17/02/2012 às 13h10min - Atualizada em 17/02/2012 às 13h10min

Caciques crêem em feitiço e pedem pajelança contra onda de suicídios

Olhar Direto
Terra

Os índios na divisa de Mato Grosso e Tocantins atribuem a onda de suicídios nas tribos da região da Ilha do Bananal a um possível feitiço e pediram ajuda das autoridades para contratar uma pajelança - quando um líder espiritual dos próprios índios trabalha com a cura através das ervas e rituais. Os índios pediram dinheiro para contratar o serviço de pajelança e trabalhar nas aldeias que têm tido um número grande de suicídios.

Esse foi o principal pedido dos caciques aos representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) que vieram de Brasília na terça-feira (14) participar de uma audiência sobre o assunto, em São Felix do Araguaia, a 1.125 km de Cuiabá, que contou ainda com a participação dos prefeitos da região.

O índice de suicídios entre os índios aumentou consideravelmente nos últimos meses com problemas de depressão, segundo os médicos, causados pela ingestão de bebida alcoólica e até mesmo drogas. Hoje, infelizmente, é comum ver índios cada vez mais bebendo na cidade e até mesmo comprando bebida para levar para as aldeias.

Todavia, as lideranças indígenas atribuem esse problema a uma maldição que estaria escravizando o povo indígena da região e, para quebrar esse feitiço, seria necessário um trabalho de pajelança maior em todas as aldeias.

Os prefeitos e representantes da Funai acham que o problema é sério, porém evitaram polemizar a questão levantada pelos índios e informaram que vão estudar uma solução para o problema.

Em São Felix, é comum ver índios bebendo pela cidade conforme informou o delegado Williney Santana, que relembrou que os próprios índios pressionaram durante uma audiência há dois anos sobre igualdade com os brancos.


Índios chegam a cheirar gasolina na falta de drogas

Dia 26 de janeiro, um índio se enforcou na aldeia Macaúba, em Santa Terezinha. Um dia antes, outro tentara se matar na aldeia Isabel do Morro (Hawaló), dos índios Iny Karajá, a 4 km de São Félix do Araguaia, na Ilha do Bananal.

Foram quatro suicídios só nesse início de ano. Os próprios índios informam que é comum entre eles adolescentes usando drogas e até mesmo cheirando gasolina com creme dental, gasolina pura e usando maconha e cocaína.

A situação é tão preocupante que crianças indígenas já foram vistas cheirando gasolina. Já houve pessoas queimadas, eles ficam bebendo koran (pinga) e cheirando gasolina. Quando não encontram a cachaça, bebem gasolina e álcool. 


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