29/07/2021 às 10h32min - Atualizada em 29/07/2021 às 10h32min

Advogado contratou avião para jogar sementes onde vítimas foram mortas

RD News
Araguaia Notícia
Nome em contrato de compra e venda de terra na Gleba Taquaruçu do Norte, na zona rural de Colniza ( a 1.114 km de Cuiabá), onde 9 pessoas foram brutalmente assasinadas, foi o que levou a Polícia Civil a chegar no mandante da chacina que ocorreu há quatro anos. O documento estava em nome do advogado e empresário Marco Túlio dos Santos Duarte, cujas informações o apontaram ao final do inquérito como o mandante da chacina.

Os investigadores analisaram materiais apreendidos, depoimentos e a produziram dezenas de relatórios que, diferente das apurações iniciais, levaram aos três investigados pela chacina. Uma das testemunhas ouvidas pela Polícia Civil confirmou que levou os executores até o local da chacina.

Outra testemunha corroborou dados levantados em campo durante a apuração de que o advogado teria locado uma aeronave para jogar sementes onde as vítimas foram mortas – uma área aberta - o que confirma que ele tinha intenção de formar pastagem no local que adquiriu anteriormente.

As diligências reuniram informações coletadas nas cidades de Chupinguaia, Machadinho d'Oeste, Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, São Felipe d'Oeste, Rolim de Moura, Alto Alegre dos Parecis, todas em Rondônia; em Rurópolis, no Pará, e em nas cidades da região de Colniza. A investigação que culminou com o indiciamento do mandante e executores foi concluída em junho do ano passado.

Na última semana, o Ministério Público Estadual denunciou mais três pessoas por homicídio qualificado na chacina ocorrida no distrito de Taquaruçu do Norte, em abril de 2017. 

Eles também vão responder por supostamente integrar um grupo de extermínio. A denúncia do MPE é resultado de uma nova linha de investigação seguida pela Polícia Civil, a partir de informações recebidas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, que apontou outros motivos para a execução do crime e a participação de mais pessoas, sendo um mandante e dois executores.

A primeira fase da investigação realizada por uma força-tarefa, com participação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá e a Delegacia de Colniza, identificou quatro executores e um mandante do crime, que foram denunciados pelo MPE ainda em 2017.

Posteriormente, a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso recebeu novas denúncias apontando que as pessoas inicialmente indiciadas na primeira investigação não seriam as mesmas que agiram como mandante e executoras do crime.

Conforme o Ministério Público, o advogado e empresário Marco Túlio, o agricultor Alcides Aberlardo Siebe e Cleisson Palharim agiram “cientes da ilicitude e reprovabilidade de suas condutas, por grupo de extermínio e sob pretexto de prestação de segurança privada”, matando nove pessoas por motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Histórico

Um madeireiro e outros homens acusados de planejar e executar a chacina já haviam sido denunciados pelo MPMT no ano de 2017. O Tribunal de Justiça reconheceu a ausência de provas contra quatro deles, para levá-los ao julgamento pelo Tribunal do Júri, e existe uma ação em curso, em fase de recurso.

Segundo a Promotoria de Justiça de Colniza, há compatibilidade entre as denúncias anteriormente formuladas e a apresentada nesse momento, pois havia vários interesses em jogo (extração de madeira e utilização para agropecuária) em relação à área em disputa. ( Com Assessoria)
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