20/11/2013 às 19h46min - Atualizada em 20/11/2013 às 19h46min

Vítimas e famílias contam como os bandidos agem e como elas matam para roubar

Agencia da Noticia com 24 Horas News
Agência da Notícia

O menino de nove anos se assusta ao assistir um assalto ao vivo, em plena Avenida Historiador Rubens de Mendonça, o coração financeiro e uma das artérias mais movimentadas de Cuiabá. O bandido atacou duas alunas de uma escola de balé e saiu correndo. A mulher se ajoelha e implora para dois ladrões que invadiram a casa dela só roubem objetos e dinheiro, mas mexam com suas filhas de 14 e 16 anos.

Os bandidos passam atirando em um carro deixando os moradores em pânico. O casal é parado na porta de uma loja grã-fina e fica estático com duas armas na cabeça e só consegue pedir “pelo amor de Deus não nos matam”. A onda de roubos e furtos vem aumentando dia a dia em Cuiabá e Várzea Grande. Mas o que mais chama a atenção entanto nestas duas cidades, a falta de policiamento e são as mortes de 28 pessoas, todas trabalhadoras e honestam foram mortas por bandidos em assaltos, também conhecidos como latrocínios: roubos seguidos de mortes.

“Meu Deus. Me leva daqui pai, eu estou com muito medo. Vamos pai, que a Polícia não vai chegar nunca”, foi a reação assustada de um menino de nove anos que caminhava com o pai pela Avenida Rubens de Mendonça no sentido centro-bairro no exato momento onde do outro lado da avenida um bandido atacava duas bailarinas que chegavam à escola de balé.

Na mesma Avenida Rubens de Mendonça, quase em frente à sede do CREA-MT, também em plena luz do dia, na frente de muita gente, um bandido empurra uma estudante que esta no ponto de ônibus e rouba sua bolsa com celular e a carteira com dinheiro. “Fica quieta, se não eu estouro teus miolos”, disse o assaltante à menina de 16 anos.

O bandido saiu correndo, atravessou o córrego e seguiu em direção ao bairro Araés, em Cuiabá. Desesperada, a estudante tentou atravessar à Avenida Rubens de Mendonça para voltar para o colégio e ligar para os pais dela, e por muito pouco não é esmagada por um ônibus.

A menina escapou de mais uma tragédia, pois não chegou a ser atropelada pelo ônibus, e deu graças a deus por estar viva. No mesmo local, outras estudantes e alguns usuários do transporte coletivo já foram assaltados este ano. Uma das vítimas quase sofre um infarto. “Minha mãe de 60 anos perdeu os sentidos quando o bandido engatilhou o revólver na cabeça dela. Desmaiou e quase teve um infarto”, afirmou a filha de 35 anos.

Os bandidos não estão respeitando ninguém. Agem em qualquer lugar e em qualquer horário, por isso as pessoas estão evitando sair de casa, principalmente à noite. Só que, pelo que a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News apurou, os bandidos também não estão dando trégua às pessoas, nem mesmo dentro de suas próprias casas.

“Nós estávamos saindo de carro, quando chegaram três ladrões, todos eles armados. Fomos obrigados - eu meu marido e minhas duas filhas de 14 e 16 anos, pois eles ameaçavam atirar caso fossem contrariados. Tive que me ajoelhar na sala para implorar para que os bandidos não mexessem com as minhas duas filhas, pois tive medo que elas fossem violentadas e assassinadas, pois eles (os banidos) ameaçavam fazer isso o tempo todo”, desabafou a mãe de 40 anos.

Passavam das 21 horas de um sábado, quando alguns homens em carro escuro passaram atirando para o alto, como se estivessem comorando algum feito. Assustados, os moradores que estavam em alguns bares e lanchonete da região do bairro Dom Aquino (zona Leste de Cuiabá) tiveram que se jogar no chão, inclusive um casal com uma criança de colo.

“Aqui é assim. Aliás, aqui é sempre assim. Não bastam os assaltos com invasão e residências. A proliferação do tráfico de drogas sem nenhum tipo de combate e os constantes assassinatos, ainda temos que aguentar os bandidos que brigam de bangue-bangue para assustar gangues rivais. Aliás, várias pessoas já foram mortas por balas perdidas, inclusive uma criança de colo. Só que, ninguém faz nada. Aliás, aqui o que mais tem é policia - ela quis dizer policial -, mas ela só aparece quando alguém mata alguém”, desabafa uma moradora de 54 anos, que já teve as casa roubada seis vezes nos últimos anos.

A reportagem também localizou dezenas de pessoas revoltadas com a violência, principalmente quando a vítima morre nas mãos de bandidos, os conhecidos latrocínios, cujos números apontam para violência desenfreada, principalmente nas duas principais cidades de Mato Grosso: Cuiabá e Várzea Grande.

Ainda muito revoltado e, principalmente traumatizado pela dor da perda do pai, a reportagem teve que ouvir poucas de boas de um filho. “Não adianta o senhor vir querer falar sobre a morte do meu pai na imprensa, que nada vai mudar. Ele está morto. Os bandidos o mataram e tá acabado, nada vai mudar”, desabafou o jovem estudante de 25 anos, morador da Capital.

“E o senhor não vai falar o meu nome, o nome do meu pai, muito menos o bairro onde nós moramos e onde meu pai foi morto covardemente, mesmo em reagir a um assalto. Os bandidos ameaçaram volta, e eles voltam, pois eu estou sabendo que o meu pai não foi a primeira vítima e com certeza não será a última, pois a Polícia não faz nada”, desabafou o filho.


Notícias Relacionadas »
Comentários »

Com UTIs lotadas, Barra do Garças deve ou não aderir lockdown? 3 pacientes aguardam vagas

74.2%
24.4%
1.3%