13/02/2020 às 11h17min - Atualizada em 13/02/2020 às 11h17min

Grande objetivo político de Boris Johnson, Parlamento britânico aprova o Brexit

Depois de uma sucessão de derrotas nas votações parlamentares, o Partido Conservador consegue retirar o Reino Unido da União Europeia

Araguaia Notícia
Após vagarosos três anos e meio para os membros do Partido Conservador, o Parlamento britânico concedeu, em 9 de janeiro, a aprovação daquilo que era reconhecido como a principal bandeira do primeiro-ministro Boris Johnson, também líder do partido, reeleito recentemente: a saída do Reino Unido da União Europeia.

Essa aprovação é considerada a etapa mais importante para a concretização efetiva do Brexit. A ação, agora, necessita apenas transcorrer por uma série de protocolos até que seja efetivada, provavelmente, ao fim deste mês.

Vale ressaltar que a transição completa do processo só deve ser encerrada no segundo semestre deste ano.
 
Um breve histórico do Brexit

A proposta de saída é consecutiva de um ideal de submissão britânica, passível de ameaça à soberania, à legislação vigente na União Europeia, difundido pelas parcelas conservadoras e nacionalistas. A acentuada chegada de refugiados ao continente, à época da resolução, em 2016, foi uma forte alegação para os partidários de direita, que sustentavam uma política de controle aos imigrantes.

O então primeiro-ministro David Cameron propôs, seguindo promessa de campanha, um plebiscito para definir a permanência ou a retirada do país no bloco; 51,9% dos votantes (totalizando 17.410.742 de pessoas) foram a favor da saída. Theresa May, então, após assumir a cadeira de premiê, deu início aos acordos e negociações que poderiam efetivar a determinação votada. 

Contudo, resguardada apenas por uma ínfima maioria na composição do Parlamento, May não conseguiu ratificar seus acordos, desenvolvidos entre governo e bloco. Em maio de 2019, após perder consecutivas eleições no parlamento, a primeira-ministra renunciou sem formalizar nenhum acordo.  
   
O premiê subsequente, Boris Johnson, adotou uma linha mais rígida – de certa maneira, voraz – quanto à definição do Brexit, evidenciando-o como seu principal objetivo político. Johnson, de fato, demonstrou agilidade nas deliberações. Porém, as votações no Parlamento ainda eram o maior entrave.

Entretanto, a grande virada atingida pelo líder dos conservadores ocorreu por meio de sua convocação para novas eleições, realizadas em dezembro, nas quais, além de conseguir a reeleição, o primeiro-ministro viu uma consolidação efetiva de seu partido no Parlamento. Assim, após costurar diretamente um acordo com a União Europeia, Johnson avançou vigorosamente nas negociações.     
 
A aprovação
Na quinta-feira, 06/01, o Parlamento outorgou o texto, arquitetado por Boris Johnson, que assinala a saída do Reino Unido do maior bloco político-econômico do mundo, a União Europeia.

O acordo compreende as mais diversas áreas referentes às relações comerciais, direitos civis dos cidadãos britânicos que vivem em outros países da comunidade, bem como dos europeus que lá residem, e à questão fronteiriça envolvendo Irlanda do Norte, país pertencente ao Reino Unido, e República da Irlanda, que continuará integrante do bloco. 

A aprovação da deliberação de retirada no Parlamento praticamente encerra o processo do Brexit, já que era julgada como a etapa mais problemática de todo o procedimento. O texto, agora, foi encaminhado para a Câmara dos Lordes, sendo votado já na próxima semana, sendo, posteriormente, assinado pela rainha Elizabeth II – esses dois passos, contudo, são encarados como simples formalidades.    

Decerto, até o dia 31 de janeiro, prazo máximo estabelecido pela UE, o acordo já estará ratificado, e o Reino Unido deixará, então, de participar efetivamente dos setores da comunidade. 
 
Possíveis mudanças imediatas

A transição de saída completa está prevista para ocorrer em 31 de dezembro. Até lá, haverá ajustes mais pontuais entre as partes, sobretudo da maneira como se sucederá o relacionamento entre o país e o bloco.

De modo geral, serão realizados possíveis acordos de livre comércio, delineados sob a atual configuração. Algo que talvez possa se alterar é a regulamentação sobre a fiscalização e trânsito de pessoas entre os lados, que, ao contrário do atual panorama de movimentação independente, será mais restrito – entrevistas e vistos certamente serão dispensados, necessitando apenas de um possível registro eletrônico e biométrico.
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