A cada ano que passa a energia solar em Barra do Garças se populariza cada vez mais. Seja pelo aumento do calor excessivo, seja pela popularização das placas de energia solar. De acordo com o site Clima Date, foi estimado que a duração total anual da luz solar em Barra do Garças é de aproximadamente 3453.41 horas. Isto traduz-se num valor médio mensal de cerca de 287.78 horas para cada mês. Esses valores de luz solar por ano equivalem aproximadamente a 144 dias com luz solar em Barra do Garças.
O morador do bairro São José em Barra do Garças, o pedreiro aposentado Sinésio Rodrigues Parreira, investiu R$23.500,00 em 15 placas solares. O valor da conta de energia antes da mudança para o sistema de energia fotovoltaica variava entre R$380,00 a R$600,00. Atualmente, ele paga somente a taxa mínima, que varia de R$60,00 a R$100,00. O sistema de energia solar é utilizado em duas casas do aposentado. “Eu pago e estou satisfeito com o investimento, a conta baixou bastante. Queria dizer também que a instalação de placas solares é um bom investimento, a gente vê a economia”, explicou Sinésio Rodrigues.
Placas fotovoltaicas instalados na casa de Sinésio Rodrigues Parreira, no Bairro São José, em Barra do Garças.
O técnico responsável da empresa Projjetus Solar de Barra do Garças, Garcês Alves Valim, que atua na área de energia solar há mais de 6 anos e com experiência com energia elétrica há mais de 35 anos, explicou que a procura na região do Araguaia é bastante grande. “Temos sistemas instalados em Barra do Garças, Pontal do Araguaia, Nova Xavantina, Novo São Joaquim, Campinápolis e Água Boa”.
A implantação de energia solar tem tendência a aumentar devido a dois fatores, o alto custo da energia convencional e a independência que a energia solar proporciona aos consumidores. Os trabalhos realizados pela empresa de Garcês dependem do fluxo de procura nas cidades citadas. “Depende do fluxo, mas a média é de 50 atendimentos por mês", relatou. Outro ponto importante é a duração do sistema. Garcês explica que o sistema é duradouro. “O sistema é totalmente viável, devido ao tempo de vida útil do sistema, que com base no histórico europeu é de 25 anos ou mais com uma baixa queda de rendimento do sistema”.
O professor do curso de Engenharia da UFMT campus Cuiabá, Antônio Eduardo Ceolin Momesso, explica como acontece a instalação de um sistema de energia solar em uma residência ou em um ponto comercial, “O processo inicia-se com a compreensão das necessidades do cliente.
Em seguida, realiza-se uma análise detalhada do local de instalação, incluindo a orientação e a inclinação das placas, bem como outros fatores que possam comprometer a incidência solar. Com base nesses dados e visando atender à demanda de geração de energia projetada, define-se o número de módulos, a potência do inversor e a estrutura de fixação dos equipamentos.
Esse conjunto de informações, juntamente com outros documentos requeridos, é então encaminhado à distribuidora, que avaliará o projeto e, conforme a capacidade da rede, autorizará a instalação do sistema fotovoltaico. Após obter a autorização da concessionária, dá-se início à execução do projeto e, ao término, solicita-se uma vistoria final. Estando tudo em conformidade, o sistema fotovoltaico é colocado em operação” explicou o engenheiro.
A construção em si de uma usina fotovoltaica depende de alguns fatores e existe toda uma sequência. “A construção de um sistema fotovoltaico envolve o uso de módulos solares, cabos de corrente contínua, inversores solares, cabos de corrente alternada e dispositivos de proteção, como disjuntores e (DPS) dispositivos de proteção contra surtos. Conforme o porte do sistema, podem ser empregados equipamentos adicionais como transformadores e trackers (dispositivo que muda a posição das placas solares durante o dia) para otimização”, descreveu Momesso.
A energia solar é de suma importância para os dias atuais. Como citou Garcês e Sinésio Rodrigues, o engenheiro da UFMT vai de encontro com o pensamento dos dois.“O benefício que mais atrai os consumidores é a expressiva redução das contas de energia. Embora seja necessário pagar uma taxa de disponibilidade à concessionária, esse valor é mínimo quando comparado ao custo que seria cobrado pela energia convencional. Outro ponto positivo da energia solar é sua baixa necessidade de manutenção”, comentou.
A energia solar se enquadra como uma energia renovável. Momesso comentou que, do ponto de vista ambiental, a energia solar, assim como a eólica, enquadra-se no grupo de fontes renováveis, contribuindo para a redução de poluentes e da emissão de carbono. Por utilizar uma fonte abundante e renovável, a energia solar causa baixo impacto ambiental e pode ser instalada em áreas já ocupadas por construções, minimizando interferências na natureza”, ressaltou. No Brasil, atualmente, está em vigor a bandeira vermelha nível 2 (A mais alta, adiciona um custo de R$ 7,877 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, impactando diretamente o valor final da conta de luz)
A UFMT possui unidades de geração de energia solar no Campus Araguaia, Sinop e Cuiabá
De acordo com reportagem do Notícias UFMT, até o ano passado, a universidade instalou 420 kWp (quilowatt/picos) no campus Barra do Garças e Pontal do Araguaia. No campus de Cuiabá desde 2021 foram instalados 1792,56 kWp e no campus de Sinop as instalações de 510 kWp iniciaram no mês de fevereiro de 2023. Os valores gastos nos campus Araguaia foram de R$1.406.874,85, Sinop foram R$1.951.720,33 e em Cuiabá R$6.516.580,11, ao todo o investimento é de R$9.875.175,29. Com essas instalações, a universidade visa economizar R$2.500.000 na conta de energia.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o estado de Mato Grosso em 2023 foi o 6º maior estado produtor de energia do Brasil com 1.259.448 quilowatts, gerados. Em relação ao Centro-Oeste o estado é o primeiro. De acordo com a Aneel, todos os municípios do estado possuem unidades geradoras de energia solar. Os municípios com mais geração desse tipo de energia são, Cuiabá, com mais de 198 kW, Rondonópolis, com 75.181 kW, e Sinop, com 71.883 quilowatts, esses dados são de 2023.