fuga foi abandonado em plena Transpantaneira. “Temos várias pistas de pouso clandestinas aqui no Pantanal. Acreditamos que eles tenham contado com essa ajuda para fugir”, afirmou o Gahyva.

O porte das armas utilizadas pelos bandidos também chamda a atenção. Na semana passada o Banco Sicredi do município de Novo Mundo foi atacado por quatro homens armados com fuzis e escopetas calibre 12. Segundo testemunhas, todos eles ainda portavam uma arma secundária, uma pistola na cintura.

O delegado Flávio Stringuetta, que comanda o Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil, acredita que os bandidos que praticaram esses crimes não fazem parte do Novo Cangaço, mas serão investigados como especialistas de crime desse porte.

“Os líderes do Novo cangaço estão presos e essa ação aqui em Mato Grosso é bastante incomum desde 2012, porém eles serão investigados. Já temos algumas pistas e vamos chegar aos criminosos em breve”, disse Stringuetta.

Naquela oportunidade, os bandidos desceram do carro e andaram pela cidade com os fuzis como se fosse algo normal. “Eles caminharam até o banco com o fuzil na mão. Atiraram na fachada do banco, atiraram no teto, renderam os clientes e foram até o caixa, onde fizeram “o limpa“ e pegaram dois reféns. Foram com eles até uma estrada vicinal e fugiram”, contou o delegado.

Para o secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Mauro Zaque, essa ação está ligada diretamente a crise que o Brasil está passando. “Com a falta de emprego os homens estão pegando armas e assaltando. A Polícia está sendo preparada para inibir esses crimes. Bandido não terá vez”, comentou o secretário.

A inteligência das polícias já conseguiu vitória sobre os bandidos. Em uma tentativa de assalto a uma agência do Sicredi na cidade de Bom Jesus do Araguaia, em maio, três assaltantes foram mortos e outro foi ferido e preso. As forças de segurança já aguardavam a chegada dos criminosos e os interceptaram.

De acordo com o capitão da Polícia Militar de Bom Jesus do Araguaia, os integrantes da quadrilha estavam munidos de quatro pistolas e uma espingarda. No caso preparado para fuga ainda foi encontrado um galão de combustível, um Gol vermelho, que provavelmente seria queimado na tentativa de dificultar as investigações.

“Tudo indica que eles praticariam o roubo, nos mesmos moldes do ‘novo cangaço’. Mas nosso trabalho impediu que isso ocorresse”, lembrou o capitão.

Para essa ação preventiva, a Polícia Militar empregou 18 policiais e seis viaturas das unidades de Água Boa, Canarana, São Félix do Araguaia, Alto da Boa Vista, Serra Nova Dourada e de Bom Jesus.

Agora a ideia é incrementar a segurança no interior do estado, para fazer frente aos bandidos e repetir o sucesso da operação em Bom Jesus. Tarefa difícil para quem pegou o Estado sucateado, mas Zaque tem lá suas estratégias para reverter esta situação. Entre elas, está o leilão de várias propriedades e materiais apreendidos do crime organizado.

O dinheiro que antes era usado para “tocar o terror“ na população agora será usado para colocar mais armas e coletes nas mãos das forças de segurança, garantindo que sejam páreo para os assaltantes. Também "estamos incrementando o número de PMs nas cidades pequenas e vamos bater de frente com a criminalidade", garante Zaque. Em Mato Grosso, bandido não terá vez. 


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