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30/01/2023 às 08h52min - Atualizada em 30/01/2023 às 08h52min

“Entrei em depressão e tentei me matar; ficha ainda não caiu”

Julgamento do acusado foi marcado para o dia 28 de fevereiro; caso teve repercussão nacional

Mídia News
Araguaia Notícia
A autônoma Dani Cristina Perpétuo da Silva Souza, de 33 anos, espera ansiosa para o julgamento do homem denunciado pela morte de seu filho,  que faleceu depois de tomar um achocolatado envenenado em agosto de 2016, em Cuiabá. O júri popular está marcado para o dia 28 de fevereiro. 
 
O pequeno Rhayron Christian, que à época tinha apenas 2 anos - recém completados, morreu em agosto de 2016, poucas horas depois de tomar um achocolatado da marca Itambé, em um caso que ganhou repercussão nacional. No início pensou-se que era algum problema no lote até se descobrir o envenenamento.
 
“Ficamos desestabilizados na época, entrei em depressão e tentei me matar várias vezes. Era um anjinho, muito pequenininho, era brincalhão e muito carinhoso”, afirmou Dani Cristina.
 
“Para nós parece que ele foi viajar, não caiu ainda a ficha de que ele faleceu. Se eu colocar isso na minha mente, não vivo”.  
Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual, o comerciante Adônis José Negri, de 70 anos, colocou o veneno no achocolatado para se vingar de um assaltante que estava “furtando a sua casa e comendo alimentos de sua geladeira”.
 
O suposto assaltante, no entanto, vendeu o pacotinho com três achocolatados, lacrado, e um litro de leite no valor de R$ 10 para o pai de Rhayron.
 
“Eu e meu esposo estávamos em uma situação difícil, os dois desempregados. Ele conhecia o menino que vendeu e eu também, tinha estudado com ele. Eram três Todinhos [na verdade, achocolatados da marca Itambé] embaladinhos, perfeitos, tinha até aquele insulfilm, e um leite também”, relembrou.
 
Dani não acredita na versão de que o rapaz tenha roubado os itens do idoso e diz que, na verdade, ele ganhava os alimentos dele.
 
“O senhor é que dava as coisas para o menino, porque ele tinha um monte de sobrinhos. Fez para prejudicar o guri que era usuário de drogas, deu para fazer malvadeza com ele, só não imaginava que ele iria vender”.
 
“Ele não queria matar o meu filho, eu sei disso, tenho certeza. Mas queria matar o guri. Ele tem que pagar por isso, de qualquer forma ele ia tirar uma vida”.
 
Má fama
 
A família morava, à época, no Bairro Parque Cuiabá, mesmo bairro do acusado. Dani lembra que a fama do comerciante nas redondezas não era boa, o que corroboraria para hipótese de que tenha sido ele quem envenenou o achocolatado.
 
O idoso, no entanto, negou ter cometido o crime e disse ter sido coagido pela Polícia a confessar a autoria em um primeiro momento.
 
“A fama dele era a de que fazia isso com animais, que matava todos os gatos e cachorros lá da rua envenenados. Se fazia isso, então, para ele, era normal e quem começa assim tira a vida de pessoas também”, afirmou.
 
“Acho que é mentira dele. Por que seria coagido? Com que intenção? No dia da primeira audiência tinham pelo menos 5 advogados do lado dele, e ele ainda ficou zombando da minha cara”, disse.
 
Apesar de achar que a Justiça demorou muito em seu caso - foram sete anos de espera -, Dani acredita que Adônis José será condenado.
Arquivo pessoal
 
“A Justiça pode até demorar, mas ele vai ser condenado. Ele tem que sentir na cadeia, tem que ser preso e condenado até a morte. O meu sentimento é de revolta”, disse.
 
O dia da morte
 
A mãe lembra com detalhes o dia em que tudo aconteceu. “Eu chacoalhei o Todinho dei um gole e depois dei para ele tomar”, relembrou.
 
“Era tudo normal, o gosto era o mesmo, só um pouco mais pesado na hora de você dar o gole”.
 
Rhayron foi ficando mais fraco e puxando o ar com dificuldade. A mãe conta que ficou em desespero e saiu correndo para pedir ajuda na rua.
 
“Saí gritando no meio da rua, foi um desespero até conseguir uma carona. Ninguém queria dar até que passou uma mulher na rua e deu carona com o marido dela de caminhonete”.
 
O menino foi levado para a Policlínica do Coxipó e, ao chegar lá, teve duas paradas cardiorrespiratórias. Rhayron morreu pouco tempo depois.
 
Dani lembra que até chegar ao hospital não tinha apresentado nenhum sintoma, mas depois ficou zonza e começou a vomitar sangue.
 
“Os enfermeiros falaram que eu estava passando mal porque estava nervosa, mas falei ‘acho que tem algo aqui porque não é normal vomitar sangue’”.
 
A mãe logo achou que o achocolatado estava estragado, mas nunca imaginou que poderia ter sido vítima de envenenamento.
 
O caso causou comoção nacional e lotes da marca de achocolatado chegaram a ser recolhidos das prateleiras. A marca ajudou a família financeiramente na época.
 
Dani diz que se mudou do bairro poucos meses depois do crime acontecer, pois não conseguia mais viver ali. “O povo julgava muito a gente porque compramos uma coisa ilícita, só que ele era conhecido, a gente não sabia de nada”.
 
Ela soube que o acusado também se mudou do bairro um tempo depois.
 
O Ministério Público Estadual denunciou o idoso pelo crime de homicídio qualificado por emprego de veneno.

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