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10/07/2024 às 15h45min - Atualizada em 10/07/2024 às 15h45min

Neri se diz 'traído' e revela que foi exonerado por decisão de Fávaro

Folhamax
Araguaia Notícia
O ex-secretário de Política Agrícola, Neri Geller, garantiu que não retornará ao cargo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento enquanto a pasta estiver sob o comando do ministro Carlos Fávaro. Ele admitiu que houve 'trapalhadas' no polêmico bilionário leilão do arroz, mas que não foi ele o culpado.

O ex-deputado federal reiterou ainda que não saiu "fritado" do Governo, mas sim com moral devido aos serviços prestados ao país e negou que teria tentado assumir o lugar de Fávaro. Geller teve sua demissão assinada e oficializada em junho deste ano após o 'escândalo do arroz', a anulação do leilão de arroz, que visava conter uma eventual alta de preços ou desabastecimento do alimento.

O Governo Federal promoveu a compra de 263 mil toneladas do alimento em um leilão promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Não volto em nenhuma hipótese, com todo respeito. Quero que o Fávaro, que eu conheço há 30 anos, faça um bom trabalho. Mas comigo ele não conta mais. No Ministério da Agricultura, enquanto estiver sob o comando do ministro Fávaro, eu não volto. Não me vejo como alguém que saiu fritado. Sai de cabeça erguida, mas acho que houve injustiça. Sai do Governo com moral e com serviço prestado pelo país. Sai dando explicações sobre o que tinha que ser dado. Houve trapalhada do Governo e essa trapalhada não foi no Neri", garantiu em entrevista à Rádio Jovem Pan Cuiabá, nesta quarta-feira (10).

Neri lembrou ainda que foi ele quem projetou o atual comandante do Mapa ao cenário político o colocando na vice-presidência da Aprosoja (Associação Matogrossense dos Produtores de Soja) e, em seguida, o colocando como coordenador político em Lucas do Rio Verde. Neri ainda lembrou que filiou Fávaro no Partido Progressistas e o 'emplacou' como vice-governador de Mato Grosso em 2014 com Pedro Taques.

Neri ainda apontou que Fávaro cometeu falhas na condução do leilão bilionário. "Tudo foi eu, mas mesmo assim eu ainda tenho consideração com ele pela nossa história, mas não foi justo e disso eu não abro mão. Ele cometeu erros e deveria ter feito as coisas conforme a equipe técnica. E ele sabe muito bem que eu não queria ocupar o espaço dele, como ajudei outros três ministros e nunca atropelei ninguém, respeito hierarquias", disparou.  

O ex-secretário voltou a negar que tenha cometido qualquer ilegalidade no processo de compra do alimento, bem como a participação de seu filho, o empresário Marcelo Geller. Lembrou, ainda, que assim que o episódio estourou na imprensa e se tornou o "escândalo do arroz", ele se colocou à disposição do ministro Carlos Fávaro para prestar esclarecimentos. "A decisão de me tirar foi do Fávaro e não sai atirando em ninguém. O Fávaro não agiu de má-fé, mas ele não agiu correto comigo. Como parceiro dele, como secretário de Política Agrícola, quem tem serviço prestado, quem não se omitiu e chamou a responsabilidade. Eu falei pro Fávaro: vamos conversar, eu assumo a responsabilidade, sei que não tem uma vírgula de erro", relembrou.

Por fim, Neri afirmou que deu informações técnicas da produção ao ministro e ressaltou que defendia o leilão  de apenas 100 mil toneladas de arroz e não de mais de 260 mil. "Não tem nada de ilegal. Se tivesse problema, eu mesmo pediria para me afastar. Mas esse leilão não tem vínculo com a secretaria de Política Agrícola. Foi ele que conduziu o processo, depois o recurso não era nosso. Não fui covarde, enfrentei o assunto com altivez e cuidado, pois sabia da responsabilidade", afirmou Geller.

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