Por Vitória Lopes / Gazeta Digital via Araguaia Notícia O Ministério Público Estadual recorreu da decisão que condenou a tenente Izadora Ledur a um ano de prisão, em regime aberto, por maus-tratos contra o aluno Rodrigo Claro. O soldado morreu após participar de treinamento aquático do Corpo de Bombeiros, em novembro de 2016, conduzido pela tenente.
O documento foi assinado pelo promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta, da 13ª Promotoria de Justiça Criminal. O recurso contestando a sentença do Conselho Especial de Justiça foi protocolado no Tribunal de Justiça.
De acordo com a ação, o MP contesta a condenação, argumentando que seja reformada pelo crime de tortura, com pena que vai de 8 a 16 anos de prisão, além da perda da patente.
CLIQUE AQUI E PARTICIPE DO GRUPO ARAGUAIA NOTÍCIA E RECEBA INFORMAÇÕES EM PRIMEIRA MÃO O promotor pontuou que a reforma da sentença se faz “imperiosa”, já que os autos demonstram que Ledur de fato praticou o crime de tortura, que resultou na morte do aluno.
“Na presente hipótese, restou cabalmente demonstrado que a ré em questão incorreu na prática do crime de tortura qualificada pelo resultado morte, razão pela qual sua condenação como incursa nas penas da aludida conduta criminosa é imperiosa”.
Motta relembrou que Rodrigo Claro tinha dificuldades em atividades aquáticas, e que a tenente passou a utilizar métodos abusivos contra ele, como intuito de “castigá-lo”.
“Deveras, em consonância com o narrado na peça inicial, logo após o início da execução da atividade, o ofendido Rodrigo Patrício Lima Claro apresentou cansaço e dificuldade em continuar a prova, tendo sido auxiliado por seu colega Maiuson da Silva Santos, momento no qual a recorrida, percebendo a dificuldade apresentada pela vítima, começou a submergi-la na água, afundando-a por reiteradas vezes”, narra.
Apesar de demonstrar extremo cansaço, Ledur exigiu o retorno imediato de Rodrigo ao ponto inicial da prova, sem conceder a ele uma chance de descanso, ignorando também os pedidos de desistência dele.
“Conforme o temido pela vítima, durante o retorno da travessia, a ré 1º Ten BM Izadora Ledur de Souza Dechamps voltou a promover as sessões de tortura em face do seu alvo, submergindo-o forçosamente por diversas vezes, vindo a cessar seus atos somente após verificar que a vítima já não esboçava mais reação”.
Depois, conforme o promotor, ele foi obrigado a se deslocar sozinho até o Batalhão do Corpo de Bombeiros, a mando de Ledur, para justificar sua incapacidade de continuar no treinamento.
Em seguida, foi para a Policlínica do Verdão, onde seu quadro clínico piorou e acabou morrendo.
Ainda de acordo com Motta, mesmo que a conclusão pericial tenha apontado que a causa do óbito foi hemorragia cerebral decorrente de causa natural, é fato que o sofrimento físico e mental retratado nos "caldos" levaram a vítima ao seu extremo e ocasionaram seu falecimento.
O caso Rodrigo Claro morreu em 15 de novembro de 2016, 5 dias após ser internado em hospital particular de Cuiabá.
Ele participava de treinamento de salvamento aquático na Lagoa Trevisan, curso do qual a oficial era instrutora. Conhecida por sua conduta enérgica e até agressiva, a tenente teria perseguido o soldado, sabendo da dificuldade que ele apresentava durante o treinamento.
No curso, o jovem passou mal após sofrer vários “caldos” e foi impedido pela tenente de deixar a aula, mesmo relatando o mal estar. Já sem forças para continuar, ele saiu do treinamento e foi buscar socorro médico.
Da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Verdão, ele foi encaminhado para o Hospital Jardim Cuiabá, onde faleceu.