26/08/2021 às 16h37min - Atualizada em 26/08/2021 às 16h37min

A força do grão

Max Russi, deputado estadual e presidente da AL - MT
“Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo”. Começo esse artigo com esse belo conceito de Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C) que é tão atual como há mais de dois mil anos atrás. O mundo segue mergulhado na pandemia de covid-19 e uma nova onda ameaça o fechamento de países cujo relaxamento de protocolos sanitários se mostrou precoce, contudo, Mato Grosso, estado cujo PIB é comparado a pequenas nações, desponta como o responsável por assegurar que a economia brasileira não pare.

Essa descrição pode aparentar que tudo está muito bom e que não há o que melhorar. Já adianto que não é bem isso. A mesma localização geográfica que permite solo e clima propício para o cultivo é um fator que dificulta e muito a escoação dessa produção. São pelo menos 2 mil quilômetros para qualquer lado antes de chegar a um porto com estrutura, é muito chão para levar muita produção.

Voltando ao princípio do texto, a alavanca nós já temos muito bem estruturada, construída com o melhor material e integrando as melhores técnicas, estou falando do setor produtivo do agronegócio. Produzimos com os melhores índices de aproveitamento do mundo, em números absolutos não há nem o que se falar. Porém, uma alavanca sozinha não move nada. O que muitos se esquecem é da importância do ponto de apoio. Sem ele não há força aplicada e todo esforço é em vão e inerte, como premissa tem que ser fixo e solido o bastante para suportar os esforços de torque que essa alavanca fará. Será que hoje temos esse ponto de apoio como deve ser?

A resposta é simples: não.

Neste ponto que começamos a entender a importância de ações e projetos como a continuidade da duplicação da BR-163/364 e a criação e implantação da ferrovia apelidada como “FERROGRÃO” para a potencialização de nossa capacidade operacional. Falando primeiro da rodovia, que já é bem conhecida por todos, após concessão deveria estar duplicada até o norte do Estado, no município de Sinop, na prática pouco foi feito, mesmo sendo cobrado pedágio e anos terem se passado do seu cronograma inicial. Essa é uma luta que estou travando para resolver e dar segurança para que utiliza essa “BR”, os casos de acidentes são diários e o impacto no custo de escoamento da produção também é sentido na ponta.

A FERROGRÃO é o sonho dourado de nosso estado, um legado que ficará para as próximas gerações e que a Assembleia de Mato Groso vem dando todo o apoio e suporte ao executivo. Além do obvio escoamento de grande parte de nossa produção com a integração ao sistema nacional ferroviário, esse modal terá grande capacidade de abastecer o Estado com os produtos vindos de fora, principalmente combustíveis, alimentos e produtos industrializados como um todo, é redução de custo para você que compra a sua geladeira ou sua televisão.

Será uma quebra de paradigma no país, como exemplo, uma composição ferroviária transporta o equivalente à 280 caminhões completamente carregados com um custo por tonelada bem inferior.

A construção desse ponto fixo passa por diversos fatores, alguns de ordem política que estamos tratando de desembaraçar e acelerar, alguns no campo ambiental que tem que ser bem cuidado e criterioso, não queremos o progresso a qualquer custo, tem que ser feito da forma certa. E por último, a extensão de todos esses benefícios para a população em geral, criando um cenário de qualidade de vida que torna o ciclo virtuoso. Sem inclusão da população nesses avanços não há porque Mato Grosso encampar essa luta, afinal, não queremos bolsões de riqueza em meio a um mar de miséria.

Max Russi – Presidente da ALMT
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