Como um menino da roça se tornou general, posto máximo do Exército Brasileiro

Por

Como um menino da roça se tornou general, posto máximo do Exército Brasileiro
Olhar Direto

“Sou filho de sitiante, morava na roça, a uns cinco quilômetros da área urbana de Sabino [SP]. Mas não sei de onde veio a vontade de ser militar. Fiz o primário e o ginásio em minha cidade natal. Mas o científico [segundo grau] era impensável, naquela época. Resolvi fazer em Lins. Eram cinco quilômetros a cavalo ou a pé até Sabino e outros 50 quilômetros até Lins, todas as noites. Voltava às 23h30 ou mais. Às 5 horas estava de pé, para ajudar meus irmãos na roça. Foi assim até concluir o colegial”.

O relato do general da reserva Alaor Navarro Moraes, do Exército Brasileiro, não dava à época sequer sinais de que o menino da roça pudesse ser aprovado no vestibular mais concorrido da época: Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), que abrigava a nata dos estudantes das Forças Armadas. Em 1965, ele concorreu com mais de 156 mil brasileiros a uma das 340 cadeiras então disponíveis na Aman. Era o vestibular mais concorrido do Brasil: 458 candidatos por vaga.

“Se eu começasse a agradecer a Jesus Cristo hoje, até o final da minha vida, eu não iria conseguir agradecer tudo que Ele fez”, argumentou o militar, em vista à Redação do Olhar Direto. Ele que foi comandante do 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC), em Porto Velho (RO), e justamente por isso ele participou ativamente da construção da BR-364, que liga Cuiabá até Rio Branco (AC), passando pela Capital de Rondônia.

Nascido em uma família humilde e o sétimo de uma prole de 10 irmãos, passou apuros para estudar em Sabino, ao mesmo, trabalhar na roça – naquele tempo, aos seis ou sete anos os meninos já ajudavam no plantio, colheita e curral. Porém, conseguiu vencer e hoje sua superação é reconhecida por parentes e amigos.

Quando o sonho de ser um militar se tornou realidade, a alegria chegou ao coração humilde de Alaor Navarro e, após dois anos na Aman, escolheu a área de Engenharia. “No Exército, a Engenharia serve para construir e destruir. Em tempos de paz, muito mais para construção”, lembrou ele.

“A minha herança é o que meus pais passaram para mim. Eu olho meus pais e vejo exemplo de honestidade e caráter, isto representa muito para mim!”, ponderou Navarro Moraes.

Hoje, na reserva remunerada do Exército, Alaor Moraes possui condições de dar consultoria sobre construção de estradas, na Amazônia Legal, a muitos que se imaginam mestres, no assunto. No comando do 5º BEC, desbravou trechos da BR-364 considerados praticamente intransponíveis. “Muitos homens perderam suas vidas, nessa tarefa”, citou ele. Sua foto está na galeria dos ex-comandantes do 5º BEC, em Porto Velho, que deixou em 1997.

Durante a sua estada, em Cuiabá, visitou parentes e decidiu conhecer o Pantanal de Mato Grosso. 


FONTE: Olhar Direto
Entre no grupo do Araguaia Notícia no WhatsApp e receba notícias em tempo real  CLIQUE AQUI
Notícias Relacionadas »