27/03/2021 às 17h24min - Atualizada em 27/03/2021 às 17h24min

Governo de MT envia livros didáticos bilíngues à comunidades indígenas

A primeira remessa segue para aldeia Kururuzinho

Araguaia Notícia

Livros didáticos da educação indígena, lançados pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), começam a ser distribuídos às aldeias de Mato Grosso. Os livros são inéditos e foram também estão disponíveis em formato e-book. Veja aqui. Os livros de matemática são bilíngues, impressos em português e na língua materna de cada etnia. Foram impressos 5.800 exemplares, com 11 volumes, destinados a oito etnias.

Um pacote de livros que segue para a Escola Estadual Indígena Itaawyak, da Aldeia Kururuzinho, da etnia Kayabi, localizada entre os municípios de Apiacás (1.010 km Norte de Cuiabá, percorridos de carro) e Jacareacanga (PA), chega ao destino ainda esta semana. O servidor público Rômulo Santana Balieiro pegou os livros na sede da Seduc na quinta-feira (25). 

Quando chegar ao município, a assessora pedagógica Érika Motta do Carmo vai receber o material e preparar o envio. Os livros serão entregues junto com os kits de alimentação escolar.

Érika do Carmo relata que primeiro terão que enfrentar 190 km de estrada de chão, até o Porto do Meio, que fica na divisa de Mato Grosso com o Pará. O período de chuvas torna o trajeto mais complicado.

Superando este trecho, começa o caminho por água. Das margens do rio São Benedito, servidores da Seduc e da prefeitura seguem pelo rio Teles Pires, onde está localizada a aldeia Kururuzinho.

"Esse percurso, no período da cheia, demora mais de três horas. Já no período da seca, quase cinco horas", conta Érika. 

Os livros

Os livros de matemática são bilíngues, impressos em português e na língua materna de cada etnia. Foram impressos 5.800 exemplares, com 11 volumes, destinados a oito etnias.

Os povos atendidos são: Manoki (Irantxe), Cinta Larga, Haliti (Paresí), Kaiaby, Myky, Rikbaktsá, Nambikwara (Sabane, Katitaurlu e do Vale do Guaporé), Terena e Pangyjej (Zoró).

Superintendente de Diversidade da Seduc-MT, Lúcia Aparecida dos Santos afirma que ver os livros finalmente sendo enviados para as aldeias é um sonho realizado.

O material foi desenvolvido durante a formação de magistério intercultural do Projeto Haiyô da Seduc, há quase 10 anos. Desde então, o convênio para a impressão dos exemplares, com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), estava parado e havia o risco de perder o recurso.

“Estes livros são inéditos no país. São poucos os materiais didáticos e paradidáticos existentes à disposição da comunidade indígena, pois a diversidade de etnias é grande. Por isso, a imensa importância de termos conseguido imprimir o material, pois é, na verdade, mais um marco na evolução da educação indígena”, comemora a superintendente.

Lúcia explica que os materiais didáticos têm como fundamento apresentar os princípios matemáticos em cada etnia e são direcionados para os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Coordenador de Educação Escolar Indígena da Seduc, Lucas de Albuquerque Oliveira, que acompanha esse processo desde o início, afirma que a entrega destes livros nas aldeias representa “a coroação de sonhos pessoais, coletivos e institucionais rumo ao respeito e valorização dos povos indígenas do estado de Mato Grosso”.

Secretário de Estado de Educação, Alan Porto fez questão de enfatizar o empenho dos servidores da superintendência de Diversidade, que não se cansam mesmo diante das tantas dificuldades enfrentadas para conseguir garantir, dia após dia, melhorias tanto para os alunos indígenas, como para os de alta habilidade, surdos e mudos.

“Certamente estes livros serão fonte de riquezas culturais, materiais e imateriais, que permeiam o cotidiano das comunidades e refletirão no futuro, não somente como uma imagem ou um texto, mas também como um instrumento da identidade de cada um dos seus autores”, destaca o secretário.

Material aguardado

A Escola Estadual Indígena Itaawyak foi construída por meio de uma parceria da Seduc com a empresa São Manoel Energia, e foi entregue em agosto de 2019.

São seis salas de aula, laboratório de informática, refeitório, quadra poliesportiva e alojamento para os professores. Atualmente, possui 159 alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além disso, possui cinco salas anexas. Ao todo, atende quatro aldeias e três etnias: Kayabi, Munduruku e Apiacá.

A unidade é atendida por professores índios e não índios. Os professores índios possuem formação de Ensino Médio, Magistério e há três com nível superior.

A entrega dos livros é aguardada de forma particular pelo professor Arlindo Kayabi, que possui nível superior justamente em matemática.

Os professores não índios possuem formação de nível superior.

Aulas na aldeia

Devido à pandemia, as aulas ocorrem de maneira não presencial. Os professores índios desenvolvem plantões tira dúvidas e atendimento não presencial. Todas as segundas-feiras são repassadas as atividades que deverão ser desenvolvidas ao longo da semana. Na semana seguinte os alunos devolvem o material produzido, que é corrigido, e recebem as novas tarefas.

Os professores não índios não acessam a aldeia neste momento, justamente por conta da Covid-19. O ensino é realizado por meio de apostilas, enviadas mensalmente.

E-books

Os livros foram disponibilizados pela internet (e-books) gratuitamente.  O objetivo é que todos tenham acesso, inclusive os não índios. Os livros foram digitalizados com acesso universal.

Eles podem ser acessados Aqui

Fonte: Andréia Fontes Seduc-MT



 


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