10/03/2012 às 18h17min - Atualizada em 10/03/2012 às 18h17min

Médico e donos de farmácia são presos em operação da Polícia Federal

Olhar Direto
Polícia Federal

Um médico e sete donos de farmácia foram presos sexta-feira (9) na operação denominada Pró-Vita, desencadeada pela Polícia Federal para desmantelar um esquema de comercialização de medicamentos proibidos em Barra do Garças e a prática de abortos inclusive em hospital público com procedimento pago pelo SUS como curetagem.

A investigação teve início no ano passado com interceptações telefônicas autorizadas dos investigados pelo Poder Judiciário. O delegado Edivaldo Waldemar informou que foi decretada a prisão temporária por cinco dias do médico Orlando Alves Teixeira, acusado da prática de abortos. “Após recebermos a denúncia passamos a monitorar os investigados com gravações", ressaltou.

Já o médico Paulo Raye, que chegou a ser ouvido na Polícia Federal, porém segundo o delegado não há indício de participação dele nesse delito e que ele prestou informações porque era diretor-técnico do hospital na época da denúncia.

Os promotores Marcos Brant e Hudson, participaram da coletiva da Polícia Federal. Eles acompanharam a operação. A investigação teve início com o Ministério Público, após receber denúncia do ex-diretor do Pronto Socorro, ex-vereador Messias Dantas.

“Há indícios de que medicamentos proibidos eram utilizados também na prática do aborto”, frisou o promotor Hudson, que acrescentou que foram encontrados comprimidos do Cytotec, utilizado como abortivo, na clinica do médico Orlando.

O promotor Marcos Brant explicou que alguns abortos teriam ocorrido no Pronto Socorro. No entanto, não houve essa prática no hospital de Aragarças que foi visitado pela Polícia Federal durante a detenção do médico investigado.

Os policiais federais apreenderam 187 comprimidos de Cytotec, quantidade suficiente para a realização de ao menos 50 abortos; 260 comprimidos de Sibutramina; 56 comprimidos de Desobese-M; 60 comprimidos de Xanax, 40 comprimidos de Rheumazin Forte e 50 comprimidos de Pramil.

O médico Paulo Raye deu entrevista ao Olhar Direto onde negou a prática de aborto e destacou que no período que lá trabalhou nunca ficou sabendo desta situação no Pronto Socorro. "Eu trabalhei dois anos lá eu nunca fiquei vi isso lá", frisou.

Paulo Raye, que já foi prefeito de Barra do Garças e foi cassado do cargo, disse que essa denúncia partiu do ex-diretor Messias, que foi mandado embora, e ficou contrariado com administração. "O Messias passou 'atirar' contra todo mundo e muitas das vezes sem prova", destacou Raye.

Paulo Raye chegou a citar o caso sobre um frasco de gel que sumiu no hospital e Messias teria atribuido a médico Orlando. "Eu cheguei a falar no telefone com Orlando sobre esse assunto e essa gravação apareceu na PF", destacou.

O médico Orlando está recolhido na sede da Polícia Federal onde prestou depoimento. Orlando mora a 12 anos em Barra do Garças e veio de Goiania onde ficou conhecido por ser o proprietário da clinica de onde sumiu a capsula do Césio 137, em 1987, que apareceu num lixão e foi aberta causando o maior acidente radioativo do país.  


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