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23/02/2019 às 12h49min - Atualizada em 23/02/2019 às 12h49min

Barra-garcense casado com 2 mulheres vira coach e compartilha experiências sobre relacionamentos

Klinger que mora hoje no Rio de Janeiro foi destaque neste sábado numa reportagem especial da competentíssima repórter Keka Werneck no SITE RDNEWS. Klinger se tornou consultor de poliamor há 12 anos

KEKA WERNECK / SITE RDNEWS
ARAGUAIA NOTÍCIA
Klinger Souza, 34 anos, é de Barra do Garças, mas atualmente mora no Rio. Ele é casado com 2 mulheres há 12 anos


Há muita curiosidade sobre a vida a três, o chamado poliamor. O barra-garcense Klinger Souza, 34 anos, sabe bem o que é isso e se tornou um consultor de poliamor. Há 12 anos, ele é casado com duas mulheres, embora não tenha certidão formal da união. A história dele já teve repercussão nacional. Devido a essa experiência incomum, garante que tem muitas dicas a repassar àqueles que enfrentam dificuldades de relacionamento, mesmo a dois. Afinal, segundo ele, a dois, a três ou até a quatro, as questões que surgem são próprias do ser humano.

“Poliamor não é tão diferente assim. Só existem, ao invés de dois, três participantes ou quatro. Mas o fato de dar certou ou não isso está ligado aos mesmos motivos que casais monogâmicos enfrentam”

Klinger já morou em São Paulo e agora é funcionário do setor de logística de uma multinacional no Rio de Janeiro. Nas horas vagas, atende a convites, já há algum tempo, para palestras, rodas de conversa e bate-papos. Já foi a universidades, colégios, parques e outras rodas informais. Acredita ter uma missão espiritual, de desmistificar certos mitos e um deles é o de ser impossível ser feliz no poliamor. Ensinar o que aprendeu, para ele, “é um propósito de vida”, resume. 

Para seguir neste caminho que resolveu trilhar, de palestrante, está estudando e quer ser coaching de relacionamento. Ele conversou com o   sobre diversos tópicos que atormentam muitos casais e também “trisais”. Segundo diz, relacionamento é tudo igual e o que pode fazer a grande diferença é como cada um se comporta, consigo mesmo, com o outro ou os outros.

“Poliamor não é tão diferente assim. Só existem, ao invés de dois, três participantes ou quatro. Mas o fato de dar certou ou não isso está ligado aos mesmos motivos que casais monogâmicos enfrentam”, acredita. "Nas palestras, surgem muitas dúvidas sobre o poliamor, mas nem sempre novos adeptos. Muita gente conclui: isso não é para mim - e tudo bem. O importante é que saiam se entendendo melhor, depois de ouvirem o que eu falo, Isso é muito gratificante para mim”.

Ciúmes

Ciúmes, para Klinger, indica que algo está errado. No poliamor, chega a achar estranho. “Se namoro minha esposa, logo eu a amo. Se namoro minha segunda esposa, logo a amo também. Se as duas se amam, então não tem motivos para ciúmes”.

Para vencer os ciúmers, ressalta que é preciso parar de pensar que seremos trocados por outra pessoa. Nem sempre o fim da relação se dá por isso. Boa parte das vezes ocorre por causa de algum problema alheio, como não quer mais namorar no momento ou quer apostar no trabalho, viajar sozinho e diversos motivos.

Na visão dele, as mulheres ainda sentem mais ciúmes. "Isso porque se veem ainda muito ligadas aos homens, muitas não sabem que podem ser solteiras, felizes plenas e maravilhosas".

O que pensar antes de entrar num relacionamento

“Nunca entre pelo outro, por vontade do outro e não pelo seu desejo. Esse é um dos piores erros que os casais cometem”

O que devo saber antes de começar um relacionamento? – questiona Klinger. Isso vale, segundo ele, para monogâmicos também.

“Nunca entre pelo outro, por vontade do outro e não pelo seu desejo. Esse é um dos piores erros que os casais cometem”, alerta.

No caso do poliamor, abrir para, por exemplo, tentar agradar o marido, achando que assim ele vai continuar no casamento, não garante nada. Trazer a amante dele para dentro de casa, sem que as duas mulheres também queriam se relacionar gera disputa e não harmonia. 

"Não vai estar 100% feliz e isso no futuro com certeza trará problema, um término traumático principalmente a quem se sujeitou para segurar o marido No início, tem como suportar, mas chega um momento de explosão", avisa.

