06/05/2020 às 20h33min - Atualizada em 06/05/2020 às 20h33min

Irmãs se dizem aliviadas com morte de homem que abusou delas em Barra do Garças

Araguaia Notícia


A morte do músico e pedreiro Osmaldo Viana Xavier, de 61 anos, conhecido como Osmar do Violão, na terça-feira (5/5) repercutiu em Barra do Garças, no leste de Mato Grosso, pela forma trágica que ocorreu onde primeiramente ele matou a namorada Elisangela do Nascimento, de 28 anos, e depois se matou.

Todavia, a morte de Osmar foi encarada como um alivio para duas irmãs, que hoje, estão com 28 e 30 anos e tiveram que mudar de Barra do Garças para tentar esquecer o passado. Elas foram vítimas de violência doméstica e até mesmo estupro cometidos por Osmar que era padrasto delas.

Elas decidiram comentar o assunto após acompanharem comentários na rede social de pessoas falando que Osmar era uma pessoa boa e que não entendiam porque ele agiu desta forma matando a namorada.

“Talvez a população não lembre mais deste assunto, porém nós nunca esquecemos”, conta ‘L’ que hoje tem 30 anos. A irmã dela, P, está com 28 anos. As duas foram pra rede social e desabafaram em comentários onde diziam que estavam aliviadas.

A mais velha contou ao site Araguaia Notícia que Osmar foi morar com a mãe dela em 2000 quando elas ainda eram meninas. E que desde o começou ele se mostrava um homem extremamente agressivo pois batia na esposa e nas enteadas.

 “Minha mãe vivia de olho roxo sempre. Realmente foi um pesadelo que sempre voltava em minha mente”, relembra.

Estupro

L relembra que foi estuprada pelo padrasto quando tinha 15 anos debaixo de ameaças e surras onde ele dizia que iria matar ela, a irmã e a mãe caso contasse alguma coisa e com isso acabou se engravidando do padrasto. Ele já tinha tentado estuprar a outra enteada quando ela tinha 12 anos. “Ele levou a minha irmã para o mato e bateu muito nela, mas ela conseguiu escapar dele”, conta.

Como os abusos não paravam e só aumentavam, as duas irmãs decidiram denunciar o padrasto na polícia. Osmar então fugiu e ficou um ano foragido. Na sequência ele foi preso e ficou apenas seis meses atrás das grades aumentando assim a sensação de impunidade e de injustiça.

As duas irmãs decidiram então se mudar para outra cidade e com apoio do pai recomeçaram uma nova vida.

Na terça-feira (5/5) quando recebeu a notícia sobre a morte do ex-padrasto, L conta que chorou e que tirou um peso das costas pois tinha medo de que ele pudesse algum dia reaparecer e as cenas de violência se repetirem.

As duas irmãs tiveram a coragem de relembrar esse assunto tão triste para contribuírem com a sociedade principalmente encorajando mais mulheres a não aceitarem a violência doméstica.

L diz que até hoje precisa de acompanhamento psicológico, mas que com a graças de Deus, está conseguindo levar a vida normal cuidando da filha.

Essa é uma história de superação que somente, agora passados 14 anos e com a morte do agressor, vítimas se sentem não só aliviadas, mas quem sabe prontas para serem felizes sem olhar para o retrovisor.

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