26/12/2018 às 20h59min - Atualizada em 26/12/2018 às 20h59min

Exame feito após 3 horas não confirma embriaguez de professora que atropelou três pessoas em frente a boate

A professora se negou a fazer o exame. Uma das vítimas morreu.

Fabiana Mendes - Olhar Direto
Araguaia Notícia
Laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) realizado domingo (23), às 8h05 da manhã, apontou que a professora substituta de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), R.S.C.R., 33 anos, não apresentava sinais de embriaguez. O acidente resultou na morte de Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e deixou outras duas pessoas feridas, em frente à Valley Pub, localizada na avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, aconteceu por volta das 5 horas. O exame, porém, só foi feito após três horas. 

Segundo informações da polícia, a professora se recusou a fazer o teste do etilômetro e o exame de sangue, que poderiam comprovar ou descartar a embriaguez apontada por policiais militares no momento da prisão.

Aos peritos, ela relatou ter ingerido quatro latas de cerveja por volta das 23 horas. No entanto, em diligências, a Polícia Civil conseguiu encontrar a ficha de consumação da professora em uma casa noturna na capital. Ao todo, ela comprou seis garrafas (long neck) de cerveja no local.
 
Conforme o laudo obtido pelo site Olhar Direto e assinado pela médica Létícia França, o tempo transcorrido desde a ingestão da bebida alcoólica até o momento do exame influencia na apresentação clínica e no resultado do exame de embriaguez, devido à metabolização hepática.

No exame foi questionado se a motorista estava embriagada, qual espécie da embriaguez, se na situação em que se encontrava ela estaria colocando em risco à própria segurança ou alheia, se ela se embriaga atualmente, em caso de afirmativo, quanto tempo seria necessário para a desintoxicação.
 
Das cinco perguntas, quatro tiveram a resposta “prejudicado”. A primeira, que questiona se ela está embriagada, aponta que “não”.

“Diante dos achados do exame concluem os peritos que a periciando apesar de apresentar evidências de ingestão de bebida alcoólica, não apresentou no momento do exame, sinais de embriaguez alcoólica”, concluiu o exame.

Entenda o caso

A professora atropelou três pessoas às 5h50 da manhã deste domingo (23) na Avenida Isaac Póvoas, a poucos metros da faixa de pedestre, em frente à Valley Pub. Ela passou por audiência de custódia na última segunda-feira (24), pagou R$9,5 mil de fiança e foi liberada.
 
A motorista dirigia uma caminhonete Renault Oroch. O atropelamento aconteceu a poucos metros da faixa de pedestre, no momento em que o público deixava a casa noturna. De acordo com testemunhas da colisão, o veículo estava em alta velocidade quando colidiu com o trio. Além de bater nas três vítimas, o carro conduzido pela professora ainda se chocou com um Gol.
 
O carro só foi parar após o semáforo. Imagens registradas por testemunhas e pela Polícia Civil revelam o estado em que ficou o carro após a colisão. Equipes de resgate não conseguiram salvar Myllena de Lacerda Inocencio, mas regataram as outras duas vítimas.

Hya Girotto Santos foi encaminhada para o Pronto-socorro de Cuiabá. Ramon Alcides Viveiros foi transferido para o hospital particular Amecor para passar por uma cirurgia. De acordo com familiares, ele teve traumatismo craniano e precisou aliviar a pressão sobre o cérebro.
 
Familiares revelaram que a cirurgia de Ramon foi um sucesso e a equipe médica acompanha a evolução antes de realizar uma nova bateria de exames, que deve ser realizada amanhã.
 
Por meio das redes sociais, amigos e familiares têm prestado homenagens às vítimas e desejado pronta recuperação. Mãe e irmão de Ramón compartilharam áudio agradecendo às orações e manifestações de apoio.
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