09/07/2015 às 18h47min - Atualizada em 09/07/2015 às 18h47min

Dono de 2 aviões, empresário é preso suspeito de liderar esquema de tráfico em MT

G1 MT
Assessoria / PF

O empresário Ricardo Cosme Silva Santos foi preso nesta quarta-feira (8) em sua residência em Cuiabá como suspeito de liderar a quadrilha de narcotráfico internacional investigada na operação Hybris, da Polícia Federal (PF). Além dele, havia mandados judiciais de prisão para outras 39 pessoas em Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins e Ceará. Também foram cumpridos pelos agentes federais mandados de busca e apreensão que resultaram em cerca de R$ 50 milhões em bens apreendidos – entre eles, duas aeronaves do empresário. O advogado de defesa dele preferiu não se manifestar sobre a operação.

Além das aeronaves estacionadas no hangar do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande (município da região metropolitana de Cuiabá), dentre os bens apreendidos da quadrilha estão imóveis rurais, residenciais e comerciais, aproximadamente 2,5 mil cabeças de gado, jóias, relógios, automóveis, dinheiro em espécie encontrados na casa do empresário apontado como o chefe do esquema.

Oriundo de Pontes e Lacerda (cidade a 483 km de Cuiabá), o empresário reside em um condomínio de alto padrão na capital mato-grossense, onde foi preso pelos agentes da PF na manhã desta quarta-feira.

Quadrilha

Os bens encontrados pela PF seriam resultado de uma movimentação intensa de droga comprada na Bolívia e remetida para outros estados do Brasil ou para o exterior. A PF estima que a quadrilha transportava cerca de três toneladas de entorpecentes por mês, movimentando cerca de R$ 30 milhões mensais.

“Este é um grupo de peso. Não é de traficantezinho de bairro”, classificou o superintendente regional da PF, Marcos Antônio de Farias, sobre a quadrilha alvo da operação, estabelecida na região das cidades de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Cáceres.

Segundo a PF, o grupo é hierarquizado, organizado e conseguiu desenvolver ao longo dos anos esquemas de logística variados, por ar e por terra, para transportar a droga da Bolívia para cinco fazendas na faixa de fronteira e, de lá, para destinos nas regiões sudeste e norte do país ou no exterior.

Já o delegado regional de combate ao crime organizado, Marco Aurélio Faveri, enfatizou que o suposto líder Ricardo Cosme Silva Santos se dedicou nos últimos anos como um verdadeiro “empreendedor” no narcotráfico, galgando postos dentro do esquema rapidamente a partir de sua atuação em Pontes e Lacerda. Faveri lembrou que, até 2007, o salário registrado na carteira de trabalho do suposto líder da quadrilha era de R$ 390,00 (à época, ele trabalhava como balconista na cidade).

Como líder do esquema, segundo a PF, o empresário vinha mantendo o hábito de viajar apenas de avião. Por terra, só transita a bordo de veículos blindados.

A reportagem entrou em contato com o advogado Gustavo Guilherme Costa Salazar, que defende o empresário Ricardo Cosme Silva Santos, mas ele preferiu não se pronunciar sobre a prisão do cliente e sobre a operação da PF.

'Superman'
Segundo a PF, várias ações policiais ao longo dos últimos anos levaram a PF a entender que havia uma quadrilha arrojada em operação na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia.

Uma dessas ações foi da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em 2013, quando agentes interceptaram uma caminhonete em Várzea Grande com um pneu recheado de aproximadamente US$ 1,9 milhões. O dinheiro seria usado em transação da quadrilha para a obtenção de droga na Bolívia, segundo apurou a PF.

E, desde 2013, o conjunto de apreensões totalizando quatro toneladas de cocaína (quantidade avaliada em mais de R$ 80 milhões) também chamou atenção da PF, bem como a utilização, em boa parte dos tabletes, de uma estampa do personagem de quadrinhos “Superman”, compondo uma “marca”. Conforme as investigações, a palavra "Pancadão" estampada ao lado da figura do personagem diz respeito ao apelido do líder da organização.

Segundo Faveri, a utilização deste artifício é uma ação puramente mercadológica: atribuir qualidade ao produto e “fidelizar” o consumidor, nas palavras do delegado. Ainda segundo o delegado, a utilização do personagem Superman como marca para tabletes de cocaína não é exclusividade desta quadrilha em particular.

Uma etapa ainda em andamento das investigações diz respeito ao o funcionamento da lavagem de dinheiro praticada pela quadrilha.

De acordo com a PF, o empresário apontado como líder do esquema chegou a abrir duas empresas (sendo uma em nome de uma terceira pessoa) a fim de escamotear a origem do dinheiro.

Uma das empresas seria uma locadora de veículos e máquinas pesadas que teria celebrado contrato com a prefeitura do município de Pontes e Lacerda, fornecendo serviços a preços abaixo dos de mercado para conseguir "lavar" o dinheiro obtido mediante crimes. Este caso ainda está sob apuração.


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