24/07/2019 às 18h26min - Atualizada em 24/07/2019 às 18h26min

PF faz operação de combate a desvio de recursos da saúde indígena no Araguaia

O crime estaria prejudicando ao Dsei Xingu em Canarana e funcionários públicos são alvo da investigação

Ronan de Sá / Semana 7
ARAGUAIA NOTÍCIA


Agentes da Polícia Federal cumpriram na manhã hoje (24), diversos mandados de busca e apreensão na sede do Distrito Sanitário Especial Indígena - DSEI Xingu, na cidade de Canarana (MT). Além de Mato Grosso, a PF também realizou buscas no estado de Alagoas, onde reside um ex-coordenador do órgão.   

A reportagem, o delegado federal de Barra do Garças, Rafael Valadares, disse que a investigação apura possível crime de peculato (que consiste na subtração ou desvio de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável por funcionário público que os administra ou guarda), fraude em licitação e uso de documento falso. Cerca de 16 policiais federais participaram da ação.   

Ao todo foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco termos de compromisso de suspenção da função pública (quando a pessoa fica proibida de trabalhar em órgão público de qualquer natureza). Conforme apurou o Semana7, todos envolvidos são funcionários do DSEI Xingu. Além da busca e apreensão no DSEI, a PF também realizou buscas em uma residência em Canarana.   

Os nomes dos envolvidos não foram revelados. A Polícia Federal, de posse dos documentos apreendidos, deve aprofundar a investigação e novos desdobramentos podem surgir assim como novas buscas.   

Dsei na mira da PF   

Nesse ano, a Polícia Federal também realizou operação no Dsei em Barra do Garças, contra um grupo suspeito de cobrar propina para manter funcionários em cargos no Dsei local. Foram quatro mandados de busca e apreensão, na operação batizada Blackmail. 

O grupo é investigado desde outubro de 2018, quando uma enfermeira protocolou uma denúncia no Ministério Público Federal (MPF). 

Ao órgão, ela contou que havia sido contratada pelo subsistema de saúde indígena e que havia sido coagida a pagar propina para ser mantida no cargo. Entretanto, como não realizou o pagamento a funcionária relatou ter sofrido assédio moral para que ela pedisse demissão. 

Depoimentos de outros funcionários apontaram a existência de outros fatos semelhantes. Além dos mandados, a Justiça Federal também determinou a suspensão da função públicos dos suspeitos – que não tiveram a identidade divulgada –, a proibição de entrar na sede do Dsei e de manter contato com servidores que trabalhem na instituição. 

Foram realizadas também operações no Dsei Kayapó, com ilegalidades nas cidades de Colíder e Peixoto de Azevedo. A operação foi batizada de Kitsune.
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