11/10/2015 às 10h01min - Atualizada em 11/10/2015 às 10h01min

Universitário acusado de exigir fotos íntimas teme sair de casa e ser agredido

Olhar Direto
Arquivo pessoal

O universitário Allan Rodrigues Silva está assustado com uma situação pela qual ele passa há mais de um ano. Vitima de perfis falsos no aplicativo Whatsapp, ele tem medo de sair de casa e ser agredido na rua: “Temo pela minha família”, disse ele. O impostor usa a foto do jovem para conseguir imagens intimas de meninas com idades entre 16 e 19 anos, que moram principalmente no interior. A região de Tangará da Serra é uma das que tem o maior número de vítimas.

Alan contou que descobriu o primeiro perfil falso durante a Copa do Mundo, ainda em junho de 2014. Na ocasião, ele foi avisado de que havia montagens com fotos dele e depois várias meninas começaram a adiciona-lo nas redes sociais, dizendo que tinham conversado com ele através do aplicativo.

Segundo a namorada de Alan, Mariana de Almeida Rodriguez, os dois se conheceram justamente por conta da história: “Nos conhecemos em dezembro, quando eu fui alertá-lo que este mesmo número entrou em contato comigo. Nós recebemos ameaça da pessoa que se passava por ele. A pessoa falou que cada foto postada minha e dele, ia fazer mais alguma vítima. Fizemos um Boletim de Ocorrência (BO)”.

Os dois relataram que as autoridades pareceram não dar seriedade no caso: “Ficamos sabendo que não tem uma delegacia especializada neste tipo de crime aqui, Por isso, a investigação é muito difícil. Temos cinco números diferentes do golpista até agora (que não serão divulgados para preservar as investigações)”, disse a namorada.

A cidade de Tangará da Serra é de onde o casal mais recebe contato de vítimas: “Algumas meninas são agressivas e não acreditam quando tentamos explicar o que está acontecendo. Poucas pessoas colaboram. A última vítima era de Nova Mutum, ela acabou mandando fotos intimas para o golpista, depois descobriu, mas ele resolveu divulgar as fotos para todos os contatos da cidade”, relata Mariana.

A mulher, que ficou em depressão, quase perdeu a guarda do filho pequeno, ficou desempregada e teve de mudar da cidade, segundo o casal. Geralmente, ele procura meninas com idades entre 16 e 19 anos: “Se as meninas falam que estão sozinhas em casa, ele diz que vai até lá, tudo isso para aterrorizá-las”, disse a universitária.

O casal foi orientado pelos advogados para não ir a algumas das cidades onde os casos são corriqueiros, por precaução. “O complicado é ter que quase todo dia dar explicações para meninas que vem me adicionar, dizendo que não sou eu. Não só para elas, mas também para os pais de algumas que me questionaram o que estava acontecendo. Minha imagem foi denegrida, é uma exposição pública. O cara se passa por mim, faz coisas que não condizem comigo”.

Alan ainda acrescenta que teme pela segurança da família: “Eu fico com medo de sair de casa e sofrer alguma represália por algo que eu não fiz, de alguém me agredir. Tenho medo que façam algo contra mim ou minha família. O pior é isto, ter essa preocupação ao sair de casa de ter alguém nos seguindo, ou algo do tipo”.

O universitário já conversou com advogados que estão dando prosseguimento no caso. A assessoria de imprensa da Polícia Judiciária Civil (PJC), informou que não existe uma delegacia própria para estes casos, apenas a Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (GCAT) que auxilia nos casos. A vítima já pediu a quebra de sigilo telefônico dos perfis falso, porém, o processo é demorado.
 


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