09/02/2022 às 09h23min - Atualizada em 09/02/2022 às 09h23min

Jovem de Barra do Garças que ficou sem andar conta como está se recuperando de acidente em parque aquático de Caldas Novas VEJA VÍDEO

Rhanielly Garcês, de 25 anos, se machucou durante viagem de formatura e ouviu de médicos que ficaria tetraplégica. Post sobre a vida dela ultrapassou 1 milhão de visualizações.

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Rhanielly Garcês é filha do falecido empresário Xodó Modas, de Barra do Garças-MT
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A estudante Rhanielly Garcês, de 25 anos, filha do falecido empresário Valdeir Garcês (conhecido Xodó Modas), viralizou na web após contar a própria história. A jovem diz que perdeu o movimento das pernas e dos braços após um acidente em um parque aquático em Caldas Novas, na região sul de Goiás, e conseguiu voltar a andar após cirurgias e fisioterapia. Anos depois, ele voltou a perder a mobilidade totalmente e, novamente, se recuperou.

Rhanielly tem os movimentos dos braços e pernas, mas de forma parcial, pois se movimenta com uma certa dificuldade. Um dos vídeos em que ela conta a história de superação chegou a ultrapassar 1 milhão de visualizações (assista acima).

“Os médicos diziam que eu ia ficar tetraplégica, porém, com muita fisioterapia eu consegui levantar da cadeira de rodas”, disse.

O acidente aconteceu no dia 5 de janeiro de 2015, quando Rhanielly foi a um parque aquático em uma viagem da formatura do ensino médio. Ela se machucou ao ir em uma atração em que se desliza sobre boias em alta velocidade.

No dia do acidente, a jovem foi encaminhada para um hospital em Caldas Novas e depois levada a uma unidade hospitalar em Goiânia, onde passou por duas cirurgias. Nove dias depois, a estudante começou um tratamento no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr Henrique Santillo (Crer), em Goiânia ,e, após bastante fisioterapia, conseguiu recuperar parcialmente os movimentos.

“Eu tive um trauma raquimedular no pescoço e consegui evoluir para tetraparesia, que é o funcionamento parcial dos quatro membros. Eu desafiei os diagnósticos médicos e graças a Deus consegui recuperar parcialmente os movimentos”, contou.

Perda dos movimentos pela 2ª vez

Três anos depois do acidente, a estudante disse que começou a perder os movimentos dos braços e das pernas novamente. Nesse período, ela foi diagnosticada com estenose cervical, que se trata de uma doença causada pelo estreitamento do canal espinhal, e precisou passar por outro processo cirúrgico.

Na época, ela teve uma infecção generalizada e precisou ficar uma semana em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Graças a Deus e à minha equipe de fisioterapia, eu levantei da cadeira de rodas pela segunda vez e sigo confiante nesse processo de reabilitação. Só gratidão a Deus por me permitir estar vivenciando o meu segundo milagre”, disse.

Mudança de planos

A jovem contou que, na época do acidente no Hot Park, estava prestando vestibulares. Ela, que tinha 18 anos e morava com a família em Barra do Garças, no Mato Grosso, teve que se mudar para a capital goiana para fazer o tratamento no Crer. Ela lembra que sonhava em fazer medicina, mas, após perder parte dos movimentos, achou que o ideal seria mudar de curso e acabou cursando direito.

"Fui encaminhada para o Crer e, de lá para cá, nunca recebi nenhuma assistência do parque. Tive que mudar de cidade, mudar os meus planos e sonhos e a minha vida inteira e nunca obtive nenhuma resposta", disse.

A jovem explicou que o Hot Park arcou com o tratamento dos primeiros procedimentos cirúrgicos que ela fez. No entanto, ela reclama que, após começar a terapia no Crer, não recebeu mais assistência. Com isso, a jovem disse que entrou na Justiça, em 2018, pedindo uma indenização.

“Eu ingressei com ação um pouco tardia, já no ano de 2018, pois eu ainda não tinha dimensão de que teria as sequelas para a vida toda. Com o passar do tempo, fui adquirindo essa consciência e entendi que era justo ser respaldada de alguma forma”, disse.

