24/11/2021 às 14h18min - Atualizada em 24/11/2021 às 14h18min

Justiça absolve PMs acusados de torturar assassino de policial em Cuiabá

Episódio aconteceu em 2010; vítima e testemunhas não compareceram a audiência

Rafael Costa / Folha Max via ARAGUAIA NOTÍCIA 

Após 11 anos, dois policiais militares foram absolvidos, por falta de provas, da acusação de tortura feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) supostamente cometida em um usuário de drogas que foi preso após matar um policial militar no Centro de Cuiabá.

A decisão do juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros da Silva, foi dada no dia 19 deste mês.PlayvolumeAdConsta nos autos que no dia 9 de março de 2010, aproximadamente às 19h30, os policiais militares W.V.M. e W.C.C. submeteram C.M.S. a intenso sofrimento físico e mental como forma de aplicar castigo pelo assassinado do policial militar Edeson de Oliveira.

A suposta vítima, C.M.S., estava na região conhecida como Beco do Candeeiro, no Centro de Cuiabá, quando foi abordada pelo policial Edeson de Oliveira. Em reação à abordagem, C.M.S. atirou contra o PM, que não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

Após o homicídio, fugiu do local do crime, mas foi capturado pela dupla de PMs, que lhe aplicaram vários chutes, tapas e coronhadas.

Ao chegar na delegacia do Cisc Verdão, o autor do homicídio foi novamente agredido. Desta vez por um policial militar e um policial civil que introduziram um bastão de choque no ânus, jogaram álcool  no corpo e atearam fogo no corpo do criminoso com o uso de uma pistola de energia.

Em seguida, para evitar a morte do criminoso, os PMs decidiram encaminhá-lo ao pronto-socorro de Cuiabá para receber atendimento inicial das queimaduras. 

CLIQUE AQUI; Participe do grupo de WHATSAPP do ARAGUAIA NOTÍCIA e receba informações em tempo real

CLIQUE AQUI: Participe do grupo do TELEGRAM do ARAGUAIA NOTÍCIA e receba informações em tempo real

Na defesa formulada no processo disciplinar, os PMs alegaram que o criminoso teria afirmado ser portador do HIV e que, em razão das escoriações em seu corpo, decorrentes da resistência à sua prisão acharam conveniente jogar álcool nas suas feridas como forma rudimentar de evitar o contágio. Acidentalmente, um dos PMs encostou um cigarro aceso no corpo do criminoso, o que provocou as queimaduras.

O magistrado absolveu os dois PMs diante da falta de provas juntadas aos autos que pudessem incriminá-los por tortura. Durante a instrução processual, não houve nenhuma testemunha que pudesse incriminá-los com provas concretas. 

Além disso, foi ressaltado que a vítima e as testemunhas de acusação não compareceram a audiência para prestar depoimento. “Inobstante, na fase instrutória, a vítima não foi localizada para prestar depoimento em Juízo, bem como as testemunhas arroladas pela acusação, de modo que, o crime não restou cabalmente configurado e não foram aportados nos autos provas capazes de fornecer elementos de convicção para demonstração da autoria”, diz um dos trechos da sentença. 

 
Notícias Relacionadas »
Comentários »