20/05/2019 às 21h17min - Atualizada em 20/05/2019 às 21h17min

Com estradas ruins e sem pontes, frete fica 30% mais caro na região do Araguaia; VEJA VÍDEO

O transporte de grãos e insumos conta com apenas duas balsas, que nem sempre estão funcionando; acidentes com caminhões são frequentes na travessia

Pedro Silvestre, de Água Boa para o Canal Rural
AGUA BOA NEWS / ARAGUAIA NOTÍCIA


As péssimas condições de infraestrutura e logística no Vale Araguaia, leste de Mato Grosso, estão colocando em risco a vida de caminhoneiros, atrasando entregas de insumos e encarecendo em até 30% o valor do frete. Revoltados com o descaso do poder público, produtores cobram do governo estadual que o valor arrecadado pelo Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) seja revertido em obras na região. Vale destacar que o governador Mauro Mendes anunciou neste mês de maio a construção de uma ponte de concreto em Nova Nazaré cuja obra deverá ser feita nos próximos dois anos para sanar esse problema de logística entre os dois estados. 
 
Não existe ponte no caminho mais curto para a divisa entre Goiás e Mato Grosso. Sai por esse trecho grande parte dos grãos produzidos na região e entra, praticamente, 90% de todo o calcário usado. Apenas duas balsas fazem a travessia — cerca de 400 metros de uma margem a outra — sobre o rio das Mortes.

 trecho pode ser curto, mas o número de reclamações é extenso, como relatam os caminhoneiros. “Esses dias, um caminhão caiu a frente. De vez em quando, acontece esse tipo de transtorno. Mas fazer o quê? Não tem outra opção, temos que ficar sofrendo”, lamenta Rogério Pereira de Almeida. Segundo os motoristas, nos dias em que a balsa está quebrada, centenas de caminhões ficam parados o dia todo lá, gerando uma fila enorme. O valor cobrado pela travessia de balsa também é motivo de protesto entre os motoristas. “É puxado: R$ 75 o rodotrem e R$ 45 o bitrem”, diz.


O impacto é repassado para o agricultor, que precisa de muito calcário para corrigir o solo, que é pobre e ácido, segundo o presidente do Sindicato Rural de Canarana, Alex Wisch. “O frete pode sair da mineradora com preço R$ 55 a tonelada; o produto está em R$ 60. Se fosse tudo pavimentado, poderia ser um frete de R$ 35. O caminhoneiro ganharia dinheiro e a gente teria um custo mais baixo” , afirma.
 
O sojicultor Paulo Buranelo já começou a preparar a área de 750 hectares para a safra, mas o calcário — além de mais caro — não vai chegar no tempo planejado. “Só em junho poderemos retirar. Atrasa o nosso trabalho aqui na lavoura, na distribuição. Quanto mais umidade a gente tem no solo para esse calcário reagir, melhor é, então se atrasa, consequentemente, há perda de produtividade no final”, explica.

Quarenta anos atrás foi feito o primeiro levantamento para construção de uma ponte que nunca saiu da promessa, conta o presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Antônio Mello. “Faz, aproximadamente, 15 anos que o governador Blairo Maggi prometeu dar prioridade”, reitera.
 
As estradas estaduais não pavimentadas também são alvo de muitas críticas. Indignado, o presidente do sindicato rural de Canarana afirma que a arrecadação de Fethab no município é de R$ 50 milhões por ano e apenas R$ 2,5 milhões retornam. “Estamos pagando caro para chegar o calcário, o adubo, e a gente vende a soja mais barata porque não temos estrutura”, reclama Alex Wisch.

Veja vídeo que saiu no site UOL sobre o preço do frete no Araguaia

 
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