04/07/2019 às 07h19min - Atualizada em 04/07/2019 às 07h19min

UFMT pesquisa formas de identificar e combater bactérias multirresistentes

André Faust / UFMT
ARAGUAIA NOTÍCIA


Com o objetivo de controlar e diminuir a proliferação de bactérias multirresistentes a antibióticos, acadêmicos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desenvolvem pesquisa que visa a identificação desses microrganismos e a medicação correta para combatê-los. O estudo auxilia em estratégias para reduzir o uso indiscriminado de medicamentos e tratar devidamente diferentes tipos de infecções.
 
Elaborada pela Faculdade de Medicina Veterinária (Favet) e coordenada pela professora Valéria Dutra, a pesquisa trabalha com materiais coletados de humanos, animais silvestres e animais domésticos com diferentes doenças. Essas amostras passam por um processo de isolamento bacteriano e são submetidas a testes de susceptibilidade com diferentes classes de antibióticos, o que permite a identificação do tratamento correto para as infecções causadas por cada microrganismo.
 
“Além da identificação bacteriana, são realizadas técnicas baseadas na sequência de DNA da bactéria para a detecção de genes de resistência a antimicrobianos, genes de virulência e também técnicas que agrupam e classificam esses isolados como mais ou menos resistentes. Esses materiais são comparados a bancos de dados mundiais, como a técnica de Multi Locus Sequencing Typing (MLST)”, afirmou a coordenadora.
 
Para a professora, é necessário que haja mais investimentos na área de pesquisas relacionadas ao assunto e maior controle na administração de antibióticos, tanto na linha humana quanto na veterinária.
 
“Enquanto não houver o uso preciso de medicamentos, o número de bactérias resistentes a drogas continuará aumentando. Irá chegar uma hora que nós não teremos fármacos para serem utilizados e já existem casos em que uma pessoa está infectada por bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis no mercado”, concluiu.
 
Em abril deste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que, até 2050, 10 milhões de pessoas no mundo podem morrer a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos.
 
Estão envolvidos na pesquisa estudantes de iniciação científica, doutorandos, mestrandos e professores do Hovet e da Faculdade de Medicina Veterinária. Além da parceria com o professor Francisco José Dutra Souto e o médico infectologista Francisco Keneddy, ambos do Hospital Universitário Julio Muller.
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