09/08/2020 às 19h06min - Atualizada em 09/08/2020 às 19h06min

Missão Xavante enviada por Bolsonaro chega ao território indígena de São Félix do Araguaia

Ascom / Ministério da Defesa
ARAGUAIA NOTÍCIA


Às margens do Rio Araguaia, bem próximo ao município de São Félix do Araguaia, na divisa entre o Mato Grosso e o Tocantins, vivem os índios da aldeia de Santa Isabel. Mesmo sob a proteção da Reserva da Biosfera da Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de 20 mil quilômetros quadrados, os Karajás também sofrem as consequências da pandemia provocada pelo novo coronavírus. Três novos casos foram confirmados pelas equipes de saúde das Forças Armadas, que integram a segunda fase da Missão Xavante.

Ao todo, foram 385 procedimentos realizados ao longo da terça-feira (04), entre triagens, testes rápidos de Covid-19 e consultas médicas com clínicos gerais, pediatras e ginecologistas/obstetras. A Tenente Camila Reis de Santana é uma das profissionais de saúde que deixou a unidade onde atua, a Policlínica Naval de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, para participar da operação. “Meu sentimento é de profunda admiração pelos povos indígenas. Tento trabalhar da forma mais humana e generosa possível. O que posso fazer é oferecer para eles os serviços e os saberes que a ciência produz nos grandes centros urbanos”, relata a enfermeira.

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Uma média de 900 indígenas vivem em Santa Isabel. O líder da comunidade, o cacique Juanahu Karajá, assegura que “o apoio chegou numa boa hora para a nossa comunidade. Vai nos ajudar muito”, declarou.

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O Polo São Félix do Araguaia, do Distrito Sanitário Especial Indígena Araguaia (DSEI Araguaia), é responsável por cerca de 6 mil indígenas. Existem sete diferentes etnias na região, entre eles, os Karajás. Além de conter o avanço da pandemia no âmbito dessas comunidades, o atendimento médico nas Terras Indígenas busca apoiar os governos locais, evitando a remoção de pacientes para a rede hospitalar municipal. “Começando o tratamento precocemente, diminui a chance de complicação e internação hospitalar. Não precisamos retirar o indígena do seu território para atendê-lo, com um controle sanitário rígido. Todos os profissionais envolvidos realizaram exames de Covid-19 e ainda orientaram quanto ao distanciamento social e ao uso de equipamentos de proteção”, afirma Tatiana Helena Belmonte, coordenadora das ações da Secretaria de Saúde do Mato Grosso na Missão Xavante.

União de esforços
O esforço conjunto envolve equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena e militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que estão percorrendo as Terras Indígenas do Mato Grosso. Além de diagnosticar casos suspeitos de Covid-19, também distribuem álcool em gel 70% e kits de higiene. Os profissionais dão orientações sobre isolamento social e uso de equipamentos de proteção individual, além de atuar em relação ao diagnóstico e ao tratamento de outras questões de saúde que afetam os indígenas.

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A Funai disponibilizou mil cestas básicas para as comunidades e o Ministério da Saúde enviou uma tonelada de suprimentos médicos, com medicamentos, equipamentos de proteção e testes para Covid-19. Um helicóptero HM-3 Cougar do Exército Brasileiro e embarcações da Marinha são utilizados no transporte de cargas e das equipes de saúde, conforme as necessidades levantadas junto às lideranças indígenas locais.

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Esta segunda fase da operação é coordenada pelo Comando Conjunto Planalto. “Nosso trabalho caracteriza a união de esforço interministerial e de diversos órgãos das esferas municipal, estadual e federal. Com isso, temos a convicção de que os povos indígenas estarão mais protegidos nessa pandemia”, afirma o Comandante do 22º Batalhão de Infantaria, da capital de Tocantins, Coronel Carlos Gabriel Brusch Nascimento.

A segunda fase da Missão Xavante também atendeu a indígenas da etnia Karajá, em Fontoura. Também irá à região de Santa Terezinha nesta quinta-feira (06), na aldeia de Itxala, no Polo São Félix do Araguaia. “Estamos preocupados com essa pandemia. Vários indígenas estão com sintomas de gripe e não sabem se é Covid-19. Por isso, essa ação é tão importante. Pela primeira vez, recebemos atendimento médico na própria aldeia”, relata o cacique Waxio Karajá, da aldeia de Fontoura.

Operação Xavante – fase 2
Para o último dia da missão, no sábado, está prevista uma Ação Cívico Social (ACISO) em benefício da população do município de São Félix do Araguaia, onde a equipe está baseada. Em função da extensa área de abrangência populacional e territorial, a missão Xavante de apoio às comunidades indígenas do Centro-Oeste do País foi dividida em três fases. A próxima e última etapa será de 10 a 16 de agosto, na área do Polo Base Sangradouro, no estado de Mato Grosso.

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Operação Covid-19
O Ministério da Defesa acionou, em 20 de março, o Centro de Operações Conjuntas, para atuar na coordenação e no planejamento do emprego das Forças Armadas no combate ao novo coronavírus. Nesse contexto, foram ativados dez Comandos Conjuntos, que cobrem todo o território nacional, além do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), de funcionamento permanente. A iniciativa integra o esforço do governo federal no enfrentamento à pandemia.

As demandas recebidas pelo Ministério da Defesa, de apoio a órgãos estaduais, municipais e outros, são analisadas e direcionadas aos Comandos Conjuntos para avaliarem a possibilidade de atendimento. De acordo com a complexidade da solicitação, os pedidos podem ser encaminhados ao Gabinete de Crise, que determina a melhor forma de atendimento.

Por Tenente Lauro de Moraes, do Comando Militar do Planalto
Fotos: 2° Sgt Pires - Batalhão de Polícia do Exército de Brasília


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