24/02/2021 às 17h28min - Atualizada em 24/02/2021 às 17h28min

Operação investiga técnico em enfermagem suspeito de venda ilegal de abortivos pela internet

Investigado trabalha na farmácia de hospital de Goiânia, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão. Segundo delegada, ele negociava produtos por aplicativos de mensagens e ainda pedia relatos de 'sucesso' às clientes.

G1 GO
Araguaia Notícia
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, na manhã desta quarta-feira (24), a operação "Guga Cytotec", que investiga um técnico em enfermagem de 29 anos suspeito de vender ilegalmente medicamento abortivo pela internet, onde também pedia que as clientes divulgassem relatos de "sucesso" após o uso do produto. Segundo a corporação, ele trabalha na farmácia de um grande hospital de Goiânia, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão, no entanto, não há indício do envolvimento da unidade de saúde na venda ilegal.

O nome do investigado não foi divulgado pela autoridade policial. Portanto, o G1 não conseguiu localizar a defesa dele para que se posicione sobre as acusações.

A reportagem solicitou por e-mail, às 16h31 desta quarta-feira, um posicionamento sobre o caso ao Conselho Regional de Enfermagem de Goiás (Coren-GO) e aguarda retorno.

De acordo com a delegada Sabrina Leles, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), a investigação se iniciou após a Polícia Civil do Distrito Federal receber uma denúncia de que o profissional é administrador de um grupo de um aplicativo de mensagens onde ele comercializa o medicamento abortivo.

“A Polícia Civil do DF compartilhou as informações conosco de que um administrador de um grupo estava amplamente comercializando remédio abortivo pela internet. Com esses dados, foi verificado que se tratava de um morador de Goiás. Nós conseguimos chegar até esse técnico em enfermagem, que estava comercializando comprovadamente esses medicamentos”, afirmou.

As investigações apontaram que, com o objetivo de comprovar a eficácia do medicamento, o investigado solicitava que as mulheres que já tinham adquirido o abortivo enviassem relatos de que haviam conseguido realizar o procedimento com sucesso. Ainda segundo a polícia, nas mensagens, o homem ressaltava que a medicação fornecida por ele era original e que ele não se responsabilizava por outros medicamentos comercializados no grupo.

Técnico em enfermagem suspeito de venda ilegal de abortivos pela internet — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Técnico em enfermagem suspeito de venda ilegal de abortivos pela internet — Foto: Divulgação/Polícia Civil



Além do mandado de busca e apreensão cumprido no local de trabalho do profissional, a corporação também fez buscas na casa do investigado e na residência da namorada dele. De acordo com a polícia, os policiais apreenderam R$ 6,9 mil em dinheiro, um celular, cartões bancários e pen-drives.

“Foi realizada busca e apreensão também na farmácia do hospital para a gente verificar se era dali que ele tirava esses medicamentos. Só que nessa farmácia não foi encontrada essa mesma medicação, o que nos demonstrou que existe uma parceria com terceiras pessoas. Então, as investigações continuam agora para identificarmos essa origem, inicialmente não comprovada, de onde ele obtém acesso a essa medicação”, afirmou.

Segundo a delegada, o investigado deve ser indiciado pelo crime de venda e exposição à venda de produtos destinados a fins medicinais, de procedência ignorada. Se comprovada a autoria, o profissional pode pegar até 15 anos de prisão.
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