19/07/2019 às 17h44min - Atualizada em 19/07/2019 às 17h44min

Delegado que atuou em Barra do Garças é nomeado presidente da Funai

Quorum
ARAGUAIA NOTÍCIA


O Diário Oficial da União trouxe na edição de sexta-feira (19/7) a nomeação do delegado da Polícia Federal, Marcelo Augusto Xavier da Silva, para presidêndia da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A nomeação de Marcelo Xavier agradou em cheio a bancada ruralista. 

Marcelo já atuou em Barra do Garças, no passado, e ultimamente mesmo sendo lotado em Barra do Garças, ele estava cumprindo serviço em Brasília. Xavier, segundo especulações, tem relação estreita com deputados da bancada ruralista.

O delegado já assessorou os deputados ruralistas da bancada em uma Comissão Especial de Inquérito (CPI) que investigou a atuação da própria Funai – o mote da CPI eram as parcerias com organizações não-governamentais (ONGs) voltadas às causas indígenas. Xavier planilhou repasses, ONG por ONG, e o destino do dinheiro, numa atuação que subsidiava a atuação dos ruralistas.

O delegado detém relatórios com quebras de sigilo bancário de organizações não-governamentais (ONGs) que atuam em defesa de populações indígenas, que foi fabricado para os ruralistas durante a CPI.

O relatório final da Comissão pediu o indiciamento de 67 pessoas, entre lideranças comunitárias, representantes de ONGs, antropólogos e servidores. O mesmo documento propôs a revisão de demarcações de terras indígenas – uma bandeira do governo Bolsonaro, que, além de interromper demarcações, quer rever parte das que foram feitas na última década.

Fundo Amazônia

Os documentos em poder do delegado mostram, por exemplo, a existência de 330 operações de transferência de recursos do exterior para as contas bancárias do CTI, de 39 remetentes diferentes, no período correspondente à quebra de sigilo – 2004 a 2016. Os créditos identificados somam R$ 36,7 milhões – R$ 58,2 milhões em valores corrigidos.

Entre os maiores remetentes identificados estão o Fundo da Amazônia, com R$ 10,9 milhões, e o governo da Noruega, com R$ 10,3 milhões. O Fundo da Amazônia, abastecido principalmente com dinheiro da Noruega e da Alemanha, também está sob ataque no governo Bolsonaro.
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