“Cada um tem sua intimidade em separado. Impor sexo, baladas, presentes e almoços só a três ou a dois, isso não existe. Fica robótico, porque quebra espontaneidade”

Sexo

Sobre sexo, no relacionamento a três, ele diz que também é errado achar que todas as transas serão em conjunto. Diz ainda que se isso for forçado pode ficar monótono e os três perderem o apetite.

Monogámicos também podem não querer sexo em um dia e no outro sim. Ou um querer se satisfazer sozinho.

O respeito aos desejos, sem paranóias, é a dica do Klinger.

"Primeiro saiba que não tem como controlar sentimentos, eles veem e não tem o que fazer, então é preciso apenas respeitá-los e vivenciar aquele momento. Diante disso, não tem como fechar uma proposta do tipo: só vamos ter sexo a três. Sempre fica cansativo, monótono e rotineiro". Para ele, é de grande importância que cada um na relação tenha a sua intimidade e depois com um ou dois parceiros ou mais. "Cada um tem sua intimidade em separado. Impor sexo, baladas, presentes e almoços só a três ou a dois, isso não existe. Fica robótico, porque quebra espontaneidade".

Afazeres

É um tópico que quando tem palestras em praças, bares  e escolas, Klinger se supreende como os homens ainda acham que isso é tarefa feminina.

"Os homens pensam sobre isso e é engraçado...Mas tem uma frase - penso, logo existo que adapto para falar sobre os afazeres. Como, logo sujo vasilhas, se tenho fome, logo cozinho, Se sujo roupas, logo tenho que lavar e assim por diante".

Para ele, os afazeres domésticos não são um papel exclusivo da mulher e sim de todos da casa. "Isso foi definido sei lá por quem mas tem que mudar, não sei se por ter morado sozinho desde os 15 anos e sempre tive para mim que tenho que ser auto-suficiente em todos os sentidos, então me viro".

Na casa dele, onde mora com as duas esposas, tudo dividido. "Nem precisa de um acordo para que cada um lave um canto da casa. Se chego mais cedo, faço comida, limpo a casa, tomo um banho. Se a segunda pessoa chega, faz o que faltou e quem chegar depois, mais cansada ou não, poder descansar ou no outro dia fazer alguma coisa também", explica. "As meninas todas cozinham (esposas dele) e é muito natural que quem estiver menos cansado faça, sem ninguém intervir e nem haver briga".

Destaca que alguém pode não saber fazer bem uma tarefa, como cozinhar. "É só combinar de fazer outra, simples".

Por ser homem, e ter mais força física, ele por exemplo assume funções mais pesadas.

Machismo

O machismo, na visão de Kingler, ainda é realidade. Até no poliamor. "O cara impõe que a esposa tem que aceitar a amante em casa ou outra mulher, porém ele nunca aceita outro homem. Quer que as rgeras sejam sempre ditadas por ele.. Não permite que a mulher transe em separado, mas ele sim pode frazer isso. Ele procura a menina que vai entrar na relação, que escolhe, prova, a mulher só se sujeita para não perder o homem", critica.

Critica ainda, além do machismo, o relacionamento abusivo, em que só o homem tem direitos e a mulher, deveres.

“Criança entende tudo. Só explicar.”

Filhos

Filhos, no políamos, deve ser algo acordado entre os integrantes do relacionamento. Seja por quem quer ter primeiro, por idade, por momento da vida, por momento na carreira, estudos, seja por outros motivos.

"Nós decidimos por idade e carreira mais sólida. Mas acho que deve ser um acordo entre todos", comenta. "Ninguém pode deixar de expor sua visão e desejo de como fazer isso acontecer".

Desde cedo, a criança deve ser informada sobre a forma de vida da família, isso incluiem as relações monogámicas, até para ensinar valores.

"Criança entende tudo. Só explicar. Terá menos berreiras que nós, adultos, pois ainda não tem preconceitos e crenças inseridas nelas", opina.

Preconceito

Kingler afirma que há 12 anos vive em relacionamenots poliamor e nunca sofreu discriminação ou preconceito. Acredita que a forma como se expressam e conduzem a relação inspira muito respeito. "O mesmo respeito que a gente tem um com o outro. Não temos que provar nada para ninguém. Assim, não tem piadinha, nada desse tipo".

Sendo assim, fica a dica de que tudo depende de como as pessoas se colocam na sociedade. "Não é putaria, é poliamor", diferencia.

Serviço
Telefone: (21) 9 6568 6394
E-mail: [email protected]
Instagram: klinger.coach
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