21/03/2019 às 18h15min - Atualizada em 21/03/2019 às 18h15min

Polícia Civil desmantela esquema de agiotagem com cartões de indígenas em Barra do Garças

Os cartões eram retidos com a senha e os índios sempre ficavam endividados. Foram cumpridos 3 mandados de busca e apreensão e cinco pessoas estão sendo investigadas

Assessoria / PJC MT
ARAGUAIA NOTÍCIA
Policiais civis da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Barra do Garças-MT, sob coordenação do delegado Wilyney Santana Borges Leal, cumpriram no dia 21/3 três mandados de busca e apreensão domiciliares, visando instruir inquérito policial que apura os crimes de usura, apropriação indébita, estelionato e associação criminosa, praticados contra indígenas da etnia Xavante.

Nas residências dos suspeitos foram encontrados 135 cartões bancários com senha dos indígenas, incluindo do programa federal bolsa família, além de 242 documentos pessoais e oficiais dos índios, dentre eles Carteira de Trabalho, RGs, CPF e título de eleitor. Os mandados foram cumpridos na casa de cinco investigados. Entre eles, tem um empresário, um comerciante, um advogado e um contador. Nomes não serão declinados - no momento - por que a investigação está incurso explicou a autoridade policial. Após cumprimento dos mandados com apreensão dos cartões, os investigados permanecem soltos com o compromisso de colaborarem com a investigação. 

Em uma das residências foi encontrado ainda duas máquinas de cartões, as quais eram utilizadas para passar os cartões dos índios, indo o dinheiro diretamente para a conta bancária de um dos suspeitos, sem que precisassem ir até o banco para sacar os valores. 

As investigações demonstram que os suspeitos emprestam dinheiro para os indígenas, cobrando juros que variam entre 10 a 40 por cento mensais, e como garantia de recebimento, retém os cartões bancários com as respectivas senhas e somente devolvem para os índios quando recebem o valor emprestado, com os juros exorbitantes, o que pode durar anos.

Neste período o indígena fica sem nenhum controle do recebimento de salário, aposentadorias e benefícios que recebem, e como precisam de dinheiro para sua subsistência, voltam novamente nos suspeitos, alimentando o ciclo interminável de empréstimos.

Segundo o delegado Wilyney Santana Borges Leal, esta pode ter sido a maior apreensão de documentos e cartões bancários de indígenas em poder de agiotas no Estado de Mato Grosso. O nome da operação A’ UWE, significa povo Xavante na língua indígena.

As investigações prosseguem tramitando pela Derf/BG. 
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Com UTIs lotadas, Barra do Garças deve ou não aderir lockdown? 3 pacientes aguardam vagas

75.0%
23.7%
1.3%