03/02/2022 às 15h52min - Atualizada em 03/02/2022 às 15h52min

Onça-pintada que cresceu em fazenda e comia carne dentro de casa é devolvida à natureza; veja vídeos

Olhar Direto
ARAGUAIA NOTÍCIA
Marruá, onça-pintada macho, foi encontrada e criada por peões de uma fazenda do município de Cáceres no ano de 2020, após perder seus pais para as queimadas que assolaram o Pantanal naquele ano. O animal cresceu livre, bem cuiado, longe de cativeiro e sem maus-tratos. Entrava em casa, comia carne e saía para caçar sozinho.

Dois anos depois, nesta quarta-feira (2), os trabalhadores da fazenda acharam por bem solicitar resgate dos agentes do Juizado Volante Ambiental (Juvam), com intuito de devolver o felino ao seu habitat. A decisão da propriedade rural em devolver se deu pelo fato de que, mesmo manso e crescido em meio a cães e gatos da fazenda, Marruá é um animal selvagem.
Segundo agente do Juvam que comandou a ação, Daniel Silva, Marruá foi criada solta nos campos, recebeu de mamar, ficou solta na fazenda, “como se fosse um gato, ou um cachorro. Lá tinha muito mais gato, tinha cachorro e ela cresceu junto com eles”. Ainda conforme o militar, o felino entrava em casa, também comia carne e, às vezes, saía sozinho para caçar e depois retornava.

Mesmo que totalmente solta, sem cativeiro e maus-tratos, crescido como um animal dócil, os donos da fazenda decidiram entrar em contato com os agentes para evitar que uma onça grande pudesse atacar alguém ou algum outro bicho de criação. “É um animal selvagem, então o risco dela atacar alguém poderia acontecer em qualquer momento, é muito instável”, pontuou Daniel.   
Diante da situação, o resgate de Marruá contou com apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Cuiabá (Sema) e da Nex, Organização Não Governamental (ONG), de Goiás, especializada em liberação de animais selvagens. A equipe, então, colocou um dado tranquilizante em Marruá e o carregaram até o carro da ONG.
  
O felino foi levado até Goiás para passar por exames médicos e todos os cuidados necessários para que ela possa ser reinserida em seu habitat. Segundo Daniel, a Ong estudará o melhor local possível para a realocação.

Sobre o Juvam

Criado em setembro de 1996, o Juizado Volante Ambiental é dirigido pela Vara Especializada de Meio Ambiente e sua competência é a de processar ações cíveis referentes ao meio ambiente, bem como as infrações criminais. “Nós somos do Juvam - Cáceres e pouca gente conhece ainda. ‘Ah, polícia ambiental’. Mas não. Somos do Juvam. Somos Policiais Militares mas estamos no juizado dando apoio ao judiciário”, explicou o agente Silva.
No juizado há três anos, Daniel contou ao Olhar Direto que revolucionou o Juvam, junto com o cabo Prado, por meio de divulgação dos trabalhos nas redes sociais. Prestando serviço em mais de 23 municípios do estado, o Juvam faz apreensões, prisões, trabalhos sociais na região. O juizado ainda faz doações de materiais apreendidos à entidades carentes.

“A gente faz um trabalho muito intenso aqui na região. Temos 23 municípios, é muito grande. Então a gente faz um trabalho de formiguinha mas a gente não para. De grão em grão, a gente consegue dar nosso exemplo”, finalizou o militar.
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