24/02/2022 às 09h24min - Atualizada em 24/02/2022 às 09h24min

Médica pede perdão à família de verdureiro morto: ‘Não sou indiferente’

Letícia Bortolini prestou depoimento pela primeira vez na noite desta quarta-feira (23)

Repórter MT
ARAGUAIA NOTÍCIA
A médica Letícia Bortolini, acusada pelo atropelamento e morte do verdureiro Francisco Lucio Maia, pediu perdão à família da vítima em seu primeiro depoimento sobre o caso, e negou ter omitido socorro. Ela foi ouvida pelo juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, na noite desta quarta-feira (23), após quatro testemunhas de defesa.

“O mais importante é que eu gostaria de pedir perdão para a família do seu Francisco”, disse a médica, nas considerações finais de seu depoimento. 

Letícia afirmou que reza todas as noites pela alma do verdureiro, e acrescentou que, no entanto, tem consciência de que não é uma pessoa desumana, que deixa de prestar socorros e que não se importa com o próximo.

“Eu sinto muito, porque eu estava naquele carro, naquele momento do acidente. Mas eu gostaria de dizer que em momento nenhum eu omiti socorro, fugi das minhas responsabilidades ou do local do acidente consciente disso, porque eu não saí de casa para atropelar uma pessoa. Eu não sou um ser humano insensível, não sou esse monstro”, disse.

A morte de Francisco ocorreu no início da noite de 14 de abril de 2018, quando Letícia e o marido deixaram uma festa na região da Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, e seguiam para casa. Após o atropelamento, a médica não parou no local do acidente e foi presa em casa, minutos depois.

Em seu depoimento, Letícia revelou que sequer queria ter participado do evento, mas foi por companhia ao marido. Disse ainda que não bebeu naquele dia, mas que se recusou a fazer teste do bafômetro na delegacia porque havia bebido vinho na noite anterior. 

Ainda, a médica revelou que sentiu um leve impacto no veículo quando atingiu Francisco, mas garantiu que não sabia o que tinha acontecido. Letícia lembrou ter pensado que haviam jogado algum item contra o carro e, por isso, temeu pela sua segurança. 

Depois do acidente, ela foi para a casa e, imediatamente, pediu ajuda ao sogro, que estava no endereço. Ela contou que achava que o estrago era apenas em relação ao retrovisor, que caiu com o acidente. No entanto, quando chegou, ela e o sogro perceberam as avarias. 

Reprodução[Julgamento leticia bortolini]Letícia prestou depoimento pela primeira vez nesta quarta-feira (23)

Conforme a médica, o sogro se prontificou a ir ao local do acidente para tentar buscar informações do que ocorreu com o veículo. No entanto, assim que ele saiu, a polícia chegou, informando sobre o ocorrido. 

“Quando eles chegaram, eu estava no fundo da casa conversando com a babá. Meu marido foi abrir a porta [...] Eu estava ouvindo de lá do fundo e escutei que o policial falou: ‘vocês não sabem que vocês assassinaram uma pessoa?’ Eu ouvi e o meu mundo caiu, porque, até então, eu não tinha pensado nessa hipótese, eu só tinha ouvido um barulho. Aí desesperei, comecei a chorar”, relatou a médica. 

Rebateu denúncia

No depoimento, Letícia ainda explicou que, em relação a uma foto de copos de chopp publicada nas redes sociais, tratava-se de uma jogada de marketing do evento, que liberava bebida gratuita para quem fizesse a publicação. Segundo ela, como a fila para a bebida estava longa, ela optou por esperar com o marido para que ele pudesse beber os dois copos. 

Questionada pelo promotor Samuel Frungilo, do Ministério Público Estadual, Letícia afirmou que não sabe dizer em que velocidade dirigia ao voltar para casa. Ela garantiu que não andava devagar, mas afirmou que não tem costume de passar “muito” acima dos 60 km/h. Segundo laudo anexado ao processo, ela dirigia a 100 km/h.

Letícia também explicou que nunca procurou a família de Francisco pessoalmente por não ter condições emocionais. Ela destacou a cronologia dos eventos, incluindo sua rápida prisão, e afirmou que chegou a ser apedrejada quando esteve prestando depoimento na delegacia. Por isso, ela também estaria temendo por sua vida. Contudo, segundo ela, a advogada da família foi autorizada a prestar suporte à família da vítima. 

A médica ainda mostrou ao juízo que possui rosácea, uma condição que, em situações de ansiedade ou estresse, deixa a pele em tom rosado. Isso, segundo a defesa, justificaria a alegação de que ela estaria embriagada. 

Em relação à acusação de dirigir bêbada, Letícia ainda afirmou que o policial que prestou depoimento sobre o acidente teria mentido em juízo. Isso porque, segundo ela, ele mesmo teria assinado documento na delegacia atestando que ela não aparentava estar bêbada, tendo alterado a versão ao depor para a Justiça. 

Letícia também levou questionamento quanto ao depoimento de uma testemunha, identificada como Bruno. Ele teria presenciado o acidente e seguido Letícia por um período. Entretanto, segundo ela, à Polícia Civil Bruno afirmou que estava de moto quando tudo ocorreu. Já para a Justiça afirmou que estava de carro. 

Ela ainda revelou que Bruno a teria procurado em seu consultório tempos depois e tentou extorqui-la. O advogado de defesa, Giovanni Sandrin, pediu investigação sobre o caso. 

 
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