27/01/2022 às 08h31min - Atualizada em 27/01/2022 às 08h31min

Aposentados e mães fazem fila para ganhar ossinhos na 10ª cidade mais rica do agronegócio

Olhar Direto
ARAGUAIA NOTÍCIA
Contrastando com o posto de 10ª cidade mais rica do agronegócio do Brasil, Nova Mutum (259 km de Cuiabá) tem visto famílias recorrerem a doações de ossinhos em açougues. Após ter se sensibilizado com a vulnerabilidade econômica das pessoas que procuram o alimento, o Mercadão da Carne, localizado no bairro Beija Flor, é que tem feito a ação solidária.

A ação é similar à que ocorre no CPA 2, em Cuiabá, onde o Atacadão da Carne também realiza a doação de ossos. O episódio, inclusive, ganhou repercussão nacional no ano passado, após a ampla noticiação da “fila dos ossinhos”, como ficou conhecida as grandes fileiras de pessoas que ocupavam vários quarteirões na Capital, em busca do alimento.  

Em entrevista ao Olhar Direto, o proprietário do Mercadão da Carne, Dyonatann Max, 29 anos, disse que as doações em Nova Mutum ocorrem a aproximadamente quatro meses. A procura aumentou, porém, após a divulgação feita nas redes sociais do açougue, nesta terça-feira (25). Apenas neste dia, cerca de 260 quilos de ossinhos foram doados. O número é quase o dobro do que era doado antes, 160 quilos. 

“[Antes] a gente vendia osso e a maioria das pessoas que queria comprar vinha contando moeda, com pouco dinheiro. Teve um dia que veio um senhor aqui e vimos que ele tava contando moeda dentro do açougue, pra pedir o ossinho. Desse dia em diante decidimos parar de vender e doar para essas pessoas”, relembra. 

Número de pessoas em busca do alimento aumentou após divulgação. (Foto: Arquivo Pessoal / Mercadão da Carne)
O proprietário explica que as doações são feitas toda terça-feira das 16h às 17h. O público alvo é, preferencialmente, composto por pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, que não têm condições de pagar pela carne. 

“A grande maioria é mãe solteira, que tem dois, três filhos, pessoas de idade, muitos aposentados. Aqui o custo, por ser uma cidade do agronegócio, de lavoura, é mais caro. Sempre numa cidade que tem esse padrão, as coisas são mais caras, aluguel, essas coisas”, conta Dyonatann ao tentar explicar o grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. 

Levantamento publicado no ínicio do ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) complementa a afirmação do proprietário do Mercadão da Carne. Segundo a lista, a cidade de Nova Mutum é a 10ª mais rica do agronegócio do país. O ranking foi feito pela pasta com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes à 2020. 

Com o aumento da demanda, Dyonatann comenta que pretende aumentar o quantitativo de ossinhos a serem doados. Ele, porém, explica que isso depende do número de vendas do estabelecimento. 

“Quem aparecer aqui a gente doa, [mas] nós vamos aumentar. Até quando nós tá conseguindo doar dessa forma, a gente vai doar, mas a partir da semana que vem, a gente vai dobrar para 300 a 400 quilos [toda terça-feira”, finaliza. 
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