23/04/2021 às 20h54min - Atualizada em 23/04/2021 às 20h54min

Quadrilha que movimentou R$ 145 milhões refinava droga e lavava dinheiro em empresas

Olhar Direto
Araguaia Notícia
A quadrilha alvo da operação 'Calcanhar de Aquiles', deflagrada nesta sexta-feira (23) pela Polícia Civil de Pernambuco e que teve apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), comandada pela delegada Juliana Palhares, fazia o refino da droga em Mato Grosso e utilizava empresas deste Estado para lavar dinheiro. Ao todo, o grupo movimentou cerca de R$ 145 milhões com a venda de entorpecentes. 

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (23), a Polícia Civil de Pernambuco detalhou o esquema. De acordo com o delegado Mário Melo, titular de Barreiros (PE), a operação teve início a partir da análise do conteúdo de um celular de um traficante que atuava na cidade e foi preso.

“Identificamos que havia depósitos e vultosos de valores totalmente incompatíveis com a capacidade financeira daquele cidadão e de outras pessoas aos quais ele fazia essas transferências”, explicou o delegado.

O esquema, de acordo com Melo, funcionava da seguinte maneira: um grupo atuava com refino de cocaína, em Mato Grosso, e em Pernambuco, era feita a compra da droga.

Havia um núcleo local que contava com um braço em Mato Grosso. Esses criminosos usavam pessoas próximas ou da família, que não tinham envolvimento direto nas ações, para lavar o dinheiro.

“Os seus nomes eram utilizados para serem abertas contas bancárias e empresas, justamente para dar aparência lícita desses valores auferidos com a venda de entorpecentes”, explicou o delegado.

Ao todo, ficou constatada a participação de cinco empresas de fachada com utilização de laranjas. "Três delas ficam em Minas Gerais e duas em Mato Grosso. Elas movimentavam milhões e não tinham sócios nem funcionários”, disse Mário Melo.

Em Mato Grosso, foram feitas duas capturas. Os líderes já estavam presos em Pernambuco.

Nesta sexta-feira (23), são cumpridos 15 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão expedidos pela Vara Criminal de Barreiros (PE). Em Mato Grosso, foram cumpridas 11 ordens judiciais, sendo dois mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão, nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

Por determinação da Justiça, houve bloqueio de R$ 90 milhões em bens. Segundo a Polícia de Minas Gerais, a organização criminosa usava empresas de fachada para realizar a lavagem de dinheiro. 

As investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia da 72ª Circunscrição de Barreiros, integrante da 13ª Delegacia Seccional de Polícia de Palmares (13ª Desec), foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel), e contaram com o apoio do Laboratório de Lavagem de dinheiro (LAB) do estado.

A operação conta com a participação de 70 policiais civis, além do apoio operacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública por meio da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) e da Polícia Civil de Mato Grosso (PC-MT). (Com informações do G1/PE)
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