28/11/2013 às 10h10min - Atualizada em 28/11/2013 às 10h10min

PF tem “dossiê explosivo” com nome de juiz, políticos e até conselheiros

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Em poder da Polícia Federal um “dossiê explosivo”, cujos efeitos, uma vez revelados, serão muito piores – ou melhores, dependendo do ponto de vista – que a Operação Arca de Noé, que transformou em escombros o império dominado pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Agora, os negócios envolvendo a “factoring fantasma” do empresário Junior Mendonça, da rede Amazônia Petróleo, envolve membros do Poder Judiciário, políticos com mandato eletivo e chega a até conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Nesta segunda-feira, 25, agentes da PF cumpriram mais uma etapa da Operação Ararath. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, todos na cidade de Cuiabá. E os resultados, segundo uma fonte da instituição policial, foram satisfatórios. “Eu diria, foram altamente auspiciosos” – comentou. Ele admitiu que outras incursões em instituições públicas e residências poderão ser deflagradas.

Um dos próximos alvos da PF seria integrantes do Tribunal de Contas. No chamado “dossiê explosivo” consta um esquema de movimentação financeira que pode desaguar no sistema de ocupação de vagas dentro da corte. Junior Mendonça, segundo uma fonte ligada ao caso, teria assinalado em registros o caminho que o dinheiro fazia para se atingir os objetivos propostos.

Na operação desta terça-feira, foram apreendidos aproximadamente R$ 230 mil em espécie. Porém , o que mais chamou a atenção foram os diversos documentos, comprovantes de depósito, celulares e mídias. “A documentação é farta e importante para subsidiar as investigações” – acentuou.

Dois gabinetes ocupados por policiais federais chamaram a atenção: um do juiz Julier Sebastião da Silva – o mesmo que assinou as ordens de prisão contra Arcanjo na Operação Arca de Noé; o outro, do presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Gean Castrillon. Houve também incursão em casas de empresários. Um deles, o lobista Osvaldo Cabral, que seria proprietário de um carro, uma Mitsubish Pajero blindada que estava em poder do magistrado.

Cabral é investigado no esquema de lavagem de dinheiro, chegou a ser preso em flagrante por porte ilegal de munição. Ele pagou fiança e foi liberado. O lobista, que já teve atuação destaca no centro das decisões políticas, atuando como assessor, seria um dos articuladores do projeto político de Julier.

As investigações tiveram início em 2011 com a finalidade de apurar a prática de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, através da operação clandestina de instituição financeira, a chamada “factoring fantasma”, e lavagem de dinheiro. O grupo investigado utilizava-se de empresas como fachada para concessão de empréstimos a juros a diversas pessoas físicas e jurídicas no Estado, tendo como base operacional a empresa Globo Fomento Mercantil, em Várzea Grande, que oficialmente encerrou suas atividades em 2012.

Em seis anos, o esquema teria movimentado mais de R$ 500 milhões.De acordo com a Policia Federal, as investigações referentes à Operação Ararath prosseguem sob segredo de justiça.


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