A decisão do Juiz de Garantias de colocar em liberdade um homem preso com mais de 8 quilos de drogas causou forte polêmica e indignação em Barra do Garças, no leste de Mato Grosso. O suspeito, Felipe Taykon Oão de Andrade, de 30 anos, foi detido em flagrante pela Polícia Militar durante uma abordagem a um ônibus interestadual na BR-070, em General Carneiro-MT, mas acabou solto - um dia depois - após audiência de custódia. Desde então, ele está desaparecido.
A prisão ocorreu na manhã de quinta-feira, dia 15/1, quando equipes da Força Tática abordaram um ônibus que vinha do Mato Grosso do Sul com destino a Barra do Garças. Informações prévias indicavam que um passageiro estaria transportando entorpecentes. Durante a fiscalização, Felipe foi flagrado com uma mala contendo drogas.
Na bagagem, os policiais encontraram 11 pacotes de skunk, somando cerca de 6 quilos, além de dois tabletes de pasta base de cocaína, com aproximadamente 2,2 quilos. Ao todo, foram 8,2 quilos de entorpecentes apreendidos, além de um aparelho celular. O suspeito recebeu voz de prisão em flagrante e foi encaminhado à delegacia.
No entanto, no dia seguinte à prisão, 16 de janeiro, Felipe foi colocado em liberdade após audiência de custódia, por decisão do Juiz de Garantias – Núcleo 4.0, sem arbitramento de fiança.
A decisão judicial considerou que, embora houvesse informações iniciais sobre possíveis passagens do suspeito por crimes como latrocínio, ameaça, furto qualificado e desacato, tais registros não teriam sido oficialmente confirmados nos sistemas da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso nem no relatório de antecedentes criminais do Tribunal de Justiça. Com isso, o magistrado concedeu a liberdade provisória, com base no artigo 321 do Código de Processo Penal.
A soltura causou revolta entre moradores e profissionais da segurança pública, principalmente pela quantidade significativa de droga apreendida e pelo fato de o suspeito ter sido flagrado em situação de tráfico. A situação se agravou ainda mais quando, após deixar a delegacia de Barra do Garças por volta das 20 horas da sexta-feira, Felipe não voltou a dar notícias.
Desesperada, a mãe do suspeito, Andreia Cristina Oão, procurou o site Araguaia Notícia para pedir ajuda da população na tentativa de localizar o filho. Segundo ela, o silêncio repentino causa medo e apreensão. A família teme que algo grave possa ter acontecido, sobretudo pelo fato de Felipe ter “perdido a droga”, como se diz na gíria policial, ou seja, ter tido o entorpecente apreendido, o que poderia colocá-lo em risco com alguma facção criminosa.
O caso também repercutiu na imprensa regional. Durante o programa “Fato no Ato”, o apresentador Octávio Wilquer manifestou indignação com a decisão judicial e questionou os reflexos da soltura para a segurança pública.
“É uma quantidade expressiva de droga. A polícia faz seu trabalho, prende, apreende o entorpecente, e poucas horas depois o suspeito está novamente nas ruas. A população fica se perguntando até que ponto isso protege a sociedade e se realmente podemos confiar na Justiça”, afirmou o jornalista.
Enquanto a família busca respostas e a população cobra explicações, o desaparecimento de Felipe Taykon adiciona ainda mais tensão a um caso que já divide opiniões e reacende o debate sobre a eficácia das audiências de custódia e o combate ao tráfico de drogas na região do Vale do Araguaia.