O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) decidiu que os bens apreendidos de Lázaro Barbosa podem ser leiloados. O documento mostra que caso não haja leilão, os bens podem ser doados ou destruídos.
Lázaro morreu após ser procurado por 20 dias na região de Cocalzinho de Goiás por matar uma família no Distrito Federal. A Polícia Civil divulgou, no ano passado, que concluiu todos os casos em que ele era investigado e eles foram arquivados. As buscas envolveram uma força-tarefa com mais de 200 agentes da segurança pública.
A sentença do caso é do juiz Felipe Junqueira d'Ávila Ribeiro e foi dada no dia 6 de outubro. Ele determinou que um oficial de Justiça promova a avaliação dos bens apreendidos de Lázaro.
"Na hipótese de os valores dos bens serem menores que o valor do custo para realização do leilão, autorizo a doação dos bens", diz o documento.
Segundo a ação, caso seja constatada uma pequena expressão econômica de alguns ou de todos os bens de Lázaro, o juiz determinou a destruição deles.
Caçada a Lázaro Segundo as investigações, Lázaro, que tinha 32 anos, matou quatro pessoas de uma família em Ceilândia no dia 9 de junho de 2021. Ele fugiu para Cocalzinho de Goiás em um carro roubado. Desde então, ficava escondido na mata. A polícia disse que durante esse período, ele recebeu ajuda de familiares e um fazendeiro.
A polícia divulgou que o fugitivo era suspeito de mais de 30 crimes em Goiás, Bahia e Distrito Federal. Entre eles estavam homicídio, estupro e roubo.
Durante as buscas a Lázaro, policias chegaram a trocar tiros com ele. Uma família foi feita refém e resgatada sem ferimentos da mata. Após uma longa operação, ele entrou novamente em confronto com policiais em Águas Lindas de Goiás e acabou morrendo baleado.
Um vídeo mostra quando Lázaro chega em um carro da polícia à base da operação, em Cocalzinho de Goiás, é carregado até uma ambulância dos bombeiros e levado ao hospital (veja acima). Os militares comemoram o fim da operação.
Medo e alívio A rotina das cidades e distritos por onde Lázaro passou mudou completamente durante os 20 dias de procura ao criminoso. Fazendeiros e pequenos produtores deixaram suas propriedades e foram dormir na casa de parentes. Moradores evitavam sair de casa com medo de serem abordados pelo homem.
Uma mulher diz que viu o fugitivo cara a cara quando saia para passear com sua cadela. Ela informou à polícia sobre a localização do fugitivo. Logo depois, houve tiroteio no local.
Câmeras registraram também alguns dos momentos em que Lázaro passava pelas ruas ou fazendas em busca de abrigo ou comida.
Apoio O secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda, chegou a dizer que Lázaro agia como um jagunço para fazendeiros da região. A polícia também afirmou que havia uma organização criminosa agindo na região, com pessoas importantes, como empresários, fazendeiros e políticos.
Porém, a polícia não conseguiu comprovar a existência desse grupo organizado ligado aos crimes cometidos por Lázaro.
Porém, durante a fuga, a polícia identificou uma rede de ajuda ao fugitivo. O grupo era composto pela ex-mulher dele, a mãe dela, a viúva de Lázaro e um fazendeiro.
Elas tiveram contato com o procurado dias antes dele ser encontrado pela polícia e não o denunciaram. Elas falaram com ele pessoalmente ou por telefone, inclusive no dia do cerco final, horas antes dele ser baleado e morto.
Já o fazendeiro Elmi Caetano, de 74 anos, chegou a ser preso por abrigar Lázaro em sua fazenda, dando comida e local para que ele dormisse. Além disso, segundo as investigações, ele deu informações falsas à polícia para atrapalhar a operação. O fazendeiro morreu em março desse ano, vítima de câncer.