Pastoral da Terra cita preocupação com conflitos agrários
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A comissão da Pastoral da Terra em Mato Grosso comentou ontem o resultado de um levantamento feito pela instituição, que é ligada a Igreja Católica, e que mostrou que ao menos cinco pessoas morreram ano passado no estado, devido a conflitos no campo.
As situações mais preocupantes, segundo a pastoral, estão nos municípios de Santa Terezinha, Nova Guarita e Nossa Senhora do Livramento. O Agência da Notícia chegou a ter acesso a um vídeo gravado por posseiros que mostra a discussão de um deles com um policial militar do estado do Pará, acusado de agir com violência para tentar retirar as famílias a força, de uma determinada área do interior de Santa Terezinha.
Em Nova Guarita, um fazendeiro disputa a posse de uma propriedade com um grupo de invasores, o clima é tenso no município, algumas pessoas dizem ser ameaçadas. "Meu moleque mesmo ficou um mês sem ir à escola, porque quando ele via o carro do homem passando na estrada, ela já corria e falava 'mãe, esconde que já vem o fazendeiro, lá'", contou uma das mulheres que disse estar sofrendo ameaças. Ela pediu para não ser identificada.
Já em Nossa Senhora do Livramento a briga é entre fazendeiros, um deles médico e o outro conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O médico acusa o conselheiro de usar o cargo para conseguir benefícios, como utilizar de uma estrada de sua propriedade para chegar até a sede da fazenda dele.
Em Confresa a realidade não é diferente. Ano passado diversas famílias invadiram uma área, que pertence a uma associação e fica em frente ao cemitério municipal. Na justiça os donos conseguiram o direito de reintegração, que foi cumprido de forma pacifica.
O mesmo ocorreu no bairro Jardim do Edem, mas desta vez foram necessárias várias notificações do oficial de justiça, para que as famílias que invadiram uma área do bairro, alegando que as terras pertenciam ao Incra, saíssem do local.
A Polícia Militar ajudou na desocupação, no lugar já haviam sido levantadas casas de alvenaria, que foram destruídas pelo proprietário. Os invasores saíram e voltaram para o local no mínimo três vezes, até a polícia prender os líderes do grupo pelo crime de desobediência.
Segundo a pastoral as políticas agrárias precisam ser revistas, para evitar que novas mortes, como as que ocorreram ano passado, possam ser evitadas.