02/10/2020 às 19h15min - Atualizada em 02/10/2020 às 19h15min

Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal

Voluntário da ONG Ampara Animal, André Nicolai e Silva atua na linha de frente no hospital universitário da UFTM recuperando diferentes espécies prejudicadas pelos incêndios no bioma.

G1 MT
ARAGUAIA NOTÍCIA
Um médico veterinário viajou mais de 1.200 km, de São Carlos (SP) para Cuiabá (MT), e está atuando como voluntário no cuidado e recuperação dos animais vítimas das queimadas registradas desde setembro no Pantanal.

O bioma tem cerca de 2 mil espécies de plantas, 580 de aves, 280 de peixes, 174 de mamíferos, 131 de répteis e 57 de anfíbios e a maioria sente os efeitos das queimadas e sofrem com queimaduras graves.

O Pantanal teve, em setembro, 8.106 focos de incêndio, apontam dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e registrou o pior mês em número de focos de incêndio no bioma desde 1998, quando começou o monitoramento do instituto.

Trabalho voluntário

André Nicolai e Silva está no hospital universitário da UFTM, em Cuiabá — Foto: Arquivo pessoal

André Nicolai e Silva está no hospital universitário da UFTM, em Cuiabá — Foto: Arquivo pessoal



André Nicolai e Silva, que também é professor universitário, viajou há uma semana para trabalhar como voluntário no hospital universitário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFTM), que foi transformado em base de urgência para atender animais queimados em estado crítico. A viagem foi custeada pela ONG Ampara Animal.

“Temos desenvolvido um trabalho muito importante aqui de forma geral. Além do hospital, existem outras bases de resgate e atendimento no pantanal e a ONG está conseguindo dar um suporte muito bom. Eles conseguiram arrecadar verba através de campanhas, eles têm conseguido ajudar tentando suprir todas as necessidades que precisamos", contou.

De acordo com o veterinário, a vontade de ajudar surgiu quando viu as imagens dos bichos queimados e dos corpos. Ele precisou se preparar psicologicamente para encarar de perto o cenário de destruição.

"Eu vim pensando que ia ser bem tenso e intenso, e é bem intenso como esperava, mas com uma carga emocional muito grande, porque são pacientes muito críticos. Lógico que cada pequena conquista é uma vitória grande. Você vê que a equipe fica no limite porque tem uma carga emocional pesada e pelo que vimos nas projeções é realmente algo grande", contou.

Atendimentos

Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal

Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal



Os animais que são resgatados no meio das queimadas são rapidamente avaliados e enviados para uma base específica de acordo com sua situação atual. Em sete dias, Silva atendeu uma grande variedade de espécies em estados extremamente graves. O socorro é diário, mas em uma semana, foram cerca de 20 pacientes em sua base.

De acordo com André, as bases recebem capivaras, jacarés e onças pintadas, mas os maiores pacientes de urgência são os tamanduás. Ao todo, são três médicos veterinários e seis médicos residentes que estão 24 horas de plantão.

"Tem algumas espécies que nem chegam para a gente e outras que nem são dimensionadas porque mamíferos, aves, répteis são mais palpáveis e são vistos de forma mais comum naquele bioma, mas imagina quantos invertebrados, peixes e outros já foram afetados", contou.

Segundo o professor, a previsão é de que o trabalho continue durante um mês, mas o prazo pode se estender caso a situação se agrave ainda mais.

Incêndios no Brasil

Incêndio no Pantanal — Foto: JN

Incêndio no Pantanal — Foto: JN



Três meses antes de terminar, 2020 também já é o ano com o maior número de focos de incêndio no Pantanal: de 1º de janeiro até 30 de setembro, foram 18.259 focos. Antes disso, o maior número havia sido registrado ao longo de todo o ano de 2005: 12.536. A alta é de cerca de 46%.

A Amazônia também teve alta no número de focos de incêndio: em setembro de 2019, foram 19.925 focos de calor; neste ano, o mesmo mês teve 32.017 focos, uma alta de 61%. O número ficou um pouco abaixo da média histórica para o mês, que é de 32.812 focos. A maior alta para o mês foi em 2007, com 73.141.

Há, ainda, uma alta no total anual de focos de incêndio. De janeiro até 30 de setembro de 2019, haviam sido registrados 66.749 pontos de fogo na floresta. Neste ano, eram 76.030, aumento de 14%.

Até 31 de agosto, dado do Inpe mais recente disponível, o Brasil perdeu 53.019 km² de mata nativa da Amazônia e do Pantanal juntos. O número é equivalente a 34 cidades de São Paulo, ou quase a soma das áreas dos estados de Sergipe e Alagoas.

Veja abaixo fotos de animais em tratamento. As imagens são fortes.

Aviso imagens fortes — Foto: Arte/G1

Aviso imagens fortes — Foto: Arte/G1



Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal

Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal



Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal

Veterinário de São Carlos viaja 1,2 mil km para cuidar de animais queimados no Pantanal — Foto: Arquivo pessoal



*Com informações do portal ACidade ON São Carlos.
 
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