14/12/2018 às 06h59min - Atualizada em 14/12/2018 às 06h59min

Garoto começa a recuperar movimentos após 3 anos de trágico acidente

Olhar Alerta
Araguaia Notícia
Na foto as três fases do garoto: antes, após o acidente e hoje com os primeiros sinas de recuperação. IMAGEM: Olhar Alerta
Um trágico acidente automobilístico ocorrido em 13 de dezembro de 2015, mudou a vida de Júlio César Dias de Jesus Filho, que na época tinha 15 anos.

O adolescente insistiu com sua mãe, Leni Pereira, que queria ir de moto para Canabrava do Norte com alguns amigos, e mesmo com a discordância dela, o adolescente foi e no caminho se acidentou.

Em entrevista à redação do site Olhar Alerta, Leni disse que no dia do acidente, não queria deixar o garoto ir, mas após cerca de duas horas que ele tinha partido, os mesmos rapazes que estavam junto, chegaram em sua residência e disseram que ele havia se acidentado e que seu estado não era dos melhores.

Segundo relatos, os rapazes trafegavam em alta velocidade pela BR-158, e em determinado momento, um carro que iria entrar em uma estrada virou, o condutor da motocicleta não conseguiu frear e atingiu em cheio esse automóvel. Tanto Júlio como o motorista foram parar há cerca de 50 metros de distância.

A mulher conta que quando chegou ao hospital de Confresa recebeu a notícia de que seu filho havia sofrido traumatismo craniano e seu cérebro estava todo “machucado”. Os médicos não deram boas esperanças e pediram que a mulher confiasse em uma força maior: “O médico disse que ele corria risco de morrer, que se eu tivesse fé, era pra eu orar”.

No outro dia de manhã o adolescente foi transferido para a unidade hospitalar de Palmas (TO), onde ficou três meses: “Ele ficou 47 dias na UTI, e depois foi para o quarto, onde ficou mais de 30 dias. Não foi fácil ficar no hospital, todos os dias eu desejava sair dali. Todo mundo que eu conversava falava que estava há 7 meses, 1 ano... e eu pensava: e eu? Quando eu vou sair daqui? Não tinha esperança, eles não me davam esperança de sair dali”.

Após o tempo de internação, a equipe médica disse que tudo o que podiam ter feito pelo garoto, já tinha sido executado. Ele era considerado um paciente sequelado sem resposta, mas já não corria riscos de morrer: “Ele não tinha resposta, não mexia nem o olho. E eles [os médicos] falaram que se ele ficasse lá seria pior, pois poderia pegar uma bactéria hospitalar e piorar, então era melhor ir para casa”.

Mesmo com a falta de estrutura dita pelos médicos de Confresa, a família de Júlio o trouxe para casa e cuidaram para que o adolescente se recuperasse: “Ele quase morreu na estrada quando a gente trouxe ele, chegamos em fomos direto para o hospital. Ele demorou cinco meses para começar a se recuperar, não foi nada fácil. Muitas vezes eu saia de madrugada para o hospital com ele morrendo. Eu tinha que ligar para a fisioterapeuta porque ele não engolia nem a saliva, ele engasgava e a gente via ele morrendo toda hora. Até que um dia meu marido comprou o aspirador e a Raiane [fisioterapeuta] me ensinou como fazer”.

Leni relatou que teve ajuda de uma enfermeira que o marido também tinha se acidentado e por conta disso, tinha um pouco de experiência em cuidar de pessoas no estado de Júlio: “Ela ficava muito no Crer, em Goiânia, ganhou experiência assim e passou para mim. E eu fui fazendo os exercícios até que ele foi se recuperando, mas não foi fácil não”.

Devido ao trauma que Júlio sofreu, seu comportamento mudou, e atualmente ele é mais desinibido do que era antes. Em depoimento, ele disse que hoje aprendeu que certas “gracinhas”, ele não poderia fazer e não fará mais.

Além do traumatismo craniano, o rapaz sofreu uma fratura no maxilar e outra próxima à orelha, e, por mais incrível que pareça, o capacete que ele usava não quebrou.

Atualmente, Júlio movimenta, com dificuldades, seu corpo e tem a fala dificultosa. O garoto que, hoje em dia, tem 18 anos consegue comer sozinho e andar em seu andador. Graças à fisioterapia que ele faz desde quando teve alta, aos poucos seus movimentos são recuperados e espera-se que com o tempo ele os recupere permanentemente.
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