O prefeito de Barra do Garças, Adilson Gonçalves de Macedo (UB), determinou a exoneração dos dois servidores da prefeitura que foram alvos da operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (16). A dupla é acusada de fraudes em licitações públicas. Foi constatado o superfaturamento de até 372,09% em diversos itens licitados, tais como palcos, sistemas de iluminação, geradores, telões de LED e estruturas para eventos foi constatado.
A dupla tinha o auxílio de outras cinco pessoas que foram pessoas no decorrer da operação. Todos foram identificados. Por meio de nota, a prefeitura informou que está adotando as medidas cabíveis com relação aos servidores.
O servidor comissionado também foi exonerado.
Segundo a Polícia Civil, o esquema apresenta indícios de superfaturamento, direcionamento de certames, uso de empresas de fachada, associação criminosa e corrupção, envolvendo empresários, funcionários de empresas e servidores públicos.
Durante a operação, também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático. A Justiça determinou ainda a suspensão das atividades econômicas de duas empresas e o sequestro de valores superiores a R$ 4,2 milhões.
As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e estão sendo cumpridas no município, além das cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia.
Em nota, a Prefeitura de Barra do Garças informou que a gestão municipal está adotando as medidas cabíveis, tanto em relação à empresa quanto a eventuais servidores que possam ter ligação com os atos investigados, assegurando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.
As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e tiveram início em janeiro de 2025. Inicialmente, o objetivo era apurar um esquema de fraudes em licitações no município de Pontal do Araguaia, após informações levantadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo a polícia, o esquema operava por meio de empresas do setor de produção de eventos e shows, utilizadas para fraudar processos licitatórios que resultaram na criação de Atas de Registro de Preços.
Essas atas eram usadas de forma reiterada por diversos municípios, por meio de adesões conhecidas como “caronas”, com valores elevados e indícios de direcionamento e simulação de concorrência.
Apenas nos três pregões investigados em Pontal do Araguaia, os valores globais chegaram a aproximadamente R$ 25,8 milhões. Conforme a legislação, as adesões poderiam alcançar, em tese, até R$ 51,7 milhões, considerando o limite máximo de 200%.
Ainda conforme a polícia, ficou constatado que o mesmo padrão fraudulento teria sido replicado em outros municípios da região, por meio de adesões a atas originadas em Pontal do Araguaia