Araguaia Notícia  Publicidade 728x90
10/02/2022 às 10h06min - Atualizada em 10/02/2022 às 10h06min

Polícia prende último acusado por chacina em fazenda de Arcanjo

Investigadores localizaram o homem de 55 anos em Rio Branco (AC); ele usava documentos falsos

Midia News
ARAGUAIA NOTÍCIA
O último foragido da Justiça, investigado pela chacina ocorrida há 18 anos em uma fazenda do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, em Várzea Grande, foi preso nesta quarta-feira (09) em Rio Branco (AC).

Joilson James Lisboa, de 55 anos, foi localizado após um trabalho investigativo realizado pelo Núcleo de Inteligência da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP), que o monitorou e passou os dados do paradeiro aos policiais civis do Acre, que fizeram a prisão.

No momento da abordagem, Joilson apresentou documentos falsificados em nome de seu irmão. Conforme a investigação, ele já havia morado nas cidades de Brasiléia e Plácido de Castro, ambas no interior do Acre.

Ele era o único dos investigados pelo crime que ainda estava fora da prisão, desde o homicídio ocorrido na Fazenda São João, às margens da BR-364, em 2004, quando quatro pessoas foram mortas por funcionários da propriedade. O caso ficou conhecido como a “Chacina da Fazenda São João".

Com esta última prisão realizada no Acre, todos os responsáveis pela chacina estão detidos.

Prisão no ano passado

Em abril de 2021, a DHPP, com apoio da Polícia Civil de Sergipe, prendeu Édio Gomes Junior, foragido havia 17 anos. Ele foi localizado na praia de Atalaia Nova, no município de Barra dos Coqueiros, onde estava residindo há quatro anos.

Conforme a polícia sergipana, no momento da prisão, Édio Gomes Junior apresentou diversos documentos falsos e confessou que os adquiriu para tentar fugir da polícia.

Chacina

O quádruplo homicídio ocorreu em março de 2004, na fazenda São João, às margens da BR-163, próxima ao Trevo do Lagarto, em Várzea Grande.

A DHPP identificou oito envolvidos no crime, todos funcionários da propriedade, que foram indiciados por homicídio qualificado (cometido por motivo fútil, uso de meio cruel e sem chance de defesa), ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia à Justiça ainda em 2004.

As vítimas - Pedro Francisco da Silva, José Pereira de Almeida, Itamar Batista Barcelos e Areli Manoel de Oliveira - foram mortas por funcionários da fazenda.

Uma vítima foi morta por disparo de arma de fogo e três delas foram amarradas e torturadas, antes de serem mortas por afogamento. Depois de mortos, os quatro tiveram os corpos jogados em diferentes pontos, em uma área da localidade de Capão das Antas, a fim de dificultar o trabalho investigativo da polícia.

O inquérito conduzido à época pela equipe do delegado Wylton Massao Ohara apurou que as quatro vítimas foram à fazenda para pescar em um dos tanques de peixe da propriedade, na manhã de 20 de março. Conforme a investigação, os amigos teriam ido ao local na intenção de pescar para consumo de suas famílias, quando foram surpreendidos pelos seguranças da fazenda e mortos.

Como os quatro não retornaram para casa, no dia seguinte, as famílias procuraram a Polícia e teve início a busca pelas vítimas. Ainda no domingo, a Polícia Militar localizou as quatro bicicletas próximas à cerca da fazenda. Após diversas buscas, os corpos foram localizados em uma área fora da fazenda, a fim de ocultar o crime e dificultar a investigação.

De acordo com depoimentos colhidos pela DHPP, um dos funcionários confirmou que ele e outros dois seguranças da fazenda encontraram os quatro rapazes no final da tarde do sábado, pescando no tanque de piscicultura e atiraram contra as vítimas.

Uma delas correu para o mato para se esconder, mas foi morta com um disparo no abdômen feito por um dos seguranças.

As outras três vítimas foram rendidas e então o segurança teria ligado para o gerente da fazenda dizendo que "três capivaras estavam presas e uma estava morta e que aguardavam a faca para arrancar o coro das que estavam vivas".

As versões constam na reprodução da chacina, realizada pela Polícia Civil em maio de 2004, por solicitação do Ministério Público, da qual participaram dois dos investigados.

Os dois envolvidos confirmaram que as vítimas foram amarradas e jogadas no lago em que pescavam e que demoraram pelo menos 20 minutos para morrer.

Araguaia Notícia  Publicidade 790x90


Entre no grupo do Araguaia Notícia no WhatsApp e receba notícias em tempo real  CLIQUE AQUI
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Araguaia Notícia  Publicidade 1200x90