02/04/2021 às 12h16min - Atualizada em 02/04/2021 às 12h16min

Previsão é de chuva na região de Barra do Garças neste começo de abril

Giro do Boi
ARAGUAIA NOTÍCIA
Nesta sexta, 02/04, o meteorologista e doutor em ciência ambiental pela USP Marcelo Schneider, coordenador regional do Inmet, o Instituto Nacional de Meteorologia, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, trouxe mais uma previsão do tempo para o Giro do Boi. Destaque para resposta ao telespectador Ricardo dos Santos, de Barra do Garças, no lado mato-grossense do Vale do Araguaia, sudeste do estado, que perguntou sobre chuva na próxima semana.

“Vai ter algumas áreas de chuva não só no Norte do Brasil, mas também em áreas próximas de Barra do Garças com precipitação”, resumiu Schneider.

O especialista apontou ainda as previsões do tempo para os próximos dias em todo o Brasil. “Nessa projeção, entre segunda e quarta-feira, a gente percebe que no sul do continente essas massas de ar frio, esses pulsos vão ficar estancados mais ao sul. Por outro lado, aqui no leste de São Paulo, outras áreas de São Paulo e Rio de Janeiro, dentro do Oceano Atlântico, outras áreas de perturbação vão fazer com que haja instabilidade não só próximo ao leste da região Sudeste, mas também tem uma outra perturbação que passa aqui pela região Sul do Brasil”, resumiu.

CHUVAS

“No mapa da sexta e sábado, a umidade fica mais concentrada ao Norte e algumas áreas beliscando a parte mais oeste do Matopiba, a noroeste da Bahia. Sul da Bahia nesta quinta para sexta-feira vai ter alguns acumulados importantes de precipitação, mas a chuva vai se deslocando aos poucos para Tocantins, pegando novamente o norte de Mato Grosso, mas ficando a umidade concentrada na região equatorial, indo ali mais para a região do Pará e Amazonas”, anunciou Schneider.

O meteorologista emitiu ainda alertas de tempestade. “Chuvas intensas são previstas durante o sábado, que cortam aqui parte do sudoeste da Bahia, norte de Minas, pega entre Goiás, Tocantins. […] Tempestade lá para terça-feira, sinalizando na divisa de Mato Grosso, próximo à região do Triângulo Mineiro, pegando também o sul de Goiás. […] São áreas de tempestades com muito raio e alguma chance de granizo nesta área de divisa de Mato Grosso do Sul com Mato Grosso”, visou.

Segundo revelou o coordenador regional do Inmet, o Centro-Oeste ainda receberá algumas chuvas nos próximos dias. “De domingo até terça os mapas mostram ainda essa organização de umidade. Ela desce aqui mais para Mato Grosso, então, para os agricultores, volta a ter períodos de umidade. Chuva não tão intensa quanto a da semana anterior, mas volta a ter umidade. Muitos estão finalizando a colheita, as máquinas têm que ir para o campo, então é muito importante ter uma janela de tempo seco para fazer a colheita”, ponderou.

Mas depois disso, segundo Schneider, o tempo muda para o que é tradicionalmente observado no outono. “Vai começar a ter um período seco um pouco mais prolongado na área Central do Brasil”, adiantou.

+ Chuva abaixo do normal e chance de geada precoce: veja previsão para o outono de 2021

O outono, ao menos neste início de estação, não chega trazendo temperaturas muito baixas, analisou o especialista. “A gente já sentiu um clima mais de outono em algumas regiões do Brasil, principalmente no leste e Sul, mas a temperatura não vai se alterar tanto. As mínimas previstas para sexta e sábado nesta parte em azul ficam abaixo dos 14, 12 a 10º C. Em áreas de serra, entre 6 e 7º C. […] Não há previsão nos próximos dias de geada. As temperaturas vão permanecer um pouco mais amenas nesta parte leste do Brasil. De domingo a quarta-feira, os mapas mostram calor nesta parte Central do Brasil. Tem uma tendência de diminuir de novo na próxima semana nesta faixa mais a leste em virtude das chuvas e da incursão da massa de ar frio oceânica, mas não tem massa polar forte ou de ar frio intensa prevista para os próximos dias, só a continuidade desse ar frio oceânico que pega as capitais, o leste de São Paulo, sul de Minas e diminui um pouquinho toda a parte central e leste de Minas Gerais. Diminui bastante em relação a semanas anteriores, mas não chega a afetar diretamente a região mais Central do Brasil”, tranquilizou.

Schneider especificou o volume de chuvas nas áreas previstas para receberem precipitações. “Algumas áreas no oeste da Bahia, as precipitações principalmente de quinta para sexta-feira têm acumulados passando dos 50 mm. Interior aqui do Maranhão pegando parte do centro-norte do Tocantins, […] Rondônia, algumas áreas do Acre podendo passar dos 50 mm. No noroeste do Rio Grande do Sul, tem uma mudança no padrão de sábado para domingo e pode ter algumas chuvas nas áreas das Missões, oeste de Santa Catarina, Paraná, algumas áreas do interior na virada do final do domingo para segunda-feira”, projetou.

O meteorologista também antecipou o clima do período seguinte, já entrando na segunda semana de abril. “No clima de abril, a tendência é que fique uma área um pouco mais seca em parte da região Centro-Sul do Brasil e chuvas ainda continuando nesta parte Norte e Nordeste. O Nordeste, em algumas áreas, a chuva vai ser bem intensa em função da água mais aquecida. […] Em contrapartida, algumas áreas do interior podem ter chuva um pouco abaixo. Então chuva bastante variável, mas vai ter, sim, precipitações também em parte da região aqui do Nordeste do Brasil”, mostrou.

O profissional também atendeu outro telespectador, Marcelo Ferreira, de Campina Verde, município do Triângulo Mineiro, que perguntou se houve chuvas abaixo do normal em sua região em 2019 e 2020 e se existe uma tendência para os próximos anos.

“A gente mostra alguns mapas do índice de precipitação padronizada, que é um indicativo de estiagem, principalmente quando o período sem chuva é mais prolongado e, aí sim, causa não só problema na agricultura, nas plantações, mas também no abastecimento de água. A gente percebe nos mapas aqui pegando acumulado de dezembro de 2020 e 2019 que as áreas mais críticas ficaram, no ano passado, principalmente naquela região do Pantanal, parte de Mato Grosso, algumas áreas do Sul onde ocorreram muitas queimadas e temperaturas elevadas, algumas áreas pontuais do Centro e beliscando algumas áreas bem próximas à região do Triângulo Mineiro. Em compensação, em 2019 dá para perceber que a seca ficou um pouco mais ao norte, e não só na região do Pantanal, mas pegou de forma mais crítica a região do Nordeste do Brasil. Então, em suma, não teve uma condição tão crítica, exceção mais ao fim de inverno e primavera, quando as temperaturas ficaram bem elevadas, principalmente entre 2019 e 2020, mas de maneira geral chuva mais abaixo do normal ficou mesmo em outras regiões”, esclareceu.
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