13/10/2020 às 13h41min - Atualizada em 13/10/2020 às 13h41min

'São 90 dias sem justiça', diz mãe de Isabele durante homenagem à filha morta pela amiga em Cuiabá

Os amigos e familiares usavam roupas brancas, levaram cartazes pedindo justiça e percorreram em carreata pelos principais trechos da capital.

G1 MT
ARAGUAIA NOTÍCIA
A família e os amigos da adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, morta por uma amiga da mesma idade no dia 12 de julho deste ano, em um condomínio de luxo, em Cuiabá, fizeram uma carreata e homenagens à garota nessa segunda-feira (12). A data marca 90 dias do assassinato.

A mãe de Isabele, Patrícia Ramos, afirmou que gostaria que a menina estivesse com ela e a família no Dia das Crianças.

“Eu sei que ainda vão ter muitos dias que vão acontecer e ela não vai estar comigo. Eu acordo todos os dias e eu tento não pensar nisso para continuar vivendo. São 90 dias sem justiça”, disse a mãe.

Os amigos e familiares usavam roupas brancas, levaram cartazes pedindo justiça e percorreram em carreata pelos principais trechos da capital.

O que aconteceu na casa no dia da morte de Isabele?

A polícia concluiu que, no dia do crime, o namorado da adolescente levou duas armas na mochila para a casa da autora do disparo. Quando chegou na casa dela, ele tirou as munições delas e as armas circularam pelas mãos das pessoas que estavam no local, sem munição.

As armas continuaram no local, expostas, e estavam na mesa da sala para manutenção. “Havia visitas na casa, não eram só os filhos, e para nós causou perplexidade. Na casa também não havia cofres para guardar as armas”, disse o delegado Wagner Bassi, durante coletiva no dia 2 de setembro sobre a conclusão do inquérito.

Depois, o namorado pegou o carregador que estava na mochila e municiou uma das armas. Ele guardou as armas no case e deixou no sofá da sala.

Às 21h59, o adolescente saiu da casa.

A adolescente então pegou as armas e levou para o quarto dela.

No quarto dela, ela deixa uma das armas no case e pega a outra que estava municiada. Ela foi para o banheiro, onde a vítima estava fumando cigarro eletrônico. Elas ficam no banheiro 1 minuto e 18 segundos e nesse intervalo de tempo acontece o disparo.

Pela altura do disparo e pela distância, é possível dizer que as duas estavam em pé e próximas uma da outra.

A arma tinha sido municiada na cama, com golpe do ferrolho, e com isso ela tinha condições de disparar. Mas não se sabe o momento em que isso aconteceu.

As câmeras da casa são ativadas por movimento. Então, quando a porta abre, inicia a gravação com uma gritaria depois que o crime já tinha acontecido e pedidos de socorro.

O crime ocorre entre a saída do namorado e esse segundo momento, da gritaria na casa.

A adolescente alegou que o case caiu e quando ela foi pegar, a arma disparou acidentalmente. As análises da perícia identificaram marcas de sangue, por meio do luminol, reagente químico, sangue na arma, na roupa dela e no chão.

“Não havia sangue, então aquela versão foi descartada. Por que se ela tivesse do jeito que disse, esse sangue teria espirrado no case, mas o case não estava na cena do fato”, explicou o delegado.

Pela forma que a vítima caiu, não teria como o tiro ter sido disparado do local onde a adolescente disse em depoimento à polícia, segundo a investigação. Ela havia alegado em depoimento que estava do lado de fora do banheiro.

“Pela nossa estrutura corpórea, a gente diz que desliga a vítima, porque pega uma parte do crânio que a pessoa não sente nem dor, porque pega o eixo do cérebro com o corpo, e faz com que a vítima caia reta, mas nessa posição joga o corpo para trás. Então, se a pessoa que atirou estivesse na porta, a vítima teria que cair de outra forma”.

Houve alterações no corpo para os primeiros socorros, mas continuou no mesmo lugar.

Apreensão da adolescente

O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), que uma semana depois de receber o caso pediu à Justiça a internação da adolescente que atirou.

A Justiça então determinou a internação dela e no dia 15 deste mês ela se apresentou na Delegacia Especializada do Adolescente e foi levada para o Centro Socioeducativo de Cuiabá.

No dia seguinte, menos de 14 horas da internação, ela foi solta. A defesa conseguiu um habeas corpus e ela foi liberada de cumprir medidas socioeducativas.
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