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04/02/2024 às 14h12min - Atualizada em 04/02/2024 às 14h12min

Conheça a primeira árbitra de MT a integrar os quadros da Fifa

Nascida em Terra Nova do Norte, Fernanda Kruger pode atuar em jogos internacionais

Mídia News
Araguaia Noticia
A mato-grossense Fernanda Kruger, nova árbitra assistente do quadro da FIFA
Entre os cinco novos integrantes brasileiros que vão ingressar no quadro de arbitragem da Fifa em 2024, está árbitra assistente mato-grossense Fernanda Kruger, de 32 anos. Natural de Terra Nova do Norte (630 km de Cuiabá), ela é a primeira mulher do Estado a conseguir tal feito, tendo a chance de atuar em partidas internacionais.

Conhecido pelo nome de “bandeirinha”, o árbitro assistente tem o objetivo de auxiliar o árbitro central observando uma infração de impedimento ou a saída da bola pelas linhas laterais e de fundos. 

Fernanda já era árbitra assistente da FMF (Federação Mato Grossense de Futebol) e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) antes de ser indicada à Fifa, já tendo atuado no Campeonato Mato-Grossense, na Copa do Brasil e na série A do Brasileirão. Em 2022, ela se tornou a primeira mato-grossense a ser escalada para um jogo da elite do futebol nacional.

Fernanda iniciou sua carreira na arbitragem em 2015, e em 2017 passou a fazer parte do quadro da CBF. De lá pra cá ela só se destacou, o que culminou na indicação para o quadro da entidade máxima do futebol mundial.

“Entrei para o curso de arbitragem em 2014, me formei em 2015 e comecei a atuar em abril daquele mesmo ano em um campeonato sub-19. Dali pra frente fui só subindo”, orgulha-se.

A mato-grossense conta que sua paixão pelo futebol veio desde pequena, acompanhando o pai e o irmão, que jogavam. Depois, ela mesma começou a treinar futsal. Formada em Educação Física, Fernanda conta que nunca havia pensado e seguir carreira na arbitragem, mas acabou vendo como uma opção viável após ter se afastado do futsal.

“Durante a graduação, fiz um curso de arbitragem de final de semana, mas a priori não me interessei e não curti muito a ideia de ser árbitra, até porque eu ainda era jogadora. Aí, por incentivo de amigos e professores, acabei indo para a área da arbitragem. Nunca havia olhado para a arbitragem com esses olhos, tipo, 'ah é uma profissão que eu quero'”, diz.

Muitas pessoas perguntam quando ela vai se tornar árbitra. Após o curso de formação que dura sete meses, cada um escolhe a função em que melhor se encaixa, e a educadora física decidiu por ficar na função de árbitra assistente, que, ela reforça, também é um árbitro.

A equipe de arbitragem funciona como um time e cada um desempenha sua função em campo para que o jogo aconteça dentro das regras. Para Fernanda, o árbitro fez uma excelente partida quando ele não foi visto.

Na profissão que agora escolheu seguir, Fernanda pode ser considerada uma sobrevivente. Isso porque, além de eventuais dificuldades de todas as profissões, ela ainda é a única mulher entre os mais de 60 árbitros do quadro da FMF.

“Quando entrei para a Federação, nós éramos em seis. Hoje em dia só sobrou eu”, lamenta.

Outro ponto que dificulta é o alto preparo e condicionamento físico exigido delas, que nas seleções para as vagas passam pelo mesmo teste dos homens. Apesar de tudo, ela afirma que as mulheres estão ganhando cada vez mais conquistando seu espaço.

“[O cenário] Tem mudado bastante. A Comissão Nacional fomenta muito a arbitragem feminina, pois tem feito cursos e aprimoramentos. Você pode ver que também nas escalas, o máximo que eles podem colocar de mulheres, eles colocam”, explica. “No Brasil nós somos, se eu não me engano, em 300 mulheres”.

O futebol ainda é visto como um meio diversas vezes machista e misógino, e Fernanda já sofreu isso na pele. Ela conta que já foi ofendida por jogadores, comissão técnica e, principalmente, pela arquibancada.

“Ainda acontece muito, por mais que dentro do campo hoje os jogadores e a comissão técnica já entenderam o lugar da mulher, a competência, já entenderam que a mulher pode estar ali sim para trabalhar. Mas o que eu mais vejo de preconceito é vindo da arquibancada, dos torcedores gritando”.

Para a árbitra, o que mais incomoda é quando as ofensas partem das próprias mulheres.

“O que deixa a gente triste é quando o preconceito não vem de homens, pois na grande maioria das vezes vem de mulheres. Às vezes é uma mulher que está lá na arquibancada gritando: 'Vai lavar louça, você não serve pra estar aí'”, relata. “Às vezes nem entende de futebol, não entende da regra de futebol, mas está ali simplesmente para ofender a pessoa que está trabalhando”.

Além das ofensas que já teve que ouvir, a árbitra assistente também já passou por uma situação comum a muitas mulheres no mercado de trabalho. Ela já teve suas decisões questionadas somente pelo fato de ser mulher.

“No começo passei bastante [por isso]. Eles testam, né? Eles vêm com gracinha ou faz alguma piadinha quando você marca alguma coisa que eles querem questionar. Mas hoje, pelo trabalho que eu venho desenvolvendo, acho que conquistei meu espaço. E vejo muito respeito tanto da comissão técnica quanto dos jogadores”, pontua.

O caso de Fernanda não é isolado. Ela relata também episódios de colegas de profissão com finais que não foram felizes.

“Aqui no Estado mesmo houve duas meninas que desistiram por conta de preconceito. Tinham potencial, mas desistiram, por conta de falas da comissão técnica ou por conta de cobrança de jogadores”, diz. “No começo, passei por isso, mas é aquela questão: tive de ter personalidade e enfrentar o problema”.

Fernanda hoje pode-se dizer recompensada por não ter desistido. Em 2019 ela já havia sido indicada e feito o teste físico para a Fifa, porém na época a vaga não veio. Em 2023, tentou novamente e agora foi escolhida.
 
Para a mato-grossense, é a realização mais do que de uma meta, mas de um sonho. 
 
“Parece que é algo assim, que vou acordar a qualquer momento e é uma mentira. Porque era um sonho distante daqueles que a gente acha que é impossível de acontecer. E quando acontece, parece que demora pra cair a ficha”.
 
Quando Fernanda recebeu por amigos a notícia, antes mesmo do anúncio oficial no site da Fifa, não soube como reagir.
 
“[Quando soube] Foi algo que não tem explicação, você não sabe se chora, você não sabe se você grita, você não sabe se pula, porque ao mesmo tempo que é uma sensação boa, parece que é mentira. Como eu disse, acho que a ficha vai cair realmente que estou na Fifa quando eu trabalhar no primeiro jogo internacional, porque hoje ainda parece que estou vivendo um sonho”, conta.
 
Agora, o próximo trabalho de Fabiana Kruger será sendo a assistente de arbitragem na final da Supercopa do Brasil, neste domingo (4) em Belo Horizonte, na partida entre Palmeiras e São Paulo valendo a taça. Mais um passo de quem almeja pela frente participar de uma Copa do Mundo. Há quem duvide que ela consiga?
 

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