Em nota ao g1, o Hot Park afirmou que tem a segurança de seus visitantes como principal prioridade. O parque ponderou que a jovem tinha uma doença pré-existente na coluna e "optou por usar a atração", mesmo com placas e avisos sobre a utilização do brinquedo. O estabelecimento disse ainda que as atrações do local são certificadas, com laudos que comprovam o funcionamento dentro das normas de segurança (veja a íntegra da nota ao fim do texto).

"Sabendo desta lesão e com as orientações, ela não deveria utilizar atrações com estas devidas restrições", pontuou a nota do Hot Park.

Sobre a doença pré-existente citada pelo parque, Rhanielly disse que não tinha conhecimento dessa lesão e, por isso, levava uma vida normal, não tendo sido necessário se atentar aos alertas do parque sobre utilização da atração.

"Eu sempre fui uma pessoa extremamente ativa. Eu nunca tive nenhum sintoma. Eles me falaram que eu tinha uma doença pré-existente, mas eu tinha uma vida extremamente normal. Eu nunca tive conhecimento de nenhuma lesão, mas e se eu não tivesse ido no brinquedo, como estaria a minha vida hoje?", disse.

Em relação à suspensão da assistência à Rhanielly, o Hot Park disse que o atendimento foi interrompido em 01 de julho de 2016, "quando a paciente foi dispensada do tratamento por excesso de faltas sem comunicados ou justificativas, conforme laudo oficial do Crer".

No entanto, Rhanielly argumenta que, muitas vezes, não tinha dinheiro para pegar táxi para ir até a unidade de saúde. "Ainda que eu tivesse muitas faltas no Crer, lá é do Sistema Único de Saúde (SUS), e eles tinham que me dar um respaldo terapêutico, pois o acidente foi dentro do parque. Isso não exime a culpa do parque e do brinquedo oferecer risco", disse.

O processo na Justiça corre na comarca de Caldas Novas. O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) informou que foi nomeado um perito, em julho de 2021, para realizar uma perícia no parque.[Rhanielly Garcês, que perdeu o movimento das pernas e dos braços após acidente em parque e voltou a andar viraliza na web após contar a própria história, em Goiânia, Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Rhanielly Garcês]Rhanielly Garcês, que perdeu o movimento das pernas e dos braços após acidente em parque e voltou a andar viraliza na web após contar a própria história, em Goiânia, Goiás — Foto: Arquivo pessoal/Rhanielly Garcês

Veja a íntegra da nota do Hot Park

"O Hot Park informa, sobre o ocorrido em 05 de janeiro de 2015 com Rhanielly Belmino Garcês, que tem a segurança de seus visitantes como principal prioridade.

Neste caso específico, ela, mesmo com uma doença pré-existente na coluna, optou por usar a atração, apesar da ampla comunicação visual, com placas, avisos sonoros constantes e vídeos, além da recomendação dos guarda-vidas sobre a utilização da atração nestes casos. Esta lesão pré-existente foi comprovada por laudos médicos que estão anexados no processo que está na Justiça e também foi referência de várias postagens dela anteriores ao fato. Sabendo desta lesão e com as orientações, ela não deveria utilizar atrações com estas devidas restrições.

Ela foi atendida inicialmente no ambulatório do parque sendo levada em seguida para o Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Caldas Novas-GO. Constatada a necessidade de atendimento especializado, foi transferida para o Hospital de Acidentados Clínica Santa Isabel em Goiânia-GO. Ela foi operada por um dos maiores especialistas em cirurgia de coluna do Brasil – este médico mesmo pediu encaminhamento para o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER) onde ela foi atendida por uma equipe multidisciplinar e com uma estrutura especializada.

Durante todo este período recebeu acompanhamento por parte do parque, incluindo o pagamento de todas as despesas médicas. Este atendimento foi interrompido em 01 de julho de 2016, quando a paciente foi dispensada do tratamento por excesso de faltas sem comunicados ou justificativas, conforme laudo oficial do CRER. Isso também está comprovado no processo.

Também desta época há vários posts (anexados na documentação enviada à Justiça) de Rhanielly em festas e eventos.

O Hot Park tem suas atrações certificadas, com diversos laudos comprovando o funcionamento dentro das normas. Foi o primeiro parque aquático do mundo a ser certificado na rigorosa ABNT ISO 21101-2014, com critérios rígidos de segurança".

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