05/11/2019 às 12h18min - Atualizada em 05/11/2019 às 12h18min

Representante da Energisa culpa consumidores e o sol pelos altos preços nas contas de energia

Para o diretor da empresa, o uso excessivo de geladeiras, ares-condicionados e ventiladores é que faz subir o valor das contas

Gabriela Bomdespacho Vonn Eye / AL - MT
ARAGUAIA NOTÍCIA


Durante uma audiência pública que ocorreu na Câmara Municipal de Rondonópolis (cerca de 210 km de Cuiabá), na sexta-feira (1º), para debater os altos preços das contas de energia elétrica e e a má qualidade dos serviços prestados pela empresa concessionária, a Energisa S/A,  o diretor técnico e comercial da empresa, Amaury Antônio Damiance, tentou convencer o público de que não há nada de errado com os altos valores cobrados nas faturas.

Durante sua explanação, Amaury Damiance disse que a elevação da temperatura resulta em um aumento de até 30% no consumo e, para ele, o uso excessivo de eletrodomésticos como geladeiras, ares-condicionados e ventiladores é o vilão dos preços altos na fatura. Mas as explicações não convenceram as centenas de pessoas que participavam da audiência.

Quem também não gostou e ficou visivelmente contrariado com a fala do diretor da empresa foi o presidente da CPI da Energisa, o deputado estadual Elizeu Nascimento (DC).  Ele rebateu Damiance argumentando que ouviu atentamente tudo o que o representante da Energisa apresentou, e "a impressão que tenho é que estão tentado convencer os mato-grossenses que são os consumidores e o sol os culpados pelos altos preços nas contas de energia, que é normal dobrar o valor da fatura de energia do contribuinte, que é normal uma fatura de R$ 200 saltar para R$ 1.200, mas essa explicação é inadmissível", afirmou o parlamentar.

A audiência, que durou cinco horas, contou com a presença dos deputados estaduais Delegado Claudinei (PSL) e Thiago Silva (MDB); deputado federal José Medeiros (Podemos), vereador Oreste Miraglia, presidente da subseção da OAB de Rondonópolis, Dr. Stalyn Pereira, do representante da Defensoria Pública de Rondonópolis, da superintendente do Procon-MT, Gisela Simona, do diretor da Energisa S/A, do presidente da Democracia Cristã (DC) em Rondonópolis, Pedro Higor, e de centenas de moradores da cidade. A audiência pública foi solicitada pelo vice-presidente da CPI, deputado Thiago Silva, em parceria com os vereadores Orestes Miraglia, Adonias Fernandes e Reginaldo Santos.

Horas antes da audiência pública de Rondonópolis, o deputado Elizeu Nascimento participou de outra audiência em Pedra Preta, onde promoveu o mesmo debate com a população do município. De acordo com informações do Procon Estadual, a Energisa de Mato Grosso está em primeiro lugar no ranking de reclamações, nos quesitos preços abusivos e má prestação de serviços. Somente de janeiro a 31 de outubro de 2019, foram 6.607 reclamações contra a empresa registradas no Procon-MT.

Após tomar conhecimento das milhares de reclamações, por meio de denúncias da população mato-grossense,  e também da existência de uma petição pública de abaixo-assinado nas redes sociais, liderada pelo jovem Lucas Barroso, pedindo para ser feita uma investigação na empresa Energisa, o deputado Elizeu Nascimento apresentou, no dia 8 de outubro, na Assembleia Legislativa, um requerimento para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de averiguar possíveis irregularidades praticadas pela Energisa. No mesmo mês (dia 23), o parlamentar foi indicado presidente da CPI.

"Para mim, as audiências públicas nos municípios são a oportunidade que a população tem para se manifestar sobre  assuntos que afetam a coletividade e impactam diretamente na vida dos moradores das cidades distantes da capital de Mato Grosso, por isso faço questão de participar de todas elas", ressaltou o parlamentar. A audiência em Pedra Preta foi um pedido do vereador Vanderlei Roberto Sartori e da vereadora Iraci Ferreira de Sousa, e contou com a presença dos deputados estaduais Delegado Claudinei  (PSL) e Ulysses Moraes (DC);  do vereador e presidente da Câmara Municipal de Pedra Preta, Hélio de Farias, demais autoridades locais e a população. 
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