21/05/2022 às 08h32min - Atualizada em 21/05/2022 às 08h32min

Acusados de matarem 4 pessoas são condenados a 294 anos de prisão em MT

Réus cumprirão as penas em regime inicialmente fechado, sendo mantidas as prisões preventivas decretadas

Araguaia Notícia
Araguaia Notícia com G1 MT 

Três homens denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso pela chacina que resultou na morte de dois homens e duas adolescentes em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, em outubro de 2018, foram condenados nessa quinta-feira (19). Somadas, as penas aplicadas totalizam 294 anos de prisão.

Thalyson Thiago Taborda Oliveira recebeu a pena de 100 anos e 11 meses de reclusão, um ano e quatro meses de detenção e 76 dias-multa pela prática de quatro homicídios qualificados, dois homicídios tentados, integrar organização criminosa, sequestro e cárcere privado, posse de arma de fogo e de artefato explosivo.

Donato Silva Nascimento e Johnny da Costa Melo foram condenados, cada um, a 97 anos e quatro meses de reclusão e a 34 dias-multa. A ação aponta que eles praticaram os crimes de homicídio qualificado por quatro vezes e homicídio tentado por duas vezes. Além disso, responderão por integrar organização criminosa, sequestro e cárcere privado.

O g1 não conseguiu localizar a defesa dos réus. De acordo com o MP, os jurados responderam 146 quesitos e acolheram todas as teses apresentadas pelos promotores de Justiça. Conforme a decisão, os réus cumprirão as penas em regime inicialmente fechado, sendo mantidas as prisões preventivas decretadas. Patrick de Oliveira Cabral, também denunciado pelo Ministério Público pela chacina, já havia sido condenado em novembro de 2020.

Luiz Fernando Oliveira Caetano Moreira, outro integrante do grupo, teve o processo suspenso no mesmo ano por não ter comparecido em juízo ou constituído advogado, mesmo sendo citado por edital. Ele possui mandado de prisão em aberto e encontra-se foragido.

Chacina

As duas primeiras mortes ocorreram em uma casa no Centro de Várzea Grande: Felipe Melo dos Santos, de 25 anos, e Leandro Luiz de Oliveira, de 20, foram assassinados a tiros a queima roupa por três homens armados. Outros dois jovens também foram baleados no local e sobreviveram: Vitor Santana dos Santos, de 20 anos, e Junior da Silva Pereira, de 23 anos. Corpos de duas mulheres foram encontrados às margens do Rio Cuiabá — Foto: Leandro Trindade/TV Centro América

Horas depois, duas adolescentes foram encontradas mortas com as mãos amarradas e marcas de tiro às margens do Rio Cuiabá, na região do bairro Carrapicho. Uma tinha 13 anos e a outra 16. Thalyson foi preso em flagrante no dia do crime, admitiu a autoria dos homicídios e delatou os companheiros. No momento da prisão, ele portava armas de fogo e artefatos explosivos.

Motivação

Segundo relato de Talyson à polícia, a motivação está relacionada ao fato das vítimas serem integrantes de uma facção rival e terem cometido uma tentativa de homicídio na cidade de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, contra um integrante da facção deles.

Questionado sobre a morte das adolescentes de 13 e 16 anos, ele afirmou que as garotas eram namoradas de duas das vítimas, de um dos jovens que morreu e de outro que sobreviveu.

Ele contou aos policiais que na noite anterior ao crime, usando um carro, sequestraram as adolescentes, que estavam na rodoviária de Várzea Grande, e obrigaram as adolescentes a indicar a casa onde os jovens rivais estavam.

Pela manhã, foram até a casa e tiraram o portão do trilho. O grupo invadiu a casa e surpreendeu as vítimas – que dormiam em um quarto no momento da invasão – com dezenas de disparos.

Ainda conforme Thalyson, os três somente pararam de atirar porque as munições acabaram. Eles também pensaram que todas as vítimas já estivessem mortas.